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Contagem regressiva: 100 dias para o maior espetáculo da terra

Em 100 dias, o maior evento esportivo do planeta vai começar. Pela primeira vez na Rússia, a Copa do Mundo de 2018 parece ser mais equilibrada que as anteriores. Os favoritos de sempre ganharam fortes concorrentes entre as possíveis surpresas. A ausência da Itália tira um pouco o charme da Copa, que pode ver pela última vez grandes nomes do futebol mundial, como Cristiano Ronaldo e o próprio Messi.

O favoritismo é quase todo Europeu. Afinal, das 10 copas disputadas no território, 9 foram vencidas pelos times do velho continente. Apenas o Brasil conseguiu quebrar a escrita na Copa da Suécia em 1958, quando um certo garoto de Três Corações vestiu a camisa 10 do Brasil pela primeira vez. A Alemanha (sempre ela!) é a dona do território: venceu 3 dos seus 4 títulos por lá. Suíça-54, Alemanha-74 e Itália-90. É uma das 3 grandes favoritas ao título na Rússia. Vamos colocar a bola de cristal em ação e fazer previsões para a Copa?

A Argentina de Maradona perdeu o título para a Alemanha de Matthaus, em 1990. (Foto: Getty Images)

Alemanha

Atual campeã do mundo (quem esquece o 7-1?), a seleção de Joachim Low chega bem renovada para a Copa. Com a aposentadoria do capitão Philip Lahm e da contusão do super goleiro Manuel Neuer, apenas 2 jogadores acima dos 30 anos tem lugares garantidos: o meio campista Khedira e o centroavante Wagner, ambos com 30 anos. Com a recuperação de Neuer, o time campeão do mundo teria apenas 3 jogadores acima dos 30. É assustador ver que a Alemanha venceu a copa com um time tão jovem. E a renovação não pára. Outros jovens jogadores chegam com status de titular para a Copa da Rússia. São os casos de Leroy Sané, que vem brilhando pelo Manchester City de Guardiola, o excelente meia Julian Brandt, do Bayern Leverkusen, o também excelente volante Julian Weigl, do Borussia Dortmund e do aniversariante do dia, o centroavante Timo Werner, do RB Leipzig. Todos com 22 anos, titulares absolutos em seus times. Isso para não lembrar de um dos destaques do poderoso Bayern de Munique, o defensor Joshua Kimmich, de apenas 23 anos. A Alemanha vem muito forte em busca do 5º título mundial. E ela sabe como vencer uma Copa em território Europeu.

Espanha

A penúltima campeã do mundo fez um grande papelão na Copa do Brasil, é verdade. Mas a renovação aconteceu, inclusive no comando técnico. Julen Lopetegui é um treinador jovem e desconhecido por boa parte dos Brasileiros. Treinou apenas o Rayo Vallecano e o Porto antes de assumir a seleção. Conseguiu mesclar os veteranos da conquista de 2010 com ótimos nomes que o futebol Espanhol sempre revela. Com uma defesa muito sólida graças a dupla Sergio Ramos e Piquet (talvez a melhor dupla de zaga das seleções), um meio de campo extremamente técnico com o trio Busquets-Iniesta-Silva e o faro de gol de Diego Costa, o time ainda conta com ótimas revelações: Marco Asensio e Isco já são realidades no Real Madrid, assim como o ótimo meia Saúl, do rival Atlético. No gol, um dos melhores do mundo: David De Gea. A Espanha chega muito bem equilibrada para vencer a Copa.

Coutinho, Neymar e Jesus: o trio do Hexa está pronto? (Foto: CBF)

Brasil

Não tem jeito. Mesmo com um 7-1 nas costas, o Brasil sempre será favorito. Sempre. E depois que o Santo Adenor assumiu o comando técnico, o Brasil voltou a crescer. Depois das bagunças feitas por Felipão e Dunga, Tite arrumou a casa. Soube utilizar bem todos os 11 jogadores e tem reservas à altura em quase todas as posições. E o melhor, um time equilibrado. A experiência de Miranda, Daniel Alves e Renato Augusto deixam os jogadores mais jovens tranquilos em campo. E até mesmo Neymar, que não é mais tão jovem assim. 2 excelentes goleiros disputam a posição (com Alisson um pouco mais à frente). Os jovens Marquinhos e Gabriel Jesus são titulares absolutos, mas seus reservas estão em ótima fase. Thiago Silva voltou a ser o ótimo zagueiro que sempre foi e Roberto Firmino virou ídolo no Liverpool. Fernandinho e William vivem grande fase na Inglaterra e são quase sempre utilizados nos jogos. E Neymar é o cara que pode desequilibrar. É o fator que, por exemplo, Alemanha e Espanha não possuem. Se ele chegar com a cabeça no lugar, recuperado da lesão, sem essa besteira de que precisa ser o melhor do mundo, pode voltar com a taça na bagagem. Trabalho para Tite e sua comissão técnica.

