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O menino Mbappé lidera a jovem seleção francesa ao título mundial

Na série sobre os favoritos da copa aqui no blog, quando escrevi sobre a França (ler aqui), comecei falando que o futuro campeão tinha “Muito, muito talento. Talvez o elenco com maior talento individual da copa”. Mesmo com muita gente torcendo o nariz contra, era óbvio que o time de Didier Deschamps estava recheado de grandes jogadores. O que parecia ser dúvida era se esse time jovem teria maturidade para encarar um mundial. Teve, e venceu. E a maturidade veio justamente há dois anos.

Após perder a Eurocopa-2016, em casa, contra um limitado time português, Didier Deschamps por muito pouco não foi demitido do cargo de treinador. Não soube aproveitar o talento de sua geração para vencer um importante título em casa, assim como havia vencido como jogador na copa de 1998. Na Euro, o time francês gostava de jogar com a bola, tomando a iniciativa. Apenas na semi-final, contra a Alemanha, não teve mais posse de bola. Mas a segura atuação, vencendo categoricamente por 2-0 diante dos – até então – campeões do mundo, mostrou que o time também sabia jogar sem a bola. A derrota na final deixou marcas, mas também ensinamentos.

Foto: Getty Images

A primeira lição é que não existe um time pronto, engessado, formado. O futebol muda rapidamente. Da final de 2016 para o início da copa, Deschamps manteve apenas 9 jogadores no elenco. Foram 14 mudanças de um elenco que, teoricamente, fez uma ótima campanha, chegando ao vice-campeonato. Só para compararmos, Tite mudou 9 jogadores da sua primeira convocação. Do time titular, a mudança francesa foi ainda mais drástica: 5 jogadores. No Brasil, dá para dizer que foram apenas 2 mudanças: Marquinhos perdeu a vaga para Thiago Silva e Coutinho ganhou a vaga de Renato Augusto. Fágner só entrou no time pela contusão de Daniel Alves, assim como Fernandinho só jogou pela suspensão de Casemiro. O treinador francês não se apegou a ninguém: seja no time titular quanto no banco de reservas. Não teve medo de apostar nos jovens jogadores que surgiram nesse pequeno espaço de 2 anos. Foi ousado.

A segunda lição é justamente o oposto da primeira. O treinador trocou o jeito de jogar do time, indo para um pragmatismo. Ao invés de propor o jogo, preferiu adotar uma postura de dar a bola ao adversário e administrar o jogo da defesa para o ataque. A superioridade da posse bola e das ações do jogo aconteceram em 3 jogos: Austrália (55 contra 45), Dinamarca e Uruguai (68 contra 32). Nos dois primeiros jogos, com a superioridade técnica, era de se esperar. Assim como contra o Uruguai, que é um time que sempre jogou no contra ataque. Mas nos demais jogos, incluindo a grande final, a França deu a bola ao adversário. Lembrou muito o Chelsea de Antonio Conte em sua primeira temporada no comando do clube londrino. Um time que parecia estar acuado o tempo inteiro, mas controlava bem o jogo mesmo sem a bola. Como poucos times no mundo conseguem. Pode não ser um estilo vistoso (principalmente com jogadores talentosos), mas se mostrou muito eficaz e letal. Contra a Bélgica e contra a Croácia, a França teve apenas 34 e 36% de posse de bola. E em momento algum o time pareceu dominado, correndo riscos. Impressionante.

A prova disso é que durante toda a Copa, a França esteve apenas 9 minutos em desvantagem no placar. Foi contra  Argentina, nas oitavas de final. Em momento algum o time demonstrou desequilíbrio, apagão, pane… mesmo com tantos jovens, parecia um time de veteranos.

Foto: Federação Francesa de Futebol

Queria destacar 4 jogadores nessa campanha francesa. O melhor zagueiro do mundial, disparado, foi Raphael Varane. Que copa fantástica do zagueiro do Real Madrid. Mesmo com apenas 25 anos, demonstrou classe, solidez e ainda foi decisivo marcando um importante gol contra o Uruguai, nas quartas de final. Para quem ainda não o conhecia, um belo cartão de visitas. Deve ser o melhor zagueiro do mundo nas próximas 5 ou 6 temporadas. Com folga.

