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O que seria do Bahia sem sua torcida?

Hoje não é dia de fazer críticas. Durante o jogo, o Bahia repetiu o que vem fazendo (com raras exceções) desde a chegada de Guto Ferreira: começa bem, faz um gol, não consegue resolver o duelo, perde intermináveis gols, recua, e sofre até o apito final. Hoje, com um agravante: com um a mais durante 2/3 da partida. Sem qualquer tipo de exagero, o Bahia poderia ter aplicado uma goleada histórica no futebol Brasileiro. No mínimo, poderia ter saído do jogo com um sonoro 6×0.

Mas preciso falar dessa torcida. Depois de décadas gloriosas, como a de 70 (quando conquistou o hepta campeonato Baiano) e a de 80 (quando conquistou o campeonato Brasileiro), o Bahia penou. O gol de Raudinei, tão lembrado pelo torcedor, causou uma espécie de maldição. Brigas políticas, gestores que destruíram o patrimônio do clube, vexames e mais vexames. Queda para série B, voltando após uma virada de mesa. Fez até uma gracinha na Copa João Havelange e conquistou duas Copas do Nordeste. Daí em diante, ladeira abaixo. O terror da Série C, onde passou duas temporadas. A tragédia dentro de campo atingiu até as arquibancadas: na maior tragédia de sua história, o clube viu sete torcedores morrerem após a queda da arquibancada, no último jogo da antiga Fonte Nova. O Bahia, que era conhecido no sul como o “time da macumba”, parecia provar do próprio veneno. Sem rumo, sem casa, sem dinheiro e vendo sua torcida sofrer na pele o descaso dos seus mandatários. Parecia ter sofrido um “trabalho” daqueles sem antídoto.

Demorou ainda para o time voltar à Série A. Nesse meio tempo, o Bahia não conseguia nem ganhar o campeonato Baiano, onde sempre mandou. Viu seu rival se tornar hegemônico no estado. Pior, viu até pequenos do interior serem campeões. Colo-Colo e Bahia de Feira conquistaram o título que o Bahia não conseguia vencer há 10 anos. Não havia luz no fim do túnel. E quando ela aparecia, parecia ser um trem na contra-mão.

O que fazer nesse momento?

Não havia outra forma. O Bahia tinha que recorrer ao seu maior patrimônio. Sua imensa e apaixonada torcida. Aquela que sempre esteve ao seu lado. A mesma que se acostumou com Marito, Osni, Roberto Rebouças, Baiaco, Paulo Rodrigues, Bobô e Zé Carlos. E que aguentou a se acostumar com Ednei, Dadico, Emerson Cris, Joãozinho e Harlei. Que se acostumou a ver Evaristo de Macedo e Orlando Fantoni comandando o time, para aguentar Lula Pereira, Arturzinho e Paulo Comelli. Que sofreu com goleadas históricas para seu rival e que tomou de 7 do Ferroviário do Ceará.

Ela estava lá. Colocando 60 mil pessoas na antiga Fonte Nova. Torcendo, de forma peculiar, para a grande paixão de suas vidas. O único time do mundo em que um palavrão é usado de forma comum no seu grito de guerra.

A paixão do torcedor do Bahia pelo seu time é algo inexplicável. Digna de qualquer análise profunda de Freud, Jung ou do Skinner. Até mesmo as imprensas Paulista e Carioca se rendem ao time tricolor, muito mais pela paixão desenfreada dos seus fiéis seguidores do que pelos resultados em campo. O Bahia gera uma simpatia no resto do país. Graças ao seu maior patrimônio.

