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Uma copa sem a Argentina (e sem Messi) não terá nenhuma graça

Foto: Diario Correo

Ao contrário de muita gente (inclusive do leitor que caiu desavisado nesse texto), eu não torço contra a Argentina. Como bom amante do futebol – e acho que todos que amam esse esporte deveriam pensar a mesma coisa – admiro muito o futebol Argentino. Tudo começou com um cara chamado Gabriel Batistuta (peguei apenas o fim de carreira de Don Diego Maradona). El Batigol foi um dos centroavantes mais letais que vi na história do jogo. Era o típico Argentino: cabeludo, raçudo e – principalmente – um cracaço de bola. Ok, são nossos rivais eternos, mas é impossível não admirar nossos vizinhos. Vi muitos craques nessa época. Fernando Redondo era um maestro. Juan Román Riquelme, que o torcedor do Palmeiras jamais esquecerá. Marcelo Gallardo, elegante demais. Pablito Aimar, Javier Saviola, Juan Pablo Sorín, Esteban Cambiasso, Sergio Aguero, Javier Zanetti, Carlitos Tévez, Juan Sebastian Véron, entre tantos outros. Eu poderia escrever parágrafos sobre craques Argentinos.

Com toda admiração e carinho que tenho com Galvão Bueno, sempre discordei dessa coisa que ele iniciou em tratar a Argentina como um inimigo mortal. Dentro de campo, sim. Sempre. A graça do esporte é ter um grande rival que te desafia a ser sempre melhor. O problema é misturar isso com um povo tão legal como o Argentino. Estereótipos de que Argentino não presta só serve para quem nunca conheceu um Argentino de verdade. Sem querer ainda mais levar para um lado que não tem nada a ver com esporte, as vezes me incomoda com a babação de ovo em torno de países que sempre usaram o Brasil para manter sua supremacia econômica. Assim como usam a Argentina e todos os países da América do Sul. Gostem ou não, somos irmãos. A América Latina deveria ser mais respeitada. E talvez devêssemos começar a tratar nossos vizinhos com mais carinho. Tem Argentino mal educado? Tem. Assim como também tem muito Brasileiro sem qualquer educação.

Voltemos ao futebol, que é o que interessa. É triste imaginar que talvez disputaremos uma copa sem a Argentina. Sem nosso maior rival e sem o maior jogador de futebol dos últimos 30 anos. Lionel Messi sofre com a bagunça que a AFA (a CBF deles), que depois de bagunçar o futebol no país, conseguiu bagunçar a seleção. A Argentina sucumbiu aos resultados e demitiu em 2004 o excelente Marcelo Bielsa depois de 6 anos no comando do time. De lá para ca, já são 8 treinadores escolhidos. Dentre eles, Diego Maradona, que nunca foi treinador. Escolhendo nomes contestados ou com glórias no passado, a Argentina nunca conseguiu formar um time para aproveitar o potencial de um dos maiores jogadores da história. Para termos uma ideia, na bagunça de Maradona na copa de 2010, Messi não conseguiu sequer fazer um gol.

O jogo contra o Peru no lendário estádio da Bombonera foi também a primeira vez que Lionel jogou no estádio do Boca Juniors. E foi triste vê-lo em campo num remendo de time. O conceituado treinador Jorge Sampaoli, contratado com urgência para levar o time à copa só fez besteira. Apostou em nomes sem peso em uma partida tão complicada. Deixou Dybala no banco, não convocou Higuain e ainda apostou no machucado Fernando Gago quando só restava uma substituição. Resultado: saiu após 4 minutos da sua entrada. Messi cansou de deixar seus companheiros na cara do gol. O esforçado Benedetto, centroavante do time da casa, não é jogador de seleção. Muita vontade e pouca técnica. É um Rodrigão mais magro ou um Trellez com grife. Nada mais que isso.

Mesmo assim, o gênio tentou. Era difícil. Para onde ia, faltava alguém para tabelar. Faltava alguém para entendê-lo. Ok, os gênios são mesmo incompreensíveis! Mas caramba, ninguém ajudava. E lá vinha Messi pela esquerda, lá vinha Messi pela direita. E lá vinha Messi pelo meio. E Messi driblava um, driblava dois. Deixava um na cara do gol. Cruzava para outro. Ninguém. Era o exército de um homem só. E como dizem os mais sábios, uma andorinha só nunca fez um verão.

A AFA paga seus pecados. Uma instituição tão incompetente e corrupta como a CBF, que destruiu o campeonato nacional desse ano, que começou com 80 dias de atraso graças a uma greve dos jogadores. Com incríveis 30 times disputando o certame, fruto de politicagem. Ainda assim, o torcedor Argentino não caiu na besteira da arenização que o futebol Brasileiro tornou moda. Los hinchas (como são conhecidos os torcedores de futebol na Argentina) sempre dão um espetáculo nos estádios. Cantam o tempo todo, apoiam o time até o apito final, tornam um jogo de futebol um espetáculo à parte. A AFA destruiu a seleção nacional, escolhendo treinadores ruins e que não conseguem organizar um time de futebol digno para o maior craque do planeta.

A copa é o maior evento esportivo do mundo. Alguém consegue imaginar tal evento sem seu principal nome? Para piorar, Portugal também corre sério risco de não se classificar. Qual a graça de assistir uma copa sem Messi e Cristiano Ronaldo? Para piorar ainda mais: qual a graça de ser campeão em cima de Peru, Austrália, Eslovênia e Egito? Nada contra os países, claro. Mas tirando Guerrero, que joga no futebol Brasileiro, alguém conhece os principais jogadores dessas seleções? Ou você vai bater no peito feliz para dizer que foi campeão em cima da pomposa Eslovênia do craque Ilicic? Ou do poderoso Egito do mago Elneny? Não dá, né?

Pelo bem do futebol, a Argentina precisa ir à copa. Ou alguém esqueceu como é bom ganhar deles, seja com um gol de Didico nos acréscimos levando a disputa para os pênaltis ou naquele passeio da copa das confederações com o bruxo Gaúcho dibrando até seu pensamento? A graça do futebol é ganhar dos seus maiores rivais. Ou você, torcedor do Bahia ou do Vitória, gostariam de ser campeões Baianos sem ter seu rival na disputa?

twitter: @tedsimoes

4 thoughts on “Uma copa sem a Argentina (e sem Messi) não terá nenhuma graça”
  1. Eduardo 7 de outubro de 2017 on 05:53 Responder

    O texto é bem contraditório. No começo critica a “babacao de ovo” a alguns países, o que eu concordo, e fala que nós, da América latina, somos irmão. Pois bem, por que temos nós, irmãos, que prezar pelo bem de um em detrimento dos outros irmãos? Ou o Peru, Colômbia e Chile são menos irmãos? Todos os times hoje com chance, merecem ir a copa. E se a Argentina esta em sexto, fora da zona de classificação, mostra menos merecimento que outros países. Uma copa sem a Argentina seria tao boa como com ela, não existe isso de perder a graca. Isso sim é babar ovo da Argentina e de Messi.

  2. Glória 7 de outubro de 2017 on 07:28 Responder

    Totalmente de acordo com tudo! Amei o texto!

    • RAIMUNDO 7 de outubro de 2017 on 09:54 Responder

      qUEM MANDA ELE NÃO JOGAR NADA

  3. Paula 7 de outubro de 2017 on 18:07 Responder

    Concordo plenamente! Adorei

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