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os 6 erros de tite que custaram o hexa

O Brasil está eliminado da Copa na Rússia. A “ótima geracão belga” – logo ela? – derrubou o país que mais fez chacota sobre o talento dos seus grandes jogadores. O clima de oba-oba, patrocinado por alguns meios importantes da mídia brasileira, inclusive com votações onde Alisson, Paulinho e Willian foram escolhidos como melhores que Courtois, De Bruyne e Hazard – pasmem! – mostra que o brasileiro anda muito desinformado sobre o tal “futebol moderno”. À parte do ufanismo oportunista que vivemos a cada quatro anos, é impressionante como muita gente ainda está na década de 60 quando o assunto é jogador, esquema de jogo e o velho papo da camisa. Conceitos completamente ultrapassados e que perduram como verdades eternas. O excelente personagem “torcedor urso”, criado pela ESPN Brasil, ilustra muito bem isso. Aqueles que hibernam por 4 anos e reaparecem em época de copa, com suas verdades absolutas. Uma deles, é justamente sobre “essa geração belga”, que não era de nada. Triste ironia.

Aos ursos, o cartão de visitas foi bem doloroso. Um banho tático no primeiro tempo, com Lukaku, o centroavante, caindo pelas pontas, puxando Kevin de Bruyne para jogar como um falso 9. Hazard tentou 10 dribles no jogo. Conseguiu 100% de aproveitamento. Até mesmo o grosso Fellaini colocou o meio de campo brasileiro no bolso. A linha de 3 zagueiros se transformava em linha de 4 quando atacada. Após o 2-0, a ótima geração belga fez o que se esperava: respeitou o Brasil, ao contrário do que o Japão não fez contra a própria Bélgica na fase anterior. Estratégia de jogo válida, ao contrário do que os ursos possam achar para tentar desqualificar o time vencedor, passando uma falsa ideia de que o time de Tite “foi muito melhor” e que a Bélgica “se trancou na defesa o tempo todo”. A verdade é que existem vários “jogos” dentro de um jogo. No do primeiro tempo, a Bélgica deu um banho tático no Brasil. No segundo tempo, um banho de estratégia, mesmo correndo riscos após o gol de honra marcado por Renato Augusto. Mas como assim estratégia, Ted? Simples. Ficarei aqui no meu campo esperando um contra ataque. Caso não funcione, posso confiar no meu goleiro. Podia dar errado? Podia. Mas deu muito certo. Assim como o Corinthians do próprio Tite foi campeão do mundo fazendo 1-0 e com defesas monumentais de Cássio, que também foi à copa. Tite provou do próprio veneno.

Hora de juntar os cacos. Hora de abaixar um pouco a bola. O brasileiro precisa parar de achar sempre que o Brasil perdeu. Não, a Bélgica ganhou. E ganhou com muito merecimento. O futebol brasileiro parou no tempo e precisa reconhecer isso. Parar com essa soberba é um bom início para reconhecer seus erros e melhorá-los. E os ursos, principalmente, precisam rever alguns conceitos completamente ultrapassados. Sabe aquela história do “10 clássico?” Não existe mais. O futebol mudou, não existe mais esse personagem em campo. Os meias modernos, como o próprio Kevin de Bruyne, executam diversas funções durante um jogo. Outra coisa: camisa não vence mais jogo e o jogo coletivo é muito mais importante que o talento individual. Uma coisa não exclui a outra, é óbvio. Não adianta ter Neymar com todo seu talento.

Tite cometeu alguns erros no percurso da Copa do Mundo. Foi muito, muito mal. Na minha opinião, merece continuar no comando. Mas precisa se reinventar. Precisa ser menos gaúcho. Largar um pouco suas convicções. Aqui vão 6 pontos cruciais nesse fracasso.

1 – A FAIXA

Foto: André Mourão

Numa das maiores bizarrices já vistas no futebol, Tite extinguiu o papel de capitão. O rodízio inventado lá no Corinthians pode até funcionar em clubes, mas jamais numa seleção. Até entendo que naquele início de trabalho, quando ele assumiu o time, tinha sentido. Por não conhecer os jogadores, valia a pena testar alguns jogadores. Mas ao não definir seu capitão, Tite inibiu qualquer liderança mais forte no grupo. Em muitos momentos, a presença dessa figura no campo fez falta.

2 – CONVOCAÇAO

Reprodução: Internet

A clássica frase do falecido jornalista gaúcho Wianey Carlet “Taison ou Messi, o futuro dirá quem foi melhor” parece ter contaminado o professor Tite. O ex-jogador do Internacional foi à Copa apenas para passear. Talvez tivesse sido mais útil levar Luan, do Grêmio, ou até mesmo Vinicius Júnior, que tem tudo para estar no mundial do Catar, pensando à longo prazo, como foi Ronaldo em 1994. Outro erro gigantesco foi manter Fred, que se machucou na preparação do time na Inglaterra, no elenco. Visivelmente sem condições de jogo, foi um a menos. Arthur, também do Grêmio, poderia ter feito a diferença. Além disso, deveria ter testado outros laterais pela direita: não esperou que Dani Alves pudesse se machucar e confiou em Fágner, um jogador que não tem qualquer capacidade de vestir a camisa da seleção. Mesmo não tendo sido um desastre (foi até bem contra o México), ele poderia ter mais opções.

