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Demorou, mas o Brasil finalmente entrou na copa

O Brasil das eliminatórias finalmente voltou a aparecer. Aquele time sólido, muito forte defensivamente e que tem um craque concentrado apenas para jogar bola está de volta. Hoje vimos um Brasil candidato ao título mundial, num jogo que poderia ter custado a eliminação. Se em campo o time não brilhou, ao menos soube lidar com a pressão e em momento algum do jogo mostrou nervosismo. E mesmo perdendo um dos seus principais jogadores no início da partida. A lesão de Marcelo já preocupa a comissão técnica para o próximo jogo. Ele se junta à Douglas Costa, Fred e Danilo no departamento médico. Resta saber se algum deles conseguirá se recuperar a tempo.

Depois do sufoco contra a Costa Rica, esperávamos mudanças no time. Elas aconteceriam, não fosse a lesão de Douglas Costa, o jogador que mudou o time na segunda etapa. A saída de Paulinho também foi cogitada. O meia do Barcelona vinha de duas fraquíssimas exibições na Copa. Tite resolveu fazer aquilo que todo jogador adora: dar moral para o time titular. Bancou todo mundo: do goleiro ao ponta esquerda. A recompensa aconteceu.

O cenário de drama estava escrito. A Argentina suou sangue (literalmente, no caso de Mascherano) para conseguir a classificação e a Alemanha passou um vexame histórico mais cedo, ficando com a lanterna no grupo com a Coréia. O Brasil entrava em campo sob forte pressão. Ninguém estava respeitando os grandes, porque a Sérvia iria respeitar? Ainda mais com toda a crise que o próprio Brasil arrumou para si.

O jogo acabou sendo mais fácil que o esperado. Assim como no jogo da Argentina, onde a Nigéria respeitou demais o time de Messi, a Sérvia respeitou o Brasil. Esperava até um jogo mais viril, com os defensores fazendo um rodízio de pancadas em Neymar para desestabilizar o camisa 10. Não aconteceu. A seleção fez seu jogo sem ser incomodada. Até mesmo nas poucas vezes que chegou, a Sérvia só assustou quando Alisson espalmou a bola da cabeça do centroavante Mitrovic, que não aproveitou.

Foto: Carl Recine/Reuters

Verdade que o Brasil fez uma partida defensiva perfeita. A lesão de Marcelo, aos 7 minutos do primeiro tempo, assustou à todos. Mas se o lateral esquerdo titular da seleção e do Real Madrid é um dos melhores e mais habilidosos jogadores do mundo, seu reserva é um defensor de verdade. Filipe Luis é peça fundamental do rival de Marcelo, o Atlético de Madrid. Um time que tem uma proposta de jogo mais modesta que o rival milionário. Se defende muito bem e é uma máquina de contra atacar. Com a casinha muito bem fechada lá atrás, uma das principais armas da seleção nas eliminatórias voltou a brilhar: o oportunismo de Paulinho, elemento surpresa de Tite.

O primoroso lançamento de Phillipe Coutinho deixou o camisa 15 na cara do gol. Na saída do goleiro, um toquinho para empurrar a bola no fundo das redes. O gol é quase uma marca registrada do jogador. Tanto pelo Corinthians, quanto pela seleção Brasileira (e provavelmente pelo time de nome difícil da China). É impressionante como Paulinho tem uma facilidade absurda na infiltração de espaços ocupados. Talvez seja o único jogador no mundo com essa característica. Ponto para o treinador, que apostou nele mesmo nos momentos mais difíceis.

E por falar em Coutinho, que Copa do Mundo vem fazendo o camisa 11. Que é o melhor jogador do Brasil, todos já sabem. Mas não é absurdo nenhum dizer que é, até agora, o melhor jogador da Copa. Com a assistência, igualou ninguém menos que Edson Arantes do Nascimento – um tal de Pelé – em uma estatística: em seus 3 primeiros jogos de Copa do Mundo, participou diretamente de 3 gols (anotou 2 e deu uma assistência). Gigantesco.

A única injustiça da partida ficou com a dona FIFA: premiou Paulinho como o homem da partida. Talvez os votantes não tenham visto a absurda partida de Thiago Silva. Um manual do zagueiro clássico. Foram 5 cortes, 2 chutes bloqueados, 2 interceptações e 1 desarme. Ganhou 5 duelos contra os adversários e teve 89,9% de acerto de passes. E ainda coroou sua bela exibição marcando o gol da vitória. Junto com Coutinho, é o melhor jogador Brasileiro da primeira fase. E também não é exagero nenhum colocá-lo na seleção da Copa até o momento.