Já falei algumas vezes aqui: que o Presidente Marcelo Sant’ana entenda que seu maior trunfo sempre será a sua torcida. E não é a torcida do Lounge, que está mais preocupada em tirar selfies bebendo vinhos Chilenos no camarote. É a massa, o povo. É aquele que acha que o Bahia é maior que o Barcelona, o Real Madrid, o Bayern de Munique. E que canta, que dança, que sofre, que deixa de comer para juntar dinheiro para ir à Fonte Nova ver a maior paixão de sua vida. Que tomou as cadeiras do estádio, a Ladeira da Fonte e o Dique do Tororó numa espécie de carnaval em maio. Que a “arenização” dos estádios nunca expulse os menos favorecidos. Se o Bahia quiser voltar a ser um dos maiores do país, não adianta ter uma super gestão, um técnico genial ou craques de seleção. O Bahia precisa, fundamentalmente, de sua torcida. Talvez esse título simbolize um novo início na história do clube.

twitter: @tedsimoes

6 thoughts on “O que seria do Bahia sem sua torcida?”
  1. Osvaldo Ribeiro 25 de maio de 2017 on 16:04 Responder

    Parabéns pelo brilhante texto

  2. Ninna 25 de maio de 2017 on 16:52 Responder

    Não tem explicação. É paixão.
    Só quem torce para o Bahia sabe o que é sorrir somente ao ver a nossa bandeira tremular numa sacada ou uma pessoa vestindo o manto tricolor.
    Coisa mais linda ver a Arena tomada de azul, vermelho e branco.
    A cidade amanhece mais bonita quando o Bahia ganha.
    O Bahia, para o seu torcedor,sem medo de errar, realmente é sua Vida, seu Orgulho, seu Amor.
    BBMP!

  3. DAVID JORGE 26 de maio de 2017 on 13:15 Responder

    Boa Tarde
    Quando criança ouvia meu pai dizer que seu time de coração era o Ipiranga, um pouco maior na idade porém ainda menino, ia eu e meu pai para para Fonte Nova , torcida mista , meu pai adorava apostar contra o Bahia, ele tinha uma simpatia muito forte pelo rival, e eu bobo e feliz da vida me apaixonei primeiro pela torcida depois pelo time , Sou Bahia desde criança e amo a torcida , 88 foi a minha maior felicidade, só quem foi campeão nacional sabe . Sou torcedor que acredita sempre no Bahia. BBMP

  4. Alcino Dórea 27 de maio de 2017 on 07:59 Responder

    O TRICOLOR DE AÇO é sem explicação….nossa torcida com toda certeza é paixão e raça!!! A maior do Brasil!
    Temos que pensar em algo maior…. vamos Empurrar o Esquadrão rumo a Libertadores!!! Se fizermos essa festa…. imagina o Tricolor na Libertadores…. Salvador vai parar literalmente!!! Vamos encher a Fonte em todos os jogos em casa e tenho certeza que em Dezembro estaremos entre os 4 ou 6 classificados!!
    AVANTE ESQUADRÃO!!! BBBBBMMMPPPPP!!!!

  5. sergio araujo 29 de maio de 2017 on 19:51 Responder

    eu sergio araujo assino em letras maiúsculas todo esse seu ponto de vista,e vou mas além se não fosse essa torcida maravilhosa a muito o bahia já não existira mais, que sirva de lição pro vosso presidente sou tricolor desde 1959 foi quado deus me colocou no mundo. um grande abraço a toda nação tricolorida, a maior não só do nordeste e sim a maior do mundo.

  6. Elvis Kempes 7 de junho de 2017 on 17:37 Responder

    Estou longe, deprimido, triste e mal imagino quando ou se vou voltar à minha querida Bahia. Mas uma coisa os tempos modernos me deixam bem no colo e perto do coração: os jogos do Bahia, especialmente na Fonte Nova mais linda do que nunca quando o tricolor manda seus jogos. De fato, a torcida do Bahia é inexplicável e se amor, muito além de lógico por super apaixonado. O texto é um retrato de como se passam as coisas, detalhes exclusivos de um amor sem tamanho. Ser torcedor do Bahia é amar sem condições. Por amor a tudo que é bom, dirigentes, mantenham o Bahia na série A. É inconcebível o Bahia em outra divisão. Um pouco mais: inadmissível, insuportável e incompatível com tanto, tanto e tanto amor.

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