3 – ENQUADRAR NEYMAR

Reprodução: Rede Globo

Se tinha alguém que tinha moral para enquadrar Neymar, esse alguém era Tite. Falhou miseravelmente. Uma copa regular do camisa 10, que ficará marcado muito mais pelos xingamentos e milhões de rolamentos do que pelo futebol no mundial da Rússia. Conseguiu manchar sua imagem perante todo o mundo, trazendo até muita antipatia pela seleção, geralmente muito querida por toda sua história. Impressionante como em 4 anos, Neymar não evoluiu, ao contrário de jogadores como Hazard e Griezmann, jogadores de sua idade e que não brilharam na copa de 2014. Em alguns aspectos, Neymar conseguiu regredir. Não consegue tomar decisões corretas dentro do campo, não decide jogos importantes e, principalmente, insiste em se jogar dentro da área. Patético.

4 – FORMAS DE JOGAR

Foto: Laurence Griffiths/Getty Images

4-1-4-1. Tite manteve sua formação tática do início ao fim. Foram poucos testes, quase nenhum, em outros esquemas. E em muitas vezes por emergência, como foi no jogo contra a Costa Rica. O time brasileiro tornou-se batido e fácil de se anular. É um repertório muito pobre, por mais que tenha funcionado por um momento. Faltou testar o time sem Neymar, faltou rodar o elenco. Tite se apegou aos titulares e deu poucas chances para outros jogadores. Um bom exemplo disso foi a última convocação, que ele levou Talisca e William José e não utilizou os dois. Amistoso é para experimentar. De repente, jogar com 3 zagueiros. Jogar sem um centroavante de ofício. Mais Tite preferiu “dar corpo” à sua formação ideal e morreu abraçado com ela.

5 – TIME ENGESSADO E SEUS PROTEGIDOS

Foto: givemesport.com

Foto: Carl Recine

Além de se manter apenas 4-1-4-1, Tite não utilizou o potencial de mudança de posições durante o jogo. Era como se o 4-1-4-1 fosse um jogo de pebolim: Neymar fica só na esquerda, Willian só na direita, Gabriel no centro. Ninguém poderia se movimentar fora de sua zona. Justamente o que a Bélgica fez hoje, com Lukaku indo para as pontas, deixando Kevin de Bruyne infiltrar pelo meio. Com o time previsível, os adversários souberam anular o time em diversas oportunidades. E para piorar, Tite morreu abraçado com seus jogadores. Quando tudo parecia certo para a saída de Paulinho do time, ele fez o gol que garantiu sua permanência no time. Foi, sem sombra de dúvidas, o pior jogador do time no mundial. Não marca, não ataca, não cria. Assim como em 2014, mais um péssimo mundial do ex-craque do maravilhoso futebol Chinês. Willian e Jesus foram péssimos: o meia do Chelsea e o centroavante do City (que não fez gol na copa) poderiam ter rendido mais caso pudessem se movimentar. Mas o gaúcho se manteve firme até o fim. Acabou queimando principalmente o jovem atacante, que saiu como um dos culpados pelo fracasso da seleção, mesmo com toda a sua entrega.

6 – FATOR CORINTHIANS

Foto: Ricardo Nogueira

A maior lição que fica para Tite é que a seleção não é o Corinthians. A passagem pelo clube paulista foi excelente, mas é hora de cortar os laços. O que funciona em um clube não funciona na seleção. Não dá para confiar em jogadores medianos, que brilham no futebol brasileiro, para competir com os jogadores que brilham pela Europa. Cássio, Fágner, Paulinho e Renato Augusto não são jogadores do nível de uma copa do mundo, nunca conseguiram brilhar em nenhum time europeu. A copa, por sinal, não é o campeonato brasileiro em que você pode insistir com certos jogadores até o final: é um torneio curto e as mudanças precisam ser feitas rapidamente. Além dos jogadores, a comissão técnica inteira também veio do Corinthians.

