Bem vindo ao

Blog do Ted

Home / Copa do Mundo / Contra Costa Rica, Neymar mostra porque é o retrato da geração mimimi.

Contra Costa Rica, Neymar mostra porque é o retrato da geração mimimi.

A análise da sofrida vitória do Brasil contra a Costa Rica vai muito além apenas da parte tática ou técnica. Dessa vez, ao menos, nosso treinador apareceu em campo, ao contrário do primeiro jogo. Fez as mudanças que deveriam ter sido feitas. Douglas Costa não pode ficar de fora desse time. Gabriel Jesus fez uma boa partida e por pouco não foi recompensado com um gol. Participou do gol salvador de Coutinho agindo como um número 9 de verdade. Aliás, como vem jogando o camisa 11. Melhor do time disparado. Fágner, por incrível que pareça, fez uma ótima partida. Mas o nome do jogo, para variar, é Neymar. Para o bem e para o mal, o camisa 10 da seleção recebe todos os holofotes possíveis. E não é por acaso.

A geração de Neymar sofre de um problema crônico, angustiante, insuportável. Uma dificuldade de lidar com a pressão, com a adversidade, com a contrariedade que, impressiona. Desde o início do jogo, Neymar carrega um sentimento de raiva e de perseguição que nem Freud explica. Sempre irritadiço, com um vitimismo cínico que é resumida num lance de jogo, quando a câmera pega uma discussão entre ele e o zagueiro adversário: “Don’t touch me!”, (não me toque!) berrou o nosso menino do cabelo bonito. É a geração do não me toque mesmo: sou muito importante para você.

A raiva com que Neymar entra em campo, como se estivesse jogando pelo Brasil fazendo um favor ou sendo obrigado a fazê-lo é passível de terapia. Não, Neymar, ninguém aqui está contra você. Futebol você tem, e muito. Já cansou de nos provar isso. Mas esse sentimento de que 200 milhões de Brasileiros estão contra você e seu pai só te prejudicam. E a forma com que você lida é ainda pior. Tentar humilhar adversários (além do “não me toque”, deu para ver xingamentos impublicáveis aqui), cavar um pênalti em que tinha toda a condição de seguir no lance e fazer o gol, dar soco na bola, além do show teatral cada vez que é tocado.

Foto: reprodução da TV

Neymar se mostra cada dia mais mimado. O maior culpado, sem dúvidas, é seu pai. O sentimento de que o craque é intocável, que ninguém pode criticá-lo já rendeu situações constrangedoras, quando por exemplo, Neymar Pai entrou no ar no Bate Bola da ESPN ao saber que o filho estava sendo criticado, quando na verdade, a emissora estava apenas reproduzindo uma notícia do globo.com. O mesmo pai que, ao contrário do combinado com a CBF dos familiares ficarem no hotel próximo ao que está a seleção, se hospedou no mesmo hotel que o time está concentrado, irritando alguns jogadores. Mas quem tem coragem de enfrentar o dono do time?

No último lance do jogo, Neymar conseguiu fazer seu primeiro gol na Copa. Na bela jogada de Douglas Costa, apenas empurrou a bola ao gol. Assim que o juiz apitou o fim da partida, o choro. Um choro descabido, de uma seleção marcada pelo chororô da Copa de 2014. Um time sem qualquer equilíbrio emocional, retratado no seu maior craque. É apenas o segundo jogo da fase de grupos, contra a “poderosa” Costa Rica. E ao contrário do que muitos podem tentar argumentar, não é um choro genuíno. Nada a ver com marcar um gol importante depois de uma lesão, ou da emoção de jogar uma copa pelo Brasil.

É um choro cínico, prepotente, egoísta, mimado. O choro do “eu consegui, contra tudo e contra todos. Contra aqueles que insistem em me criticar. Bem que meu pai me avisou”.

Foto: REUTERS/John Schults

Essa obsessão de Neymar em ser o melhor do mundo tirou completamente seu foco dentro de campo. Diversas vezes atrapalha o time, atrasa o jogo, não aproveita o companheiro mais bem posicionado. E cria essa pressão insuportável para ele mesmo. Precisa entender que nem mesmo o vaidoso Cristiano Ronaldo age dessa forma.

A pior coisa que poderia ter acontecido foi a sua transferência ao PSG. Iluminaram a Torre Eiffel para ele, tiraram a 10 do Pastore para presenteá-lo e até brigar com o batedor de pênaltis ele brigou. Um show de mimos para alguém que se acha inatingível. Para alguém que precisa de muita terapia. O retrato de uma geração que faz essas mesmas coisas por aí em escolas, faculdades, no trânsito, nos bares… e principalmente nas redes sociais.

Notas:

Alisson: praticamente não trabalhou. Mas preocupou numa bola lançada à área, onde não saiu novamente. Nota 6

Fágner: a boa surpresa de hoje. Não comprometeu e apoiou com firmeza, nas poucas vezes que foi. Nota 7

Miranda: firme, sólido, sem sustos. Nota 7

Thiago Silva: firme, sólido, sem sustos. Mas não pode ser capitão. Nota 7

Marcelo: ativo, mas displicente em alguns lances. Pode apresentar mais. Nota 6

Casemiro: um monstro. Depois das alterações de Tite, ficou sobrecarregado na marcação e mesmo assim deu conta do recado. Nota 8

Paulinho: continua devendo em Copas. Segue o roteiro da Copa passada, quando foi fundamental na preparação e uma tragédia na competição. Precisa acordar. Nota 5

Phillipe Coutinho: o melhor em campo, novamente. Confiança lá em cima, sem medo de errar. Recompensado pelo gol. Nota 9

Willian: mais uma péssima partida do camisa 19. Não deve começar o próximo jogo entre os titulares. Nota 3

Gabriel Jesus: Mais uma vez jogou para o time. E isso incomoda quem acha que sua obrigação é fazer 5 gols por partida. Importante na pressão no campo do adversário, roubou 2 bolas, ganhou 5 duelos com zagueiros, acertou a trave e trabalhou como um verdadeiro 9 dentro da área no gol que tirou o time do sufoco. Não pode e não deve sair do time titular. Nota 8

Neymar: muito melhor que no primeiro jogo, mas ainda pode dar mais – é o que esperamos de um craque como Neymar. Sua fama de piscineiro na Europa aumentou ainda mais hoje, depois de cavar um pênalti ridículo, muito bem anulado pelo VAR. Precisa, com urgência, trabalhar seu lado emocional. Afeta (e muito) seu rendimento. Nota 8

Douglas Costa: não pode ficar de fora desse time. Uma temporada estupenda pela Juventus já o credenciavam à titularidade no time. Mudou o rumo do jogo. Nota 8,5

Firmino: entrou bem, num momento em que o Brasil se lançou ao ataque. Firmino é um jogador inteligente, que se movimenta bem e ganhou o duelo aéreo no primeiro gol do Brasil. Mas depois perdeu um gol bisonho, na pequena área. É por esse motivo que não acho que ele deva ser o titular do time. Mas é sim, uma ótima opção para o decorrer da partida. Nota 7,5

Fernandinho: sem tempo para avaliar.

Tite: porque não colocou o Douglas Costa contra a Suiça, Adenor? Até hoje estamos sem essa resposta. Criou um fato polêmico ao colocar Thiago Silva de capitão, tirando um pouco do foco da péssima partida e suas péssimas substituições no jogo anterior. No fim, suas gerencialidade deu certo. Mas precisa ter uma conversa séria com Neymar. De preferência, sem o pai ao lado. Se tem alguém com moral para dar um choque no camisa 10, é ele. Nota 8

Twitter: @tedsimoes

One thought on “Contra Costa Rica, Neymar mostra porque é o retrato da geração mimimi.”
  1. Carminha 24 de junho de 2018 on 14:36 Responder

    Perfeito Ted!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

>> <<