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Neymar não está nem entre os 5 melhores jogadores brasileiros Pós-Pelé

(Foto: Revista Placar)

A grande polêmica da semana veio da Revista Placar. Numa edição especial, a respeitada publicação comemorou os 10 anos de Neymar como profissional, declarando que o atual camisa 10 do PSG é o maior jogador brasileiro pós-Pelé. Se a polêmica capa serve apenas para chamar atenção, funcionou bem. Foi o grande assunto da semana em mesas redondas, tanto pela TV como em botecos de esquina. Afinal, mais do que tudo, Neymar é comoção, mesmo (mais uma vez) machucado.

O assunto não é fácil. Nunca foi. Neymar é sem dúvidas, o maior personagem do futebol brasileiro nesses últimos 10 anos. Já era estrela antes mesmo de estrear. Seu apelo com as crianças é muito maior do que os adultos conseguem imaginar. Aqueles que conseguem, friamente, analisar as funções táticas e técnicas do camisa 10 da seleção. Ou que se incomodam com os milhões de rolamentos para simular faltas. E até mesmo as polêmicas em Instagram, de como é um menino mimado que age como alguém que vive em outro planeta. As crianças não estão nem aí. Elas simplesmente amam Neymar pelo que ele é: carismático e dono de um talento sobrenatural. Aqueles que só aparecem de 100 em 100 anos.

Foto: Reprodução Instagram @neymarjr

Doa a quem doer, é impossível não reconhecer o talento absurdo, sobrenatural, mágico e raro do menino Ney. Neymar chuta com as duas pernas, cabeceia, dribla, é extremamente rápido e dono de uma mente que responde perfeitamente no quesito “intenção-execução”. Bate faltas, bate pênalti, lança, passa, chuta… com maestria. Não me lembro, nesses 10 anos da carreira dele, sequer uma canelada. Uma partida ruim é algo extremamente normal na vida de um atleta. Seja no futebol, no tênis ou no basquete. Neymar já teve algumas. Mas uma partida de “perna de pau”, sinceramente não consigo me lembrar. Seus destaques negativos na carreira estão ligados exclusivamente às simulações patéticas que ele ainda insiste em manter. Fora isso, Neymar é quase nota 10. Dentro de campo, claro. Fora de campo é outro assunto.

Mas a discussão agora não é essa. O que a Placar sugeriu, que Neymar é o “maior jogador brasileiro pós-Pelé”, pode ser interpretada de algumas formas. Maior em que sentido? Mais vencedor? Mais famoso? Mais popstar? Mais jogador?

Não acredito que seja em nenhum dos itens, apesar que ele talvez seja mais popstar que Ronaldo fenômeno. Talvez, porque pouca gente se lembra de como o ex-camisa 9 do Barça, Real, Milan e Inter também era assediado, numa geração que não existiam redes sociais. Ronaldo namorou com super modelo, com atriz da Globo, foi embaixador da Unicef. Era notícia por onde passava, assim como Neymar. As redes sociais fazem com que o atual camisa 10 da seleção pareça muito mais famoso que o ex-camisa 9. Mas acredito que os dois estejam empatados nesse quesito.

Foto: Getty Images

Dentro de campo, pelo menos por enquanto, não dá para comparar. Ronaldo é muito maior e muito melhor que Neymar. Muito mais decisivo. Sempre soube lidar com a pressão e com a responsabilidade de decidir jogos. De decidir campeonatos. De vencer títulos grandes. Coisa que Neymar já comprovou não ter qualquer tipo de maturidade. É o brasileiro que mais fez gols em copas, mais até que Pelé, superado apenas pelo alemão Miroslav Klose, por um gol. Venceu duas vezes o torneio mais importante do planeta. Uma como reserva e outra como protagonista: artilheiro e melhor jogador da competição. Por 3 vezes, foi o melhor do mundo. O único grande título que não tem é o da Champions League, curiosamente um título que Neymar tem e foi protagonista, fazendo o gol do título e sendo eleito o melhor jogador da final.

