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Já pode cancelar a copa?

paulinho

Fotomontagem: Desimpedidos

Que fique claro antes de começar a leitura: o título e a imagem desse texto são, obviamente, uma grande autozuera com o blogueiro que vos escreve. O famoso “Paulinho, nunca critiquei!”. Admito total má vontade com os jogadores que abandonam o futebol profissional para jogar o pomposo campeonato Chinês. Serve também para Renato Augusto, Gil e quem mais estiver por lá. Não dá para levar a sério o certame Asiático.

Paulinho sempre foi um ótimo jogador. Fui um dos entusiastas de quando chegou à seleção, antes da copa de 2014. Já vinha voando no Corinthians campeão da Libertadores e do Mundial. Foi fundamental na conquista da Copa das Confederações em 2013, quando inclusive marcou um gol importante contra o mesmo Uruguai. Mas depois da sua transferência para a Premier League, o campeonato mais difícil do mundo, seu futebol desapareceu. Perdeu a titularidade ainda na Copa, virou reserva do reserva no Tottenham (era motivo de piada entre os torcedores do time Londrino) e rumou aos milhões da China. Não há problema em admitir que todos concordavam que era uma loucura do Tite em apostar nele. Fui e ainda serei um crítico de qualquer jogador que queira jogar na seleção atuando no futebol Chinês.

O raciocínio é bem simples: jogando em uma liga fraca, os desafios são menores. Apesar do investimento bilionário por partes das equipes, não dá para criar um campeonato competitivo do dia para a noite. É só lembrarmos que o atual campeão Chinês é dirigido por Luis Felipe Scolari, o pai do 7-1. E que Vanderlei Luxemburgo e Alexandre Pato chegaram ao país com status de deuses do futebol.

Pois bem. Paulinho destruiu o Uruguai, vice líder das eliminatórias. O time que vinha de 6 vitórias em casa na competição. Um time envelhecido e sem sua principal estrela, mas que costuma ser cirúrgico no sensacional estádio Centenário, um verdadeiro alçapão. Vale a pena refletir: se Dunga não tivesse caído, Paulinho teria feito os três gols?

Difícil elucubrar sobre qualquer assunto, especialmente no futebol. Ninguém apostaria 1 realzinho sequer antes do jogo no hattrick do craque do glorioso Guangzhou Evergrande. Mas num time organizado por um treinador de verdade, é muito mais fácil arriscar nos coadjuvantes. A Neymardependência virou assunto encerrado. Se antes era a filosofia de vida dos professores Scolari e Dunga, Tite resolveu chutar para longe. São os benefícios quando se tem um treinador de verdade. Aquele que está preocupado em disseminar suas filosofias de jogo ao invés de brigar com a imprensa ou com a torcida.

O jogo foi um domínio total da seleção Brasileira. Chegou a ser assustador. O Brasil teve 70% de posse de bola e trocou 300 passes a mais que o time da casa. Tomou o gol numa bobeira de Marcelo e não se desesperou. Continuou seu plano de jogo como se o placar estivesse ainda no 0-0. Os gols saíram naturalmente, sem o desespero de cruzar a bola na área ou das maravilhosas cobranças de lateral no melhor estilo Cucabol. Depois da virada, tomou uma baita (e óbvia) pressão do time da casa. Desespero? Nenhum. Neymar continua calando a boca dos grandes entendedores de futebol: é um Craque, com C maiúsculo. Vive o melhor momento de sua carreira. Apanhou no primeiro tempo e em momento algum revidou. Não procurou qualquer tipo de confusão. A resposta foi dada após o lançamento (ou seria um chutão?) de Marquinhos. Na saída do goleiro, fez aquele gol que trava a garganta de quem diz que ele é Neymídia. Na minha rua, ao invés do grito de gol, muitos gritaram “É Hexa!”. Brincadeiras a parte, Neymar é um fenômeno. Que atuação de gala do Craque do Barcelona.

O Brasil (ou posso dizer: O Paulinho) carimbou o passaporte rumo à Rússia. Ainda faltam alguns jogos para a vaga ser protocolada. Mas nem se Dunga voltar ao comando da seleção existe a possibilidade de ficarmos de fora. Tudo graças ao Gaúcho Adenor, mais conhecido como Tite. É impressionante a diferença que um técnico de verdade faz em qualquer time do mundo. Agora, com a vaga garantida, Tite vai poder trabalhar com mais calma. Testar jogadores e situações táticas, ampliar seu repertório. Fugir dos erros cometidos por Dunga e Scolari, seus antecessores. Após ganhar amistosos e competições antes das duas últimas copas, acharam que a velha máxima de que “em time que está ganhando não se mexe” deveria ser aplicada como verdade absoluta. De jeito nenhum. É hora de focar cada vez mais em diferentes situações de jogo.

E para finalizar diferente, fica a dica: se é para tirar o Temer, coloca logo o Tite no lugar.

Notas:

Alisson: Teste de fogo para o goleiro reserva da Roma, que foi muito bem. Não teve culpa no pênalti e fez duas grandes defesas. 8

Daniel Alves: Fez um jogo discreto, mas ainda não tem qualquer sombra na seleção. É experiente e ainda tem lenha a queimar. Belíssimo cruzamento para o último gol de Paulinho. 6,5

Miranda: Parecia perdido no início do jogo, mas voltou muito bem para o segundo tempo. Muito sólido, que é sua principal característica. 7

Marquinhos: Partidaça do jovem zagueiro, cada vez mais titular absoluto da seleção. Ainda sofre com as bolas aéreas, seu ponto fraco. 7,5

Marcelo: Irreconhecível. Talvez sua pior partida com a camisa da seleção. 3

Casemiro: Discreto em campo, mas um pilar no esquema tático do professor. Fecha bem a zaga e tem qualidade para sair jogando. Poderia ter virado o jogo quando estava empatado, mas faltou cacoete de centroavante. 6,5

Paulinho: Nunca critiquei. 9

Renato Augusto: Decepcionou. Esteve sumido em boa parte do jogo. 5

Phillipe Coutinho: Se movimentou bastante no campo, confundindo a marcação Uruguaia a todo momento. Desde que assumiu a titularidade, o Brasil é outro time em campo. Não pode sair do time titular nem por decreto. 7

Roberto Firmino: Sua ótima temporada no Liverpool o credenciou a ser titular na vaga de Gabriel Jesus. Perdeu um gol inacreditável no início do jogo, mas sua jogada no segundo gol foi sensacional. Mostra que pode sim, fazer parte do elenco da seleção. 6

Neymar: Maduro, participativo e fundamental. Craque com C maiúsculo. Os haters podem continuam criticando. Vive a melhor fase de sua carreira. Seu gol foi daqueles que todos deveriam sair do estádio, comprar outro ingresso e voltar. 8,5

Fernandinho, Diego Souza e William: Sem tempo para avaliação.

Tite: Já é meu candidato à presidência no próximo ano. 9,5

twitter: @tedsimoes

One thought on “Já pode cancelar a copa?”
  1. janete 24 de março de 2017 on 14:43 Responder

    muito bom o seu artigo

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