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Em sua ida ao PSG, Neymar acertou em quase tudo: só errou o lugar para ser o melhor do mundo

Foto: Twitter oficial do PSG

A notícia mais aguardada da janela de transferências da Europa se concretiza hoje: Neymar é oficialmente jogador do Paris Saint-German. Depois de muita fofoca, teoria da conspiração e até guerra nos bastidores jornalísticos, o camisa 10 da seleção Brasileira resolveu mudar de ares. A decisão é polêmica. Afinal, Neymar estava confortável no poderoso Barcelona, jogando ao lado do melhor jogador dos últimos anos. Adaptado à cidade, ao idioma e aos colegas de time. Não tinha porque sair. Bem, tinha sim.

É muito leviano e bastante hipócrita achar que Neymar se mudou apenas por dinheiro. Hipocrisia sim, de achar que ele não poderia ganhar mais dinheiro. Como se fosse uma coisa de outro mundo, trocar de emprego após receber uma proposta melhor, não só financeiramente. Sim, a proposta de protagonismo é muito maior que a financeira.

Pela segunda vez na carreira, e a primeira na Europa, Neymar terá um time que jogue só para ele. Não é a toa que ele influenciou até a ida de Dani Alves ao clube Francês. Pediu a permanência do amigo Lucas e dos outros Brasileiros. Terá ao seu lado o excelente atacante Uruguaio Edison Cavani, especialista em ser coadjuvante em toda a sua carreira, para lutar pelo novo camisa 10. Jogará o patético campeonato Francês, onde marcará ao menos 40 gols na temporada, podendo se poupar de jogos mais complicados para dar prioridade à Liga dos Campeões. Não precisará dividir faltas e penaltis com Messi e sabe que terá muito mais oportunidades de gols que no Barça. Decisão acertada.

As viúvas do Barcelona para sempre lamentarão, é óbvio. É inaceitável para eles que alguém, no auge da sua carreira, troque a máquina vencedora por um time emergente. O que eles se acostumaram a fazer, inclusive quando tiraram o próprio Neymar do Santos, agora acontece o inverso. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. Não dá para levar a sério, ainda mais quando a sua saída do Santos aconteceu de forma tão suja, que causou até a renuncia do presidente do clube e inúmeras investigações por parte da justiça Espanhola.

Também não vejo problema nenhum na questão financeira. Por mais que a procedência do dinheiro do PSG seja extremamente duvidosa, ninguém gasta R$812 milhões sabendo que não terá retorno. Acreditem, futebol é um negócio que envolve bilhões e bilhões de dólares, reais, euros ou libras. E quando o assunto é dinheiro, esses caras podem ser tudo, menos burros.

Feito isso, dá para dizer que Neymar fez a escolha certa, ok?

Aí está minha única objeção. Se o principal motivo da transferência foi ser o melhor do mundo, Neymar errou. Não por minha causa. Mas é só olhar a lista dos melhores jogadores escolhidos pela FIFA. Desde que o prêmio foi criado, nenhum jogador da Liga Francesa foi escolhido. Pior, nos últimos 20 anos, apenas 4 jogadores escolhidos não eram da dupla Barcelona/Real Madrid. O Francês Zidane (2 vezes pela Juventus-ITA), os Brasileiros Ronaldo (Inter-ITA) e Kaká (Milan-ITA) e o Português Cristiano Ronaldo (Manchester United-ING).  Nas outras 15 vezes, só deu Real Madrid e Barcelona. Nem o poderoso Bayern de Munique conseguiu tal feito. O critério confuso de votação, em que treinadores e capitães das seleções escolhem o melhor, sempre favorecerá quem é mais visto. Não precisa nem dizer quais são os dois clubes mais vistos no planeta, né?

Essa obsessão de Neymar pela Bola de Ouro da FIFA pode acabar atrapalhando sua carreira à longo prazo. Quem bem sabe disso é seu ex-parça Robinho, eterno “futuro-bola-de-ouro-da-FIFA”. Se preocupava tanto com isso que esquecia de jogar bola. Não é preciso nem dizer que Neymar é 400 vezes melhor que o seu antigo companheiro e que já fez muito mais em 4 anos de Europa que ele. Mas precisa entender que esse troféu jamais mudará o status do craque que ele é. Acaba parecendo mais uma síndrome de vira-lata: preciso ser o melhor do mundo da FIFA.

Porém, o timing da transação foi excelente. Fazendo uma excelente temporada, Neymar terá na Copa de 2018 a sua chance de finalmente ser o melhor do mundo. Sendo campeão Francês  (que acontecerá com umas 6 rodadas de antecedência), fazendo uma ótima Champions League (chegando no mínimo nas semi-finais) e sendo campeão da Copa, ninguém tira o prêmio dele. Nem mesmo se Messi e Cristiano Ronaldo fizerem 200 gols na temporada. Vale lembrar os melhores do mundo em anos de Copa: Romário (campeão com o Brasil em 1994), Zidane (campeão com a França em 1998), Ronaldo (campeão com o Brasil em 2002) e Cannavaro (campeão com a Itália em 2006). Em 2010, Messi foi o primeiro a vencer o prêmio sem ser campeão do mundo, feito repetido por Cristiano Ronaldo em 2014. Mas vamos combinar: tanto a Espanha campeã de 2010 como a Alemanha de 2014 eram times bem montados, sem uma grande estrela para justificar a continuidade do critério.

Enfim, só o tempo dirá se Neymar conseguirá ser o melhor do mundo jogando pelo Paris Saint-German e a nada atrativa Liga Francesa. Como já disse o velho Vamp certa vez: “Quem é que assiste o campeonato Francês? Ninguém!”. Se ele tivesse paciência, seria o melhor do mundo no Barcelona em 2 ou 3 anos. Mas no futebol, ninguém pode cravar nada. Agora, o menino prodígio que ganhou a Libertadores, virou o dono da seleção Brasileira, foi para o Barcelona e evoluiu bastante, convivendo com um gênio e aprendendo à lidar com as pressões, está pronto para assumir o protagonismo. E como já cansei de dizer, nunca duvidem de Neymar Jr…

Twitter: @tedsimoes

One thought on “Em sua ida ao PSG, Neymar acertou em quase tudo: só errou o lugar para ser o melhor do mundo”
  1. Paulo Cezar Bastos \dias 4 de agosto de 2017 on 12:00 Responder

    Assino esse comentátio tb. Parabéns!!!

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