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Se você não gosta de Pep Guardiola, você provavelmente não gosta de futebol.

Depois de um primeiro ano difícil na Premier League, finalmente Pep Guardiola está confortável na Liga Inglesa. E bota confortável nisso: lidera a competição com 16 pontos de vantagem para o rival United, fazendo até então a melhor campanha da história do futebol Inglês. E ao contrário do Corinthians no último campeonato Brasileiro, o Manchester City não parece mostrar sinais de desgaste ou de acomodação. Vem jogando o melhor futebol da Europa, encantando até os críticos do treinador Catalão. Hoje não há dúvidas: se você não gosta do futebol praticado do time azul de Manchester, você provavelmente não gosta de futebol.

Pep é um revolucionário. Foi um ótimo meio campista formado na famosa base de La Masia, uma verdadeira máquina de fabricar craques. Chegou ao time principal do Barcelona e foi dirigido por Johan Cruyff, naquele timaço com Stoichkov, Laudrup e Romário. Acompanhou de perto a implementação da filosofia Holandesa do futebol total na capital Catalã. Após o término da sua carreira, voltou para casa e assumiu o time jovem do Barça. Começava ali sua brilhante carreira como treinador. Foi o principal responsável pelo melhor time da história do clube. Elevou o potencial de jogadores como Xavi, Iniesta e Messi. Ganhou tudo que poderia ganhar pelo clube. Perfeccionista, resolveu sair do clube atrás de novos desafios.

Seu primeiro desafio foi na Baviera. Chegou à Munique com uma missão: implementar sua filosofia num time extremamente vencedor, que tinha acabado de ser campeão Alemão e Europeu. Podia parecer um caminho muito fácil, chegar num clube acostumado a vencer, sem rivais à altura, recheado de craques. Mas Pep conseguiu. Venceu os 3 campeonatos Alemães quebrando todos os recordes da Bundesliga. Mudou a forma de jogar do time. Se fez valer de que não importa apenas vencer. É preciso jogar bonito. É preciso melhorar a cada dia, a cada jogo. Não venceu a Champions League, o que fez com que seus críticos afirmarem que sua passagem pelo Bayern foi um fracasso. Não foi. A missão foi cumprida. Os jogadores choraram copiosamente quando o treinador se despediu, atrás de mais um desafio.

Festa na despedida de Pep no Bayern (Foto: Daily Mail)

O desafio parecia mais difícil dessa vez. Sair da zona de conforto para a Liga mais difícil do mundo, com um clube que não está tão acostumado a vencer. Mesmo com todo o dinheiro do mundo Árabe, o Manchester City concorre com outros gigantes milionários: o Chelsea e o Manchester United. Além de clubes tradicionais como o Arsenal, o Liverpool e o Tottenham.

Em sua primeira temporada. Pep não conseguiu se livrar de alguns jogadores veteranos, principalmente na defesa. Zabaleta, Clichy e Kolarov faziam parte do time campeão na temporada 11/12, onde o time voltou a ser campeão Inglês após 44 anos. O bom zagueiro Kompany passou a temporada quase toda no departamento médico. E a mudança de filosofia de jogo ainda estava começando a acontecer. O resultado foi um prato cheio para aqueles que torcem por qualquer derrota do gênio Catalão: sua primeira temporada sem títulos como treinador. Em uma coletiva, um jornalista Inglês fez a provocação: “Pep, você não acha que é hora de mudar seus conceitos caso queira vencer a Premier League?”. A resposta foi enfática: “Jamais. Prefiro morrer do que abrir mão dos meus ideais”.

Em sua segunda temporada, Pep conseguiu se livrar dos veteranos. Gastou mais de 100 milhões de Libras apenas na defesa. Trouxe o ótimo Português Bernardo Silva para reforçar o meio de campo. Confiou nos seus dois únicos atacantes, Sergio Aguero e Gabriel Jesus. Reforçou sua vontade de vencer a temível Premier League jogando de sua maneira. E finalmente deu certo.

A campanha do City é intocável. Nos 28 jogos, venceu 24, empatou 3 e só perdeu 1. Fez incríveis 82 gols e sofreu apenas 20 até agora. Melhor ataque, melhor defesa, time que mais venceu, que menos empatou e que menos perdeu. O time que mais passes completou (20.285, uma média de 724 passes por jogo), e incríveis 66% de posse de bola por jogo. O título é só uma questão de tempo.

