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Bruno é caso de justiça, não de futebol.

Foto: Marcos Alves (Agência O Globo)

Foto: Marcos Alves (Agência O Globo)

Relutei muito para escrever sobre o caso do goleiro Bruno. Desde que saiu da prisão, ficava óbvio que era uma questão de dias para que arrumasse um clube para jogar. Tratando-se de cartolagem Brasileira, sabemos que tudo é possível. Mas não queria dar ibope justamente por achar que não valia a pena. Não trata-se de futebol, é bem simples.

Relutei também porque não sou advogado e não conheço as leis profundamente. No meu entendimento, Bruno ainda não cumpriu o mínimo da pena para ser ressocializado, que é uma das discussões do caso. Acredito que todos devem ter uma segunda chance na vida, contanto que cumpra a sua pena. Se a maioria não concorda, a lei deve ser mudada. É bem simples também.

Mas ao ver essa foto, achei que valeria a pena escrever sobre o assunto. O futebol é responsável por tirar muita gente da marginalidade, especialmente no Brasil, um país tão pobre. Onde o pobre tem pouquíssimas chances de ascender na vida, de ter dinheiro, fama, status. As vezes, é comum ouvir a máxima de que “enquanto tem muita gente morrendo de fome, você está preocupado com futebol”. Imagina se o futebol não existisse? O Brasil seria um país ainda mais pobre. A quantidade de pessoas que conseguiram sair da miséria graças ao esporte é gigantesca. E com elas, suas famílias, amigos e seus empregados. O futebol é uma profissão como outra qualquer e merece respeito. Se houvesse um mínimo de profissionalismo com a indústria do futebol  no Brasil, garanto que muito mais empregos seriam criados. No país do desemprego, é uma benção sermos tão privilegiados em talento natural em qualquer área.

Bruno é apenas mais um caso entre tantos jogadores que conseguiram notoriedade e sucesso na profissão vindo da pobreza. O que era para ser algo bom, acabou se tornando uma tragédia nacional. Eu poderia até dizer que não vale a pena repetir a história, mas vale sim. Em tempos de combate ao machismo e à violência contra a mulher, nunca é demais repetir que Bruno assassinou e esquartejou Eliza Samudio, que acabara de ter um filho com o próprio. Nunca é demais também relembrar que por diversas vezes Eliza prestou queixas de agressão do goleiro. Nunca é demais relembrar que em rede nacional, o goleiro banalizou a Lei Maria da Penha, dando a incrível declaração: “quem nunca saiu na mão com sua mulher em casa”? Sem dúvidas, nunca é demais relembrar.

Após ver essa enigmática foto, onde Bruno aparece dando autógrafo para crianças (incluindo uma menina), próximo a uma mulher, resolvi escrever. Desde que voltou à sociedade, Bruno ainda não mostrou arrependimento sobre o crime brutal que cometeu. Se recusou a responder perguntas sobre o caso, alegando que “só falaria de futebol”. Pois bem, onde entra o futebol nisso tudo?

O Boa Esporte, clube da segunda divisão de Minas Gerais, aproveitou a oportunidade única de aparecer para todo o país. Pela primeira vez em sua história, tem cobertura nacional diariamente. Está no Jornal Nacional (o principal veículo de comunicação do país) como pauta. Apesar de ter perdido todos os seus patrocinadores, já declarou ter interessados para substituí-los. Muitos acham que não pode ser possível, mas o próprio Boa Esporte é a prova concreta que há interessados. Interesses. É a palavrinha mágica desse caso.

Vivemos numa sociedade doente há um bom tempo. Casos como o de Bruno podem acontecer a qualquer momento. Assim como aconteceu nos Estados Unidos, no famoso caso de O.J. Simpson. Muita gente se promoveu graças ao julgamento do século, como foi chamado. Seus advogados se tornaram verdadeiras estrelas. Até mesmo os advogados da acusação se tornaram celebridades. Nessa onda, o Boa tenta surfar rumo ao estrelato. No caso, em muito dinheiro. Por incrível que pareça, sua camisa está valendo mais no mercado. E os aproveitadores de plantão já estão acenando com suas cédulas, em busca dos lucros e dos louros da fama.

O futebol pouco importa. Provavelmente Bruno nem entrará em campo, como disse Juca Kfouri em seu blog. É bem provável que volte à cadeia antes da sua estreia. Mas a mancha do oportunismo e da ganância de dirigentes Brasileiros ficará para sempre marcada. E a aprovação de parte da sociedade mostra que precisamos refletir um pouco. Seja da quantidade de pessoas que fizeram selfies como dos empresários em busca da comercialização de suas marcas. A estupidez em torno disso tudo não fará com que Eliza volte a viver. Pior: aumenta a cada dia as chances de termos novas Elizas por aí.

twitter: @tedsimoes

6 thoughts on “Bruno é caso de justiça, não de futebol.”
  1. Mineiro9 Lascador 16 de março de 2017 on 16:12 Responder

    Texto perfeito, refletindo a realidade. Ted_ é o cara!

  2. Iraildes 16 de março de 2017 on 16:19 Responder

    Belíssimo texto Ted!

  3. antonio jorge pontes guimaraes 16 de março de 2017 on 16:30 Responder

    Sou a favor do seguinte: Morte brutal como foi desta moça, e o réu sendo confesso a pena deveria ser PENA DE MORTE.

  4. heliana 16 de março de 2017 on 17:05 Responder

    Nossa em pais nós estamos?, um assassino, um monstro,tirou a vida de uma moça, e vai ter uma vida como se nada tivesse acontecido,o que nosso pais deveria ter, PENA DE MORTE,pra esses tipos, te garanto que pelo menos os assassinos iam pensar duas vezes antes de tirar uma vida, a falta de IMPUNIDADE, deixa que esse tipo fique solto.espero que ele volte pra cadeia, que e o lugar dele,

  5. Nilton Morais 16 de março de 2017 on 22:37 Responder

    É verdade, esse é o país das injustiças. O jogador Edmundo, grande ídolo do futebol, assassinou uma jovem, quando dirigia embriagado em alta velocidade, pelas ruas do Rio de Janeiro. Nesse caso Edmundo nem preso foi e hoje se faz de bom moço em canal de TV aberto.
    Viva o futebol, esporte da alienação

  6. Alvaro Souza 18 de março de 2017 on 23:37 Responder

    Pena de morte PRA esse monstro

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