Bem vindo ao

Blog do Ted

Home / Tênis / Assistir Roger Federer é como ouvir os Beatles: você sabe que nunca mais existirá algo parecido.

Assistir Roger Federer é como ouvir os Beatles: você sabe que nunca mais existirá algo parecido.

Foto:http://www.rogerfederer.com

Foto: http://www.rogerfederer.com

A história é bem conhecida: 4 rapazes de Liverpool se conhecem, formam uma banda de Rock and Roll, encantam o planeta, se reinventam, ganham concorrentes e se separam após muitas brigas. Entre 1962 e 1970, os Beatles dominaram o mundo – sem nenhum exagero. Mudaram todos os conceitos do que era o Rock and Roll até o momento, atingiram um nível de popularidade que rendeu até a famosa declaração de que eram maiores que Cristo, fugiram da mesmice e brilhantemente se reinventaram mantendo sempre a perfeição. Antes, hits como I Wanna Hold Your Hand, Help! Yesterday faziam uma juventude histérica gritar desesperadamente. Cansados disso, decidiram se aposentar dos palcos para dedicação total às gravações. Os histéricos e histéricas trocaram os gritos pela apreciação de discos lendários como o Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band, White Álbum Abbey Road. Depois deles, vieram tantos. Mas até hoje ninguém conseguiu superar o que John, Paul, George e Ringo fizeram juntos naqueles oito anos. Se fosse para resumir em uma palavra, seria unânime: mágica.

Eis que 11 anos depois, nasce mais um daqueles garotos mágicos. Dessa vez na Basiléia, terceira maior cidade da Suíça. Ao contrário dos outros 4 de Liverpool, ele não precisou formