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Acabou o campeonato baiano. E agora?

Foto: Margarida Neide

Neste domingo, o Vitória conquistou seu 29º título do campeonato Baiano ao empatar sem gols com o Bahia, no Barradão. Em um jogo de muitas emoções e pouca técnica, o rubro-negro garantiu a conquista de forma invicta graças a melhor campanha durante todo o certame. Mesmo com a troca no comando às vésperas da final, o leão segurou o ímpeto tricolor para fazer a festa com sua torcida única. Num campeonato de nível muito ruim, será que deu para montar um time competitivo perante as principais forças do futebol nacional? Agora, fica a pergunta para as duas torcidas: o que esperar dos times Baianos na série A?

Começando com o campeão. O Vitória montou um time às pressas, devido à mudança da sua diretoria. Perdeu sua principal estrela, o atacante Marinho. Manteve um treinador contestado por 99% da torcida. Apostou em alguns medalhões que não funcionaram, incluindo o “maestro” Dátolo, que já se mandou. Pouco aproveitou a sua base, motivo de orgulho dos torcedores. No momento, está sem treinador. Faltando uma semana para o início da Série A, o torcedor rubro-negro tem motivos de sobra para se preocupar.

Deixemos o estadual e a Copa do Nordeste de lado. O Vitória teve apenas dois grandes desafios na temporada: seu maior rival, o Bahia, e o Vasco pela Copa do Brasil. Conseguiu, na bacia das almas, vencer os dois. Apesar de ter falhado na Copa do Nordeste, também contra o tricolor. Em 5 meses, Argel não conseguiu imprimir um estilo de jogo confiável. Sempre focado na defesa, o Vitória venceu os pequenos sem qualquer brilho, até mesmo quando goleou. Foi muito mais por fragilidade dos outros que por brilho próprio. Foi mandado embora, apesar do pedido dos jogadores para permanecer.

Sim, existe um pilar. Não há como negar a qualidade técnica de Willian Farias, Cleiton Xavier e Patric. São jogadores rodados, experientes. Dos 3, apenas Willian Farias vem rendendo o que se espera dele. Cleiton e Patric são sombras do que já foram. Com a contusão de José Welison, que vinha sendo o melhor jogador na temporada, o time se desestabilizou. Perdeu muito na marcação e no controle do meio de campo.

A dupla de zaga é boa. Fred e Alan Costa formam uma boa dupla, apoiados do jovem Kanu, ainda muito inseguro. Géferson ainda não convenceu a torcida, mas segue titular do time. O jogador que chegou a ser convocado para a seleção de Dunga era uma das promessas do time para esse ano. Parece perdido na lateral, inconstante, fraco na marcação, apoiando pouco. O antigo titular Euller vem sendo utilizado mais no meio de campo. É uma posição que deve dar muita dor de cabeça ao torcedor.

O maior problema do time segue do meio para a frente. Apesar de apostar nos meias de criação no início da temporada, pouco podemos falar deles. Cleiton Xavier, em fim de carreira, parece não ter mais a força física para jogar um torneio difícil como o Brasileirão. Cárdenas e Pischulichi ainda não se adaptaram ao futebol Brasileiro. Técnica não falta aos três. Até mesmo Dátolo, que já foi embora, não conseguiu municiar o ataque como se esperava. Falta alguém para fazer essa transição no meio. Era esperado que Gabriel Xavier fizesse isso, mas o ex-jogador do Sport também decepcionou.

No ataque, a situação ainda é pior. André Lima termina a competição como artilheiro, mas pouco inspira confiança. Aos 32 anos, mostra pouca mobilidade. Quando se tem meias como estes jogadores citados, o centroavante precisa se mexer mais, dar opção. Kieza, Paulinho e David são jogadores de lado de campo com uma característica irritante: perder muitos gols. David, por sinal, abusou no BAVI: perdeu 3 chances claríssimas de gol. Gols que na Série A costumam fazer muita falta e decidir jogos.

Ainda não dá para cobrar reforços da diretoria, já que o clube está sem técnico. É preciso entender o perfil do novo treinador para a montagem do elenco. Sempre ficou claro que Argel tinha um elenco muito diferente das suas características de jogo. Fala-se em Ricardo Gomes, Doriva e Ney Franco. Nomes que podem fazer esse elenco funcionar muito mais que o antigo treinador. Hora de colocar a cabeça no lugar e trazer a pessoa certa para o trabalho.

A situação do Bahia é um pouco melhor. Guto Ferreira está próximo de completar um ano à frente do tricolor. Já conhece bastante seu elenco e participou da montagem do time. O problema maior continua sendo ele mesmo. Um treinador extremamente limitado, que insiste em ser teimoso e que não sabe mexer no time. Um treinador que não gosta de “matar” o jogo. Já foi assim na última Série B e continua nesse início de ano.

Guto conseguiu cumprir a sua promessa, de trazer o Bahia de volta à Série A. Ótimo. Pegou um trabalho confuso e organizou o time para conseguir resultados, sem dúvidas. Mas insiste em “copiar” os modelos Europeus sem perceber que ele não tem as mesmas peças que um Barcelona, por exemplo. Não dá para engessar o time em uma única formação. Com isso, acaba deixando Juninho de fora do time por birra.

Jogar num 4-3-3, com dois homens na frente da zaga e dois abertos pelas pontas é o básico que qualquer treinador do mundo faz hoje em dia. Com isso, insistiu em Hernane até a sua contusão. Tirou o grande destaque do time para colocar Édson, que faz boa temporada. Mas porque não jogar com os 3 volantes? Povoar mais o meio de campo, liberar mais Régis e Allione, fazer Edgar Júnio flutuar mais. O que falta realmente é alguém para empurrar a bola no gol. A ineficiência do tricolor é irritante.

A zaga do Bahia vem até se comportando bem. O criticado Lucas Fonseca foi firme nos últimos jogos, apesar de tudo. Jackson e Tiago formam uma boa zaga. Eduardo é muito esforçado e alterna bons e maus momentos. Armero que é um grande problema ao time. Apesar de ser ótimo para o Marketing do clube, não consegue decidir o que faz em campo. Não ataca, não defende, corre como um louco. Seu excesso de voluntariedade acabou gerando o gol contra que deu o título ao rival.

No meio, Édson e René Junior formam uma boa dupla. Se entendem, dão ritmo ao time. Régis vive melhor fase da sua carreira, e encontrou em Allione uma dupla capaz de criar e marcar. Assim como o próprio Edgar Júnio. Apesar de ser um bom jogador, não sabe fazer gols. Perdeu uma chance inacreditável no início do BAVI que poderia ter dado o título ao tricolor. Zé Rafael, assim como Armero, é muito voluntarioso. Pouco objetivo. Por isso acho que Juninho deveria entrar em seu lugar, para povoar mais o meio. Liberar Régis e Allione da marcação. Os dois geralmente chegam no segundo tempo cansados, sem render. Como o time nunca mata o jogo no primeiro tempo, depender deles no segundo é suicídio. É só lembrar do primeiro jogo da decisão do Baiano.

Para finalizar, o Bahia precisa de um goleiro com muita urgência. Jeanzinho fez até uma boa final, mas não está pronto para uma Série A. Qualquer bola na área é um Deus nos acuda para a torcida tricolor. Além disso tudo, alguém no Bahia precisa chamá-lo no canto e ter uma conversa séria sobre suas condutas durante o jogo. Prejudicou bastante o time no primeiro jogo da semi-final da Copa do Nordeste. O Bahia marcou logo no início, com Édson, e Jeanzinho já fazia cera aos 10 minutos do primeiro tempo. Precisa aprender a ler o jogo, saber a hora certa. E principalmente a sair do gol. Vale lembrar que agora é hora e enfrentar times de verdade. Ele terá pela frente centroavantes como Fred, Pratto e Guerrero, mestres da pequena área. Mais uma vez, fica a dica: Dênis é o atual terceiro goleiro do São Paulo. Jogador experiente e com qualidade, que pode vir sem agredir os cofres do clube.

O torcedor não pode se iludir. Tanto o Vitória, atual campeão Baiano, como o Bahia, que pode ser campeão do Nordeste, entram no Brasileiro com apenas uma missão: fugir do rebaixamento. É hora das diretorias colocarem o pé no chão e perceberem que se os dois times almejam disputar algo maior, não será em 2017. A permanência dos dois (de preferência sem sustos, na última rodada) deve ser tratada como prioridade. Para isso, o planejamento é fundamental.

Jogos em casa contra rivais diretos devem ser tratados como finais. Até mesmo em semanas de dois jogos. Para que desgastar jogadores importantes numa quarta feira contra Palmeiras, Flamengo e Atlético MG fora de casa tendo jogos importantes no fim de semana contra Avaí, Sport e Atlético GO? Infelizmente, os dois times precisam entender que hoje são times pequenos no cenário nacional. Não dá para se colocar ao lado de um investimento milionário como o do Palmeiras. Não dá para achar que dá para competir de igual para igual com os times do Sudeste. Primeiro, é preciso se manter na Série A por mais alguns anos, formar uma base com calma. Evitar essa gangorra de sobe e desce todo ano. Bahia e Vitória precisam jogar como time pequeno para se manter na Série A. É óbvio que torcedor nenhum gosta de ouvir isso, mas é a realidade. Que Guto Ferreira e o novo treinador do Vitória entendam isso, para não precisarem tanto da calculadora nas últimas rodadas, como aconteceu com os dois times na última temporada.

twitter: @tedsimoes

2 thoughts on “Acabou o campeonato baiano. E agora?”
  1. Fraga 8 de maio de 2017 on 22:00 Responder

    Ted Simões @tedsimoes, a maioria das suas críticas são procedentes, todavia, você se empolgou com seu falatório e acabou inserindo algumas baboseiras (para não dizer asneiras), relativas a alguns jogadores.
    Menos, tá?

  2. Leão Rubro Negro Oficial 8 de maio de 2017 on 23:56 Responder

    Ted,
    qual é o jogo que você esta vendo? Dizer que Fred e Alan são bons? Você não entende de futebol. Fred e Alan só sabem dar chutões. Zagueiros inseguros que quando os atacantes do time adversário chegam com a bola dominada eles escorregam, caem, perdem a bola, ficam estáticos e assistem os atacantes adversários fazerem o gol e não fazem nada. Isso é ser bom? Reveja os jogos do Vitória e veja as atuações de Alan e Fred. Péssimos zagueiros. Fora Alan, fred, Norberto, Salino, Pisculiti, pineda, Jeferson, Ramires, todynho. Todos jogadores fracos

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