Foto: Getty Images

No meio de campo, um gigante de 1,68m. N’Golo Kanté fez parte do histórico time do Leicester, o improvável campeão inglês. Após o título, se mudou para o Chelsea para ser campeão inglês novamente, dessa vez sendo eleito o melhor jogador da Premier League. Líder de desarmes e interceptações na liga inglesa desde então, numa posição onde os fortes e altos jogadores cada vez mais monopolizam o campo, o pequenino Kanté destoa dos demais. Além de tudo, uma linda história de vida: no primeiro título francês, em 1998, ele estava nas ruas de Paris catando latas da festa. 20 anos depois, campeão mundial e melhor volante da copa. Hoje, um dos 5 melhores meio campistas do mundo.

Foto: Getty Images

O craque do time (pelo menos até o início da copa) vestia a camisa 7. Griezmann já tinha mostrado seu talento na copa do Brasil, em 2014. O versátil atacante, que joga pelos cantos, de centroavante e até mesmo um pouco mais recuado, esbanja talento, faro de gol e uma impressionante capacidade de escolher muito bem suas ações no jogo. Uma maturidade que falta ao nosso principal craque, por exemplo. Liderou seu time ao título com muita capacidade e não se importou com a ascensão de uma jovem estrela que acabou “roubando” o status de craque do time. Esse é um jogador que admiro muito há um bom tempo. Um cracaço de bola, sem dúvidas entre os melhores do mundo.

Foto: wdef.com

E o grande destaque francês na copa foi o menino (esse sim, menino mesmo!) Mbappé. Com apenas 19 anos, desconhecido da grande maioria do público brasileiro que não acompanha o futebol europeu, o jovem atacante fez a melhor exibição individual do torneio contra a Argentina, marcou um gol histórico na final, se juntando a ninguém menos que Pelé, como os únicos jogadores com menos de 20 anos a balançar as redes na decisão. Uma velocidade absurda, relembrando o início de carreira de Ronaldo. Acabou eleito o melhor jovem do mundial. Alguma dúvida que veio para ficar? Quem deve estar preocupado é o outro menino, que saiu do Barcelona para sair da sombra de Messi e agora volta ao Paris para ficar na sombra desse monstro chamado Mbappé. Depois da era Messi-CR7, provavelmente temos um fortíssimo candidato à rei. Vida dura para uns…

Foto: REUTERS/Kai Pfaffenbach

O que mais impressiona é que a França não fez muitos esforços para ser campeã mundial. Não passou nenhum sufoco, não venceu de forma dramática (ok, o jogo contra a Argentina teve uma certa emoção no final), sequer jogou uma prorrogação. O time campeão não parece ter mostrado todo o seu potencial ainda. Não foi, inclusive, o time de melhor futebol da copa. A Bélgica mostrou mais qualidade em seu jogo. Mesmo assim, venceu de forma incontestável o mundial. Se o futebol não fosse um jogo tão louco, que muda bastante em apenas um ano, dava para cravar esse time francês como grande favorito para vencer as próximas duas copas sem nenhum exagero. Mas teremos calma nessa hora, afinal a campeã do mundo sempre tem dificuldades na copa seguinte. De qualquer forma, não dá para duvidar mais do futebol francês, que disputou 3 finais das últimas 6 copas, vencendo duas. Já é uma potência deste início de século. Parabéns, França!

O mundial, por sinal, foi bem divertido. Apenas confirmou o que já é notório no futebol de alto nível praticado na europa: o clássico camisa 10 morreu, para quem vive falando que falta essa figura no seu time. O jogo é decidido no meio de campo. Dos 4 semifinalistas, apenas a Inglaterra chegou longe sem brilho no setor. A Croácia pode ter sido uma surpresa para muitos, não para quem acompanha Modric e Rakitik, dois dos 5 melhores meias do mundo. A ótima geração belga não precisa provar nada para mais ninguém. O futebol sulamericano precisa rever seus conceitos: Brasil e Argentina não conseguem mais competir contra os melhores. O bravo Uruguai depende demais dos seus ótimos atacantes. Os técnicos daqui estão há anos luz dos europeus. Somente a camisa não vence jogo.

Para finalizar, fica aqui o meu time da copa:

Courtois (BEL), Trippier (ING), Varane (FRA), Stones (ING) e Hernández (FRA); Kanté (FRA), Modric (CRO) e De Bruyne (BEL); Mbappé (FRA), Griezmann (FRA) e Hazard (BEL). Roberto Martinez (BEL) foi o melhor treinador. Modric, melhor jogador.

Twitter: @tedsimoes

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