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Não foi o BAVI da vergonha, foi o BAVI da covardia.

Antes, algumas lembranças:

Foto: Agência Reuters

Paulinho Mclaren, lendário centroavante dos anos 90, imita uma galinha para provocar o rival Atlético pelo Campeonato Brasileiro de 1996. O jogo terminou 2-1 para o Cruzeiro.

Foto: Agência Estado

Viola comemora o gol da vitória do Corinthians sobre o Palmeiras no primeiro jogo da final do Paulista de 1993. O Verdão enfrentava um jejum de 17 anos sem conquistar qualquer título, que veio no segundo jogo. Este terminou 1-0 para o Timão.

Foto: Agência Reuters

Conhecido da dupla BAVI, Souza ironizou o “chororô” Botafoguense na final da Taça Guanabara de 2008. O jogo terminou 2-0 para o Flamengo.

Foto: Agência Reuters

O Togolês Adebayor percorreu o gramado inteiro para comemorar o gol do Manchester City contra seu ex clube, o Arsenal, em frente à torcida rival. Foi suspenso por 3 jogos por causa do ato. O jogo terminou com a vitória do Man City por 4-2, pela Premier League 09/10

Foto: Lance

Pela semifinal da Libertadores de 2004, Carlos Tevez ironizou seu rival imitando uma galinha (na Argentina, os rivais provocam o River por esse apelido pejorativo), no Monumental de Nuñez lotado com 70 mil pessoas. Foi expulso pelo juiz e o jogo terminou indo para os pênaltis, vencido pelo Boca, garantindo a vaga na final.

Foto: Lance

Em pleno estádio do Beira-Rio, em um dos maiores clássicos do mundo, Paulo Nunes fez um golaço de bicicleta. Na comemoração, imitou um saci (símbolo do Internacional) em frente à torcida colorada. O jogo válido pelo Campeonato Brasileiro terminou com vitória do Grêmio por 2-1.

Foto: Reuters

Em um dos maiores jogos de futebol dessa década, Lionel Messi fez um golaço faltando 10 segundos para acabar o jogo. O gol valeu a vitória do Barcelona sobre seu maior rival, o Real Madrid, em pleno Santiago Bernabeu, pela Liga Espanhola. Tirou a camisa e mostrou, bem na cara da torcida Madridista, quem era o melhor do mundo. O jogo terminou 3-2 para o Barça.

Foto: One Football

A vingança é um prato que se come frio. 4 meses após o golaço de Messi no Bernabéu, Cristiano Ronaldo foi ao Camp Nou e destruiu o Barcelona de Messi pela Supercopa da Espanha, mostrando quem realmente é o melhor do mundo. Imitou a comemoração do seu rival bem na cara da torcida Blaugrana. CR7 acabou expulso por tomar o segundo amarelo. O jogo terminou 3-1 para o Real Madrid.

Foto: Reprodução Youtube

No último BAVI do estádio da Fonte Nova, 60 mil pessoas presenciaram um dos jogos mais históricos entre a dupla Baiana. Um jogo com 11 gols, sendo que 4 deles marcados por Índio, camisa 11 do rubro-negro. Após cruzamento de Apodi, Índio fez seu primeiro gol no jogo e foi em direção à torcida tricolor dar sua flechada. Tomou cartão amarelo. Fez mais 3, sem dar a flechada, com medo da expulsão. O sensacional clássico válido pelo campeonato Baiano terminou com o placar bailarino de 6-5 para o Vitória.

Foto: Lance

E Romário mandando todas as torcidas adversárias calarem a boca, por qualquer time que passou, em qualquer estádio que jogou, por todos os campeonatos que disputou. Todos os jogos sempre chegaram ao fim.

*****

Eu poderia colocar outros milhares de exemplos de jogos que terminaram, mesmo com o “absurdo” que é provocar a torcida adversária na comemoração do gol. Não entrarei nesse papo de que o futebol está chato pois esse papo já está muito chato. Já acho um absurdo o jogador tomar cartão amarelo na comemoração de um gol (exceto em ocasiões extremas como o racismo, por exemplo). Não pode mais tirar a camisa, não pode mais ir na arquibancada, não pode provocar o rival, não pode nada! Num país onde não podemos nem apreciar mais o bom futebol, devido à péssima qualidade de jogadores e treinadores, o gol está cada vez mais polêmico.

O “BAVI da vergonha”, como foi chamado ontem, reflete um pouco a sociedade egocêntrica que vivemos. Quando Vinicius empatou o jogo e fez sua rídicula dancinha (não por ser ofensiva ou incitar à violência – ridícula porque é tosca mesmo), o jogo acabou. Os ofendidos resolveram partir para a violência. O que veio depois foi um festival de palhaçadas, protagonizadas por vários personagens.

Não é muito diferente do que acontece no dia a dia, onde as frustrações dos seres humanos são motivos de descarga de ódio. Mesmo que o opositor tenha razão, a lógica é que ele nunca tem razão. O bom senso virou raridade numa sociedade que parece se odiar mais a cada dia que passa. Onde o caráter é deixado de lado para benefícios próprios. E que o instinto de sobrevivência das pessoas são tão voláteis. O bom deixa de ser bom quando não te interessa mais, ou quando você pode se beneficiar do que é ruim.

A palhaçada protagonizada no Barradão nesse domingo ainda vai render. Possíveis suspensões à jogadores, comissão técnica e clubes. Conhecendo bem o Brasil como eu conheço, no máximo teremos dois bodes-expiatórios.

Um deles é Vinicius. Autor do gol de empate do Bahia, comemorou o gol em frente à torcida Rubro-Negra com a tal da dancinha. Por um problema sério que sofro desde a adolescência, eu nunca consegui dançar. Não conheço e não pratico nenhuma dessas danças, mas me disseram que é o “Creu”. Particularmente, acho a dança ruim e patética. Assim como acho que Vinicius é um jogador muito fraco. Não deveria vestir a camisa do Bahia. Mas é o seu jeito de comemorar o gol, ele tem todo o direito de fazer o que quiser. E fez.

Ao contrário do que ouvi por aí, não achei que ele incitou à violência. Apenas comemorou o gol. A comemoração já existia antes e tinha até virado um gif do próprio Esporte Clube Bahia.

O outro bode expiatório será Kanu. Esse com muita razão. Resolveu descontar suas frustrações pessoais dando dois murros em Vinicius. Agressão covarde. Atitude babaca e infantil.

Outros protagonistas nem devem sofrer tanto com sanções. Fernando Miguel, o principal culpado pelo inicio da confusão, não foi nem expulso. Ao menos no fim do jogo pediu desculpas pelo incidente geral, mas se esquivando da culpa maior, que foi dele.

Edson, Becão, Rhainer, Denilson, Lucas Fonseca, Uilliam Correa e Bruno Bispo devem apenas pegar alguns jogos, de praxe.

Vagner Mancini e o Vitória serão “investigados” sobre quem mandou os atletas serem expulsos propositalmente para acabar com o jogo. Não dará em nada.

As coletivas do presidente Ricardo David e de Vagner Mancini foram lamentáveis. Apenas apontaram os dedos para os supostos culpados: Vinicius e o árbitro Jailson Macedo.

Fica uma pergunta ao treinador Vágner Mancini: ele que pediu tanto respeito a mídia Sulista quando venceu o Corinthians e foi menosprezado na coletiva, pedindo “respeito” aos clubes do Nordeste, de quem foi a decisão de forçar o término da partida?

Ele respondeu na coletiva que não foi dele.

Foto: Reprodução TV

Daremos esse voto de confiança ao treinador. O que ele e o clube farão com Bruno Bispo, que claramente pediu para ser expulso chutando a bola? O que ele fará com Bryan, que pediu a expulsão do próprio companheiro (!)? Esses dois jogadores merecem vestir a camisa de um clube que merece o respeito que você tanto pediu à imprensa Paulista, Mancini? Em meu time, eu jamais aceitaria um jogador que força sua expulsão para forçar o fim de um jogo. Prefiro perder de 20-0 do que ver meu time abandonando o gramado.

E se a ordem veio de cima, essa é a direção que o verdadeiro torcedor do Vitória quer? Que seu time seja conhecido internacionalmente como “aquele time que forçou as expulsões para não perder o jogo”?

O pior de tudo é que o jogo estava 1-1. E qualquer ser humano que entende um pouquinho de futebol sabe que o time treinado por Guto Ferreira é muito fraco e vinha jogando muito mal. O Vitória perdeu uma grande chance de ganhar o jogo em desvantagem numérica e fazer desse clássico um jogo memorável para os torcedores. Assim como foi o clássico de 11 de outubro de 1992, quando o rubro-negro venceu por 1-0 com dois jogadores a menos desde o primeiro tempo.

Ou talvez emplacar uma “Batalha do Barradão”, em alusão à famosa Batalha dos Aflitos, quando o Grêmio com 4 (!) jogadores a menos venceu o Náutico na casa do adversário. Ou de quando o Vasco, com um a menos, venceu o Palmeiras em pleno Parque Antártica depois de estar perdendo de 3-0. O futebol está cheio de histórias de times que se superaram jogando até o final.

Infelizmente alguém resolveu manchar a história do clube, fugindo da partida da forma mais covarde possível. A covardia de Kanu, Mancini, Ricardo e seus pupilos.

Twitter: @tedsimoes

Atualização: em reportagem da TV Bahia, ficou comprovado que o técnico Vágner Mancini orientou Bruno a forçar o segundo amarelo. E agora, Mancini?

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