David Silva e Kevin de Bruyne estão no auge da forma técnica (Foto: www.mancity.com)

Mais que isso, é impressionante ver como Pep elevou o nível dos seus jogadores. O principal destaque da temporada é o Belga Kevin de Bruyne, que atualmente é o sem sombra de dúvidas o melhor jogador do mundo. Líder de assistências do campeonato, com 14, De Bruyne vem desfilando seu talento com jogadas de outro mundo. Já marcou 7 vezes, quase sempre de forma magnífica, como foi o gol que garantiu a vitória do time contra o Chelsea, na casa do adversário. Criou 22 situações de gol. Seu companheiro de meio de campo David Silva não fica atrás: 6 gols e 8 assistências, formando a engrenagem perfeita para o time de Pep, que sabe da importância dos meias em sua filosofia de jogo. O Brasileiro Fernandinho completa o trio, que hoje é o melhor do mundo. São 3 gols e 3 assistências para o jogador que, no papel, deveria ser o cão de guarda da defesa. Com uma média de 2 desarmes e 75 passes por jogo, o camisa 25 é um dos grandes destaques do time.

Na frente, todo mundo melhorou. Leroy Sané vem mostrando porque é um dos melhores jovens do planeta. 8 gols e 11 assistências, infernizando as zagas adversárias. Raheem Sterling, conhecido por não ser um bom finalizador, vive sua temporada de artilheiro: já são 15 apenas na Premier League. Ainda contribuiu com 6 assistências. E Bernardo Silva, que chegou como um reserva de luxo, vem ganhando espaço no time. Nos últimos jogos, marcou 3 gols e deu 4 assistências.

A dupla de ataque Gabriel Jesus e Sergio Agüero começou com tudo, mas depois da lesão do lateral Mendy, teve que ser desfeita. Gabriel era o titular até a sua lesão. Fez 8 gols nos primeiros 18 jogos. Depois de quase 3 meses fora, voltou no último jogo contra o Arsenal, em Londres, onde o City deu um show de futebol. Mas seu parceiro/substituto aproveitou sua ausência para brilhar. O Argentino Aguero vem na sua melhor temporada com a camisa do time. Já são 21 gols em 23 jogos e 6 assistências. No total, são 31 gols em 37 partidas na temporada, e 199 gols pelo clube. Uma lenda viva da parte azul de Manchester.

E para não deixar de falar na defesa, as chegadas de Walker e Mendy fizeram o time crescer. Melhorou a consistência do jovem zagueiro Inglês Stones e fez com que Otamendi se tornasse, finalmente, um dos melhores zagueiros do mundo. Com a lesão de Mendy, Pep conseguiu o impossível: transformou o meia improvisado Fabian Delph num ótimo lateral esquerdo. E mesmo com a segunda lesão na posição, fez com que o jovem Zinchenko, meia atacante de origem, fizesse bons jogos. O toque de Midas.

E o Ederson? O desconhecido Brasileiro chegou como o goleiro mais caro da história, vindo do Benfica por 30 milhões de Libras. Muita gente criticou a quantidade de dinheiro gasta pelo treinador num goleiro promissor. O que era caro, se tornou uma barganha. Além de defender 3 penaltis, Ederson  tem a qualidade que Pep tanto ama: não dar chutões. É um craque com os pés e na saída do gol. Apenas falhou no jogo contra o Liverpool, que custou a invencibilidade do time na Premier League. Os torcedores não ligam: o arqueiro Brasileiro ganhou até musiquinha das arquibancadas do Etihad Stadium.

Pep em ação depois do baile em cima do Arsenal, na casa do adversário. (Foto: www.mancity.com)

Depois de um ano de adaptação, Pep finalmente está próximo de atingir seu principal objetivo quando contratado. E se engana quem pensa que é apenas ser campeão. O ambicioso projeto do City é se tornar o Barcelona da terra da rainha. Ser sinônimo de futebol arte. Os títulos serão apenas consequência, como acontece com o clube Catalão. O primeiro já aconteceu nesse último domingo, pela Copa da Liga Inglesa. Foi seu 14º título como treinador, que tem uma média impressionante de um título a cada 23 partidas. Aliás, impressionante é pouco.

A grande verdade é que títulos são apenas consequências do ótimo trabalho desse gênio chamado Pep Guardiola. Se você ainda não viu, vale a dica: sente em seu sofá e assista os jogos do Manchester City. A arte em forma pura. Uma sinfonia para os olhos de quem é apaixonado pelo esporte. Que, segundo o ex-treinador Vanderlei Luxemburgo, é puro marketing. Um marketing divino, pofexô.

Twitter: @tedsimoes

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