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A Rússia é logo ali.

Foto: www.cbf.com.br

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A seleção Brasileira carimbou seu passaporte para a Copa da Rússia após vencer o Paraguai em São Paulo e a derrota do Uruguai para o Peru. O que já era mais que esperado, após a mudança do comando na comissão técnica. A mudança da água para o vinho é fruto apenas de um trabalho sério, de um treinador capacitado, o que não ocorria com os dois treinadores antecessores. Tite não é o inventor do futebol. Apesar das brincadeiras saudáveis em redes sociais, e que até usei no último post, sugerindo que ele deveria ser o novo presidente do país, é só perceber o que uma pessoa preparada e atualizada pode fazer no comando de qualquer time de futebol.

O time Paraguaio veio ao Brasil sonhando com um pontinho. Se fechou na defesa, promoveu um rodízio de pancadas em Neymar e tentava encaixar um contra-ataque que pudesse surpreender a seleção. Mas o time dirigido por Arce, lateral direito que fez história no futebol Brasileiro, pouco conseguiu fazer. Ficou evidente que é um time muito limitado, fraco. A prova disso é que não conseguiu chutar uma bola sequer no gol de Alisson, mero espectador da partida.

Com isso, o gol era questão de tempo. Aliás, os gols. Num primeiro tempo de tirar o chapéu, Neymar assumiu o protagonismo que é esperado. E não a Neymardependência. O protagonismo de um time arrumado, com um conceito de jogo, estratégias interessantes. Nesse momento, com um adversário fraco, o craque aparece para brilhar, e não para resolver. Cada bola que pegava, Neymar verticalizava para atormentar a defesa Paraguaia. Puxava toda a marcação para si. Despreocupados com os outros, os Paraguaios deixaram Phillipe Coutinho e Paulinho livres para tabelar e criarem a linda jogada que resultou no primeiro gol Brasileiro. O famoso “one-two“, com direito a um calcanhar brilhante de Paulinho (que esse blog jamais criticou) e um belíssimo chute do camisa 10 do Liverpool para o fundo das redes. Pronto, os outros gols eram apenas questão de tempo.

Num pênalti mal marcado no segundo tempo, Neymar teve a chance de ampliar o placar. Mas de forma displicente, jogou nas mãos do goleiro. Nada que importasse, afinal Neymar é Neymar.

O segundo gol do Brasil, o 52˚ de Neymar, quarto artilheiro da história da seleção é daqueles para lembrar sempre. Pega a bola na lateral esquerda, entorta o marcador, passa por outro, arranca em velocidade pela ponta esquerda, invade a área e marcado por três defensores, acha um espaço para chutar. Ok, contou com um desvio providencial do zagueiro. Mas é um golaço, de placa. Do jogador que muitos insistem em torcer o nariz. De achar que é mídia, é mala, é marketing. Pode ser tudo isso. Mas dentro de campo, prova a cada jogo que já é um dos maiores da história. Agora, faltam três gols para empatar com Romário, dez para empatar com Ronaldo e vinte e cinco para empatar com Pelé. Tudo isso aos 25 anos. Me arrisco a dizer sem qualquer medo: Neymar jogaria em qualquer seleção Brasileira de qualquer período. Na de 58, na de 70 ou na de 82.

Marcelo fechou o placar após mais um passe de calcanhar de Paulinho (viva o futebol Chinês), cada vez mais titular da seleção. A gente critica quando tem que criticar, mas reconhece quando o jogador merece. Paulinho calou a boca dos críticos, inclusive desse que vos escreve. Mas não custa nada repetir: vem jogar no Corinthians, ou vai para um time médio Europeu. Não há qualquer desafio técnico na China. É sempre bom relembrar que em 2013 ele estava voando como está agora, e chegou completamente abaixo do aceitável na copa. O jogador de seleção precisa ser testado diariamente.

Agora é hora de Tite buscar alternativas na forma de jogar. Um bom exemplo é Roberto Firmino. Não é um jogador ruim, e não foi tão mal quanto pareceu no jogo. O problema é que nunca foi centroavante. Era um meia ofensivo na Alemanha e foi deslocado para a área na sua chegada ao Liverpool. Faz seus gols por lá, mas não tem a “fome” de centroavante. Não chuta para o gol com frequência. Mas faz o pressing do centroavante moderno muito bem, além de puxar a marcação, como aconteceu no primeiro gol. Acho que é um jogador interessante para o grupo, mas não naquela posição. É hora de testar opções para as laterais, principalmente a direita. Daniel Alves é dono absoluto da posição. O jogador não pode ficar acomodado a esse ponto. Hora de testar o Mariano, que vem fazendo uma ótima temporada pelo Sevilla. Outro bom nome é Fabinho, do Monaco. Lateral direito de origem, vem fazendo uma excelente temporada jogando na frente da zaga. E o principal: testar, de verdade, o time sem Neymar. Sem dúvidas, é indispensável ao time (a qualquer time do mundo, diga-se de passagem). Mas já aprendemos a lição com a copa de 2014. Lesões e suspensões podem acontecer com qualquer jogador. Cometer o mesmo erro é de uma burrice inaceitável.

Não tenho dúvidas que Tite não cairá nessa armadilha. Já provou que é um treinador preparado e muito inteligente.

Notas:

Alisson: Mero espectador, por culpa da fragilidade Paraguaia.  7

Fágner: Não comprometeu, mas não tem capacidade técnica para estar no grupo. 6

Miranda: Irreconhecível em campo. Preocupa. 5,5

Marquinhos: Cada dia mais titular absoluto. 7,5

Marcelo: Mal no primeiro tempo, muito bem no segundo. Marcou um belíssimo gol. 7

Casemiro: Impressionante como ele joga bola. O motor da engrenagem, sempre muito discreto. Desde que virou titular, o Brasil ganhou uma solidez defensiva absurda. 8

Renato Augusto: Não foi tão bem hoje, mas continua sendo um jogador muito inteligente. É quase um maestro, conduzindo o time. 6

Paulinho: Duas assistências que mereciam uma placa. Tá começando a virar titular absoluto, acreditem. 8,5

Phillipe Coutinho: Outro que mudou a seleção desde que começou a ser usado de verdade, o que não acontecia com Dunga e Felipão. É puro talento. Golaço e participação efetiva em campo. 8

Firmino: Não é centroavante, mas desempenhou taticamente bem a função moderna da posição. Precisa ter mais fome de gol, chutar. 5,5

Neymar: Um gol de placa (mais um), dribles desconcertantes, objetividade e genialidade. O pênalti foi a mancha na atuação. Disparado, o melhor em campo. 9

Thiago Silva: Entrou no lugar de Marquinhos e fez uma boa partida. Não foi muito exigido, é verdade. 6,5

Willian e Diego Souza: Pouco jogaram, sem nota.

Tite: 8 partidas, 8 vitórias, 24 gols. Sozinho, tem mais pontos que o segundo colocado nas eliminatórias. Vaga assegurada na copa. Só pecou na escalação de Fágner. 9

twitter: @tedsimoes

 

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