Vamos falar de Neymar? Vamos. Perfeito. Sem envolvimento com polêmicas, sem querer ser o melhor do mundo a qualquer custo, o camisa 10 jogou. E jogou muito. Completou 9 dribles em 14 tentativas, um número absurdo. Messi, por exemplo, conseguiu 7 contra a Nigéria. Apesar do Argentino liderar na média (6,7 contra 5,7), Neymar atingiu o maior número de dribles num só jogo. E hoje foram dribles efetivos, em direção ao gol. Segurou demais a bola em alguns momentos? Sim, mas numa quantidade até razoável. A atuação do camisa 10 hoje foi quase perfeita. Faltou apenas o gol. E a bela imagem pós jogo, indo comemorar com a família na arquibancada, é o que queremos ver. Sem bobas polêmicas. Joga bola, garoto.

O Brasil se prepara agora para enfrentar o México nas oitavas de final. O jogo acontecerá na segunda-feira, em pleno feriado Baiano, às 11 horas. Apesar do papelão mais cedo, quando tomou uma sapatada da Suécia, quase sendo eliminada, o time Mexicano é uma pedra no sapato do Brasil. Na última Copa, paramos no excelente Ochoa na fase de grupos. Nas Olimpíadas de Londres, perdemos a final. Nos últimos 10 jogos, o confronto apresenta equilíbrio: 4 vitórias Mexicanas, 1 empate e 5 vitórias do Brasil. Já nos últimos 10 jogos oficiais (sem contar amistosos), a vantagem é deles: 6 vitórias, 1 empate e apenas 3 vitórias do Brasil. Não dá para menosprezar.

Foto: Reuters

Ao menos a seleção parece ter retomado seu rumo. Atuações sólidas, um time focado e um craque domado. Tite conseguiu passar da turbulência inicial e vê seu time evoluindo. Agora é esperar que seus jogadores se recuperem a tempo do confronto de segunda-feira. Douglas Costa parece estar descartado, mas seria muito importante que Marcelo volte ao time titular e que Fred finalmente esteja apto para o jogo. Ele tem muito mais a oferecer que Renato Augusto.

Notas:

Alisson: uma atuação sólida, mesmo sem ainda não ter sido testado nessa Copa. Saiu do gol, finalmente, para interceptar 2 cruzamentos. Não teve culpa no lance que quase resultou no gol da Sérvia. Nota 7

Fágner: fez mais uma boa partida como titular. Só não pode ficar responsável por disputas aéreas com os atacantes adversários, como ficou hoje e não conseguiu marcar. Grata surpresa até aqui. Nota 7

Miranda: hoje capitão, também não comprometeu. Discreto e efetivo. Nota 7

Thiago Silva: uma atuação para DVD. O melhor em campo e um dos melhores zagueiros da Copa até o momento. Nota 9

Marcelo: seu corpo não resistiu à longa temporada Européia, onde disputou a final da Champions. Ficou apenas 7 minutos em campo, sem tempo para avaliar. Sem nota

Casemiro: 6 desarmes. O melhor volante do mundo foi monstruoso. E ainda pode ser mais. Nota 8,5

Paulinho: fez o gol da redenção, mas ainda está devendo um futebol melhor. Fez apenas 1 desarme no jogo. Precisa tomar mais conta do meio. Nota 7

Phillipe Coutinho: 90% de acerto nos passes, 2 grandes chances criadas (uma assistência) e ainda desarmou mais que Paulinho (2 vezes). Coutinho é o melhor jogador do mundial até aqui. Mais uma atuação sublime. Nota 9

Willian: mais uma vez, o pior em campo. Zerou em vários quesitos: não desarmou, não driblou e errou os 4 cruzamentos que tentou. O único ponto positivo da noite foi a boa marcação em cima de Kolarov, um dos pontos fortes da Sérvia. Conseguiu anular um ponto importante do adversário. Nota 5

Gabriel Jesus: centroavante que não faz gol incomoda. Ainda mais quando ele quebra a marca negativa de ser o primeiro camisa 9 da seleção a não marcar gols na primeira fase desde 1974. Ninguém quer saber que ele fez 3 desarmes no jogo e interceptou 2 bolas do adversário. Está sentindo a Copa, o que é normal para um garoto de 21 anos. Mas mesmo assim, nunca se entrega e procura o jogo o tempo todo. Por isso merece ser titular. Nota 6

Neymar: o melhor Neymar que vimos há um tempo. 8 pelo futebol, 10 pelo comportamento. Na média, Nota 9

Fernandinho: muito discreto. Entrou para povoar o meio de campo num momento em que a Sérvia estava pressionando para fazer seu gol. O Brasil conseguiu fazer o gol 2 minutos após sua entrada e esfriou o jogo. Não precisou ser testado. Nota 6

Renato Augusto: entrou para dar descanso ao melhor jogador da Copa, pouco foi acionado. Sem nota

Tite: apostou nos protegidos e deu certo. Deu a sorte que Joachim Low, da Alemanha, não deu. Conseguiu domar Neymar. Nota 8

Twitter: @tedsimoes

 

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