Se os números podem mentir, quem acompanhou a carreira dos dois sabe da grande diferença entre eles: Neymar não parece ter algum controle emocional para lidar com grandes pressões. Seu papelão na última copa do mundo só comprova. Ao invés de jogar bola, ficou marcado por suas simulações em campo, rolando mais do que deveria quando recebia uma falta. A internet não perdoou: memes e mais memes brotavam pela rede, ridicularizando a imagem do atleta e da seleção.

Ronaldo conseguiu dar a volta por cima depois do famoso caso de epilepsia na final da copa de 1998, das duas lesões gravíssimas nos joelhos e de muitas polêmicas em sua vida pessoal. Em campo, nada parecia abalar o fenômeno. Sempre foi decisivo e artilheiro. Não fossem as lesões, Ronaldo teria números ainda maiores. Eu não tenho qualquer dúvida disso.

Foto: Blog do Cosme Rímoli

E se a comparação com o ex-camisa 9 já não é boa, imagina com o ex-camisa 11. Um baixinho que veio da favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro. Romário deu ao Brasil um título que não vinha justamente desde a época de Pelé. Com uma pressão absurda, muito maior do que essa pressão que Neymar reclama tanto. Jogando numa seleção muito mais limitada. Mesmo assim, o camisa 11 prometeu e cumpriu: trouxe a copa para casa. Pediu para bater pênalti, que não era sua especialidade, no momento mais crucial. E fez gols. Ah, como fazia gols. Romário é o maior jogador de área da história do futebol mundial. Afirmação de alguns nomes importantes do futebol: Tostão, Johan Cruyff e Zico.

Em números, Romário também é maior que Neymar. Foi melhor do mundo, venceu a copa. Também não venceu a Champions League e só tem uma liga espanhola pelo Barcelona. Sua fama de bad boy mascara um pouco o grande craque que foi. Ele nunca ligou muito para ser o queridinho do país, mas dentro de campo resolvia. Para mim, foi o maior jogador que vi. Sentimento compartilhado por quase todos de minha idade, que acompanharam o auge absurdamente fantástico desse craque. Se Ronaldo poderia ter sido ainda maior sem as contusões, Romário poderia ter sido bem maior sem as confusões. Saiu do Barcelona no auge da carreira, voltando ao Brasil e fugindo dos holofotes europeus. Fez suas escolhas.

Foto: Site do Barcelona

Poderia ainda citar Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho nessa lista. O primeiro teve um carreira brilhante, sendo campeão por todos os clubes que passou. Era um camisa 10 clássico, talentoso e decisivo. Foi melhor do mundo em 1999 e campeão mundial. Venceu a Champions League. E nunca soube se promover. Retraído, era o completo oposto da vida de popstar de Neymar. O segundo, todos conhecem. Entre 2002 e 2005, foi o mais próximo que alguém conseguiu chegar perto de Pelé. Ronaldinho era mágico, era inacreditável, parecia uma criação de videogame. Ninguém conseguia pará-lo. É provavelmente o jogador mais técnico que o futebol já viu. Uma pena que desistiu de sua carreira tão cedo. Preferiu curtir a vida em festas, largando a vida de atleta. Escolhas, assim como Romário fez a dele.

Resumindo em miúdos, não acredito que Neymar tenha sido melhor que esses quatro. Como disse Petkovic no programa Seleção Sportv, ele ainda precisa comer muito feijão para poder ser comparado com eles. O próprio Pet alertou algo importante: é errado fazer essa comparação enquanto Neymar ainda joga. Talvez esse enorme texto que fiz vire uma grande piada daqui a 5 anos. Neymar pode se transformar naquele jogador que sempre esperamos: decisivo, vencedor, genial. No momento, está longe disso. Longe desses quatro, com toda a certeza do mundo. Precisa deixar de ser menino e assumir a grandiosidade desses grandes craques.

E isso porque eu nem vi um certo cara que vestiu a camisa 10 do Flamengo e da seleção. Mas não tenho dúvidas que Neymar também está muito longe dele…

Foto: Revista Lance

Twitter: @tedsimoes

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