Notas do jogo:

Alisson: não falhou nos gols, mas também não fez a diferença em toda a competição. Goleiro precisa fazer o impossível as vezes, como fez Courtois. Nota 5

Fágner: parecia uma criança jogando contra um adulto. Sem qualquer condições de vestir a camisa da seleção. Nota 4

Miranda: perdido no primeiro tempo, monstruoso no segundo. Nota 6

Thiago Silva: o melhor jogador do Brasil na partida e na copa. Conseguiu tirar a péssima impressão deixada no último mundial. Nota 7

Marcelo: o melhor lateral esquerdo do mundo ficou devendo na copa. Nenhuma grande partida. Deixou uma enorme avenida no jogo de hoje e faltou dar o combate no lance que resultou no gol de Kevin de Bruyne. Nota 4

Fernandinho: como o futebol é cruel. Numa bola desviada por Kompany que resvalou em seu ombro e entrou, o mundo caiu novamente sob o ótimo (sim, ótimo) Fernandinho, que parece não dar sorte na seleção. Ficou completamente abatido e fez uma péssima partida. O que não justifica o ataque racista dos abutres em suas redes sociais. Para alegria dos ursos, Nota 3

Paulinho: pior jogador do Brasil na copa. Perdeu uma boa chance no início do jogo e depois sumiu. Paulinho é o principal culpado pelo sistema de jogo do Brasil. Sua presença em campo sacrifica demais todos ao redor. Sobrecarrega Casemiro, sobrecarrega Phillipe Coutinho, sobrecarrega Gabriel Jesus… e tudo porque o treinador confia muito nele. Nota 2

Phillipe Coutinho: Depois de ser o melhor jogador da primeira fase, foi um dos piores da segunda. Mesmo assim, ainda deu uma fantástica assistência no gol de Renato Augusto. Coutinho foi totalmente sacrificado pelo treinador e mesmo assim conseguiu fazer um bom mundial. Nota 6

Willian: péssimo, mais uma vez. Willian é um bom jogador, mas ficou engessado na direita durante todo o mundial. No único momento que saiu, deu a assistência para Neymar no jogo contra o México. Nota 3

Gabriel Jesus: não adianta falar da entrega se não faz gols. Nota 5

Neymar: péssimas decisões, pouco futebol, muitos parças. Deixo aqui o espaço da nota em branco esperando o texto de apoio que o Tiago Leifert vai mandar na central da copa.

Firmino: o clamor popular entrou, se esforçou, mas também não fez gol. Nota 6

Douglas Costa: mudou o rumo do jogo. Muito ágil pela direita, buscou o jogo a todo momento. Uma pena ser tão frágil e se lesionar com tanta facilidade. Nota 7

Renato Augusto: fez um gol incrível e perdeu um mais incrível ainda. Talvez na China ele fizesse… Nota 6

Tite: Escalou mal e mexeu bem. Nota 4

A ótima geração belga: no campo ou no playstation, Nota 8

Ursos: nos vemos em 2022. Nota zero

Twitter: @tedsimoes

3 thoughts on “os 6 erros de tite que custaram o hexa”
  1. Osvaldo 7 de julho de 2018 on 23:30 Responder

    Eu me considero um ignorante como conhecedor de futebol. A minha leitura do desempenho da seleção coincide em alguns aspectos aos retratados acima. Não foi perceptível um esquema tático que mudasse em acordo com o estilo de jogo da equipe adversária. Jogadas ensaiadas menos ainda. Equipe técnica sem fazer leitura do jogo, portanto sem capacidade de mudar a história. Jogadores estáticos na suas posições, sem mobilidade. Não se pode deixar as jogadas acontecerem ao acaso, com lampejos da genialidade de alguns jogadores. Ou muda a visão sobre o futebol, encarando a realidade ou o hexa ficará mais ainda distante. Ah! O Brasil não perdeu a copa, deixou de ganhar, pois só se perde o que se tem.

  2. Espirito Santo 8 de julho de 2018 on 07:46 Responder

    Acho que foi aqui que comentei no primeiro jogo da Seleção, e volto a dizer a mesma coisa.

    1 – O Time foi bem e os os jogadores levados os melhores do momento !

    2 – Faltou coragem do Tite em Ser “MACHO” e Ter coragem na hora de decidir, pois Copa do Mundo não é Campeonato e sim um Mata / Mata desde seu início num total de 7 Partidas. Então o Treinador tem que ser Rápido no Agir (O QUE TITE NÃO FOI) !

    3 – Deveria ter colocado Firmino no lugar de Gabriel de Jesus ( Desde Início, quando todos viram que Firmino produzia mais em todos Aspectos) !

    4 – Exigido rápido toque de bola dos seus comandados (principalmente o Neymar) !

    5 – No jogo contra a Bélgica onde foi desclassificado, Não deveria ter tirado o Lateral esquerdo que atuou na última partida, pois marca com mais eficiência do que o que entrou e vinha de contusão !

    6 – Assim que tomou o primeiro Gol, contra a Bélgica, deveria ter feito no mínimo duas ou uma mudança, principalmente sacar o Gabriel de Jesus e colocar o Firmino (Esperou para ver e si deu mal)

    7 – Agora falar é fácil e chorar é no Pé do Caboclo ! Paz e Bem

  3. r.gomes@hotmail.it 8 de julho de 2018 on 09:10 Responder

    Não deveria ter colocado Marcelo e deixar Felipe Luis, Wiliam deveria ser substituído logo,no 1 tempo não marcava e não trocava de possisão, também Gabriel Jesus e Vagner estes foram os erros de Tite, Fernandinho depois do gol contra perdeu a consentração do jogo foi un fato casual!

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