Ele, o extraterrestre. (Foto: Juan Ignacio Roncoroni)

Argentina

Foi com emoção. A Argentina ensaiou se juntar à Itália e tirar férias na Copa da Rússia. Fez de tudo para ficar ausente.  A Federação Argentina bagunçou seu campeonato, contratou Edgardo Bauza, um dos piores treinadores da história. Mas quem tem Messi não precisa se preocupar. Após abandonar o time durante as eliminatórias, o melhor do mundo resolveu voltar. E carregou o time sozinho nas costas. Não dá para menosprezar qualquer time que tenha esse extraterrestre vestindo sua camisa. E com a contratação do bom treinador Jorge Sampaioli, a tendência é que o time Argentino evolua até o início da competição. O grande problema é que ele não conseguiu ainda achar o time ideal. Parece preso aos veteranos, principalmente na defesa, onde reside o maior perigo. E não definiu ainda quem jogará com Messi no ataque. É o treinador com mais opções para o ataque no mundo: Higuain, Aguero, Icardi, Dybala, Benedetto e a excelente promessa Martinez, que marcou um hattrick contra o Cruzeiro pela Libertadores. O jovem centroavante do Racing já vem sendo comparado com a lenda Gabriel Batistuta. Será que ganhará uma chance no time, mesmo sem ter sequer estreado pela seleção?

França

Provavelmente será o time mais jovem da Copa. As maiores promessas do futebol mundial hoje jogam pela França. Varane, Umtiti, Rabiot, Tolisso, Pogba, Lemar, Dembelé, Mbappé e Martial. O que eles tem em comum? Nenhum deles tem mais do que 24 anos. O artilheiro do time, Griezmann, tem apenas 26. Assim como o excelente meia Kanté. A França já é favoritíssima para vencer a Copa de 2022. Só não dá para cravar como favorita pois continuo achando seu treinador – que venceu a Copa de 98 como jogador – Didier Deschamps muito fraco. Suas escolhas são estranhas. Perdeu a Euro-16 em casa para um limitado time Português, onde nem mesmo seu maior craque deu trabalho ao time.

Hazard e Kevin de Bruyne: os dois melhores jogadores da Liga Inglesa (Foto: Getty Images)

Bélgica

A geração de ouro da Bélgica já virou piada aqui no Brasil. Na última Copa, fez até uma boa campanha, sendo eliminada pela Argentina nas quartas de final, graças a um gol espírita de Higuain. Na verdade, se esperou um futebol brilhante de um time com tantos jogadores habilidosos. Mas o treinador era muito fraco, que nunca conseguiu extrair tudo de um geração que é absurdamente talentosa. O novo treinador, Roberto Martinez, também está longe de estar entre os melhores do mundo. Mas seus jogadores amadureceram e hoje são destaques dos seus times. Principalmente os dois da foto. Eden Hazard é o dono do Chelsea. Assediado por Real Madrid e Barcelona, o camisa 10 da seleção é um meia ofensivo que faz muitos gols. E quem gosta de deixar os jogadores em condições ideais é o seu compatriota Kevin de Bruyne, melhor jogador do mundo na atual temporada. O Craque do Manchester City atingiu o ápice de sua forma técnica no comando de Pep Guardiola, especialista em transformar os talentos em realidade. O time ainda conta com o excelente goleiro Courtouis, além de ótimos jogadores como Kompany, Dembelé e Lukaku.

Portugal, Uruguai, Inglaterra e Croácia tem bons times, mas é muito improvável que possam vencer a Copa. Outros times vivem de um único jogador: o Egito conta com o excelente momento de Salah, assim como a Polônia de Lewandowski e a Colômbia de James Rodriguez. A Suíça, adversária do Brasil na primeira fase, é o time que quase nunca toma gols numa Copa (quase nunca porque tomou 5 num único jogo, aqui na Fonte Nova). Os times Africanos costumam aprontar. A Nigéria vem com um time jovem com algumas promessas do futebol mundial, como os atacantes Iheanacho e Iwobi. Senegal tem Mané, não o nosso, brilhando pelo Liverpool. E a Suécia, terá Ibrah?

Quem levará? (Foto: AFP)

Faltam 100 dias para que as respostas comecem a surgir. E para todas as minhas previsões caiam por água abaixo, como sempre acontece. A Copa do Mundo, por mais previsível que possa parecer, sempre escreve histórias incríveis que ninguém conseguiria imaginar. É só lembrar (perdão aos traumatizados) do 7-1, de Felipe Melo, do fracasso do quarteto mágico, do gol improvável de Ronaldinho contra a Inglaterra, da convulsão de Ronaldo, do pênalti de Baggio ou da jogadaça de Maradona contra o time de Lazaroni. E essas são só as minhas memórias, das copas de 2014 até 1990. Poderia muito bem incluir aí o pênalti perdido por Zico em 86, a tragédia de Sarriá (82), a marmelada do Peru (78), o show dos holandeses (74) ou a melhor seleção de todos os tempos, em 1970. Histórias que cansei de ouvir dos mais velhos. Cada Copa tem seu sabor, sua história. O que nos espera para esta Copa?

Twitter: @tedsimoes

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