Bem vindo ao

Blog do Ted

Home / Futebol Brasileiro / É proibido provocar o rival no futebol brasileiro. Daqui a pouco, vai ser proibido vencer.

É proibido provocar o rival no futebol brasileiro. Daqui a pouco, vai ser proibido vencer.

Fotomontagem: Internet

O assunto mais comentado da semana (tirando a seleção, claro) foi a comemoração do zagueiro Maicon após marcar contra o arquirrival Corinthians. Ao fazer o gol, saiu imitando uma galinha. É um apelido pejorativo que os torcedores rivais usam para o time do Parque São Jorge. Provavelmente sua comemoração foi motivada pela declaração do atacante Kazim, que provocou o São Paulo antes do jogo, chamando-os de Bambi (mais um apelido pejorativo). Ao acabar o jogo, o perfil oficial do Corinthians deu mais uma alfinetada: disse que Jô, autor do gol do empate, estava sendo procurado pelo Ibama (instituto Brasileiro do meio ambiente). Enfim, de um lado e de outro as provocações em clássicos sempre existiram e sempre existirão. Mas o único punido foi justamente o zagueiro, que levou um ridículo cartão amarelo por… comemorar o gol!

Em épocas de politicamente correto e fair play, qualquer deslize é motivo de polêmica. Imaginem o que aconteceria se essas regras existissem nos anos 90? Viola, Edmundo e Romário, entre tantos outros, levariam um cartão a cada jogo. Na final do Paulista de 93, Viola marcou o gol da vitória no primeiro jogo da final. Na comemoração, não hesitou: imitou um porco (símbolo Palmeirense). A mesma atitude de Maicon nesse domingo. Não levou cartão, não teve polêmica e anos depois defendeu o próprio Palmeiras, que admitiu ser torcedor desde criança. Foi ídolo no clube alviverde como foi no Corinthians. Apenas provocou seu rival, algo tão comum no futebol.

Edmundo fez ainda pior. No meio do jogo contra o Botafogo, colocou a mão no joelho e deu uma abaixadinha. Como diz a música da bundinha, o lamentável sucesso do É o Tchan naquele momento. Muito mais desrespeitoso que Viola, afinal o jogo estava em andamento. Era a final do Carioca de 97, e os jogadores do Botafogo partiram para cima do Animal.

E o que falar de Romário? Provavelmente a sua comemoração de gols mais utilizada foi a de pedir silêncio aos rivais, colocando o dedo na boca. Dos mil gols na carreira do atacante, eu devo ter visto pelo menos uma centena de vezes essa comemoração. Se fosse hoje em dia, o baixinho era garantia de cartão amarelo para a arbitragem Brasileira.

Os árbitros estão cumprindo as regras. Não tem culpa dessa invenção da dona Fifa e da CBF, maiores exemplos de corrupção, roubalheira e zero fair play. Como essas instituições podem exigir um tipo de comportamento “adequado” para qualquer jogador?

A provocação sempre fez parte do futebol Brasileiro. Nos anos 90, era comum termos figuras históricas e mestras no assunto. Renato Gaúcho, Ézio, Túlio Maravilha, Edmundo, Romário… eram os caras que provocavam e promoviam os clássicos, sempre de forma saudável. Se você quer brincar (ou zoar, no dialeto atual) com o seu rival, tem que saber aceitar a provocação de volta. Algum torcedor do Vitória vai esquecer as flechadas de Índio? Algum torcedor do Bahia vai esquecer as provocações de Beijoca? Não, fazem parte do futebol, da rivalidade. É isso que torna o futebol apaixonante. Sem rivalidade, é melhor copiar logo a NBA: faz um time para representar a cidade. No dia seguinte, na escola ou no trabalho, você vai poder usar o seu fair play e não poder brincar com ninguém.

O irônico é que a FIFA recomenda que comemorações de cunho religioso devem ser punidas com o cartão amarelo. Num estado laico como o Brasil, é comum vermos jogadores apontando para os céus e louvando aos seus Deuses. E o cartão, onde fica? Porque um jogador pode louvar sua religião e o outro não pode?

A chatice no futebol aumenta a cada dia, graças aos engravatados que parecem não entender nada de futebol e culturas locais. Daqui a uns dias, teremos punições para as torcidas que comemorarem um gol. Você vai ser instruído a como comemorar o gol educadamente, sem ofender a torcida rival. Isto é, se ainda houver torcida rival no estádio. A moda do momento é torcida única. A grande graça de comemorar um gol olhando para a torcida adversária já está com os dias contados. Em muito breve, teremos um tutorial do torcedor moderno e educado.

Ou então, podemos aderir à campanhas patéticas como a do João Sorrisão, criada pelo Esporte Espetacular. Que tal relembrar? Em breve, pode ser a única forma de comemorar um gol sem tomar cartão amarelo…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

>> <<