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Conmebol resolve aumentar vagas e Brasil pode ter até 8 representantes na próxima Libertadores

copa-libertadores-trofeu-1260x710A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) foi o assunto do fim de semana no mundo futebolístico. A entidade resolveu dar uma canetada nas regras da próxima edição do torneio mais cobiçado da América do Sul. Primeiro, anunciou que a duração do torneio vai durar por toda a temporada: de fevereiro à novembro. Depois, anunciou que a final será realizada em partida única, como sua “prima distante”, a Champions League. Até aí tudo bem, sem tantas polêmicas. Mas a principal mudança seria anunciada em seguida: o acréscimo de mais 8 vagas. Quem se deu bem foi o Brasil, que ganhou mais duas vagas. Argentina, Colômbia e Chile também foram beneficiados. E só. Nem o tradicional futebol Uruguaio, terceiro maior vencedor em títulos e vencedor da primeira edição do torneio com o Peñarol, ganhará uma vaguinha extra.

Dá pra explicar as escolhas. O decadente futebol Sul-Americano vive uma crise séria de corrupção. Dirigentes presos, investigados, sem poder deixar o país, como é o caso do atual presidente da CBF, José Maria Marín. O futebol Argentino vive uma das maiores bagunças de sua história. São 30 clubes jogando entre si num turno único, com rodada extra nos clássicos. Uma das maiores loucuras da história do futebol. O famoso diário esportivo Argentino Olé definiu como “Um campeonato de outro planeta”. Todos os clubes alegam que a crise econômica mundial interfere nas gestões. Enfim, uma bagunça pra todos os lados. Beneficiar os clubes Brasileiros, que também atravessam dificuldades, serve por um pequeno propósito: é o país mais rico do continente e os clubes usam a vaga na libertadores pra acalmar suas torcidas, que valorizam demais a competição. Mas será que vai continuar assim depois dessa canetada?

Criada em  1960, o Brasil tinha direito a duas vagas na competição até 2000 (exceto quando clubes Brasileiros venciam a competição no ano anterior, classificando-se automaticamente para defender o título). Como o Campeonato Brasileiro não tinha um regulamento totalmente definido, podendo ter de 20 a 30 times, a vaga na libertadores ficava apenas com o campeão e vice, até a criação da Copa do Brasil em 1989. Nesses 11 anos até a mudança, apenas o campeão Brasileiro tinha direito a vaga. Era um prêmio apenas pro melhor time da competição. Era uma vaga cobiçada, motivo de orgulho de suas torcidas. A mudança começou em  2000 e se fixou de vez com as 5 vagas pro Brasil desde que adotamos o campeonato por pontos corridos. O campeão da Copa do Brasil e o cobiçado G4 do Brasileirão. A Libertadores começava a ficar mais acessível pra mais clubes Brasileiros. Numa competição estabelecida com 20 clubes, 20% dos times seriam premiados de alguma forma. Um com a glória máxima e outros 3 com a chance de disputar o maior torneio do continente. Bem justo.

Seguindo aquele clichê máximo de que “nem todo mundo pode ser campeão”, um campeonato deve ter um sentido básico pra todos os times. Dirigentes e torcidas podem traçar seus objetivos. Seja de disputa de título, de G4, de Sulamericana (outro torneio continental pros times de meio de tabela) ou da fuga do rebaixamento. Essa é a graça do campeonato de pontos corridos. Promover o planejamento a médio-longo prazo dos clubes. Com pequenos bônus no meio da caminho. Quando tudo está bem estabelecido, de forma justa, uma canetada vem pra bagunçar de vez a cabeça do torcedor.

Claro que todo torcedor quer disputar a Libertadores. A torcida do Vitória deve estar pensando no porque dessas decisões não terem acontecido antes. Em 1993 e 1999, o clube foi 2º e 3º colocado. Mais recente, em 2013, o clube ficou em 5º lugar, a 2 pontos da vaga. O time Baiano nunca disputou a competição, fato que seria importante pra um clube com a história que tem.

Mas a banalização da vaga perde um pouco dessa “conquista”. Chegar à Libertadores agora não terá mais aquele carimbo de conquista improvável, emocionante, de bom planejamento. De estar num seleto grupo minoritário que fez bonito na temporada anterior. Agora o G4 vira G6, podendo até virar G8. E ainda não está claro se pode ser G9, pois não ficou esclarecido se o campeão anterior da Libertadores tira uma vaga do país. Confuso? Sim, bastante. Resumindo: Caso o Brasil vença numa temporada a Libertadores e a Sulamericana, já são dois representantes garantidos. O campeão da Copa do Brasil também tem sua vaguinha garantida. Já temos 3. Caso esses 3 estejam no novo G6, as vagas seriam preenchidas pelo 7º, 8º e 9º colocados do campeonato Brasileiro. O que isso significa? Quase 50% dos times da série A jogando em paralelo uma outra competição. Some também a Copa do Brasil, Copas regionais, Sulamericana, data FIFA, e em alguns anos a Copa do Mundo, Copa América, Olimpíadas. Teremos tantas datas assim no calendário? O que os clubes irão priorizar? O que a torcida vai querer do seu time? São muitas perguntas e por enquanto, nenhuma resposta.

A Conmebol bagunça os campeonatos alheios com apenas um propósito: desviar as atenções de inúmeras denúncias de corrupção que assolam a entidade. Utiliza o populismo e a paixão do torcedor, ávido por disputar a competição mais importante do continente em troca dos reais questionamentos da profissionalização do esporte. Esconde a péssima gestão, cada vez mais baseada em decisões de várzea. Enquanto isso, a distância pro futebol Europeu só aumenta. Levam os principais talentos de forma prematura, concentram mais dinheiro por lá e os resultados estão também no campo: nas últimas 8 copas, a América do Sul venceu 3 mundiais, que até não é uma marca ruim. O problema é que desses 3 títulos sulamericanos, apenas Brasil e Argentina ganharam. O Uruguai não vence o mundial há incríveis 66 anos. E nenhuma outra seleção do continente venceu a copa. Nesse mesmo período, 5 seleções Européias revezaram o principal título do futebol. Inglaterra, Alemanha, França, Itália e Espanha venceram. A Holanda bateu na trave 3 vezes. Croácia, Bulgária, Dinamarca, Suécia e até a Turquia surpreenderam em edições anteriores. O futebol Sul-americano vive dos talentos individuais de gênios como Maradona, Romário e Ronaldo pra conseguir o título. Atrasado em gestão, em planejamento e em concepção. A tendência é ficar cada vez mais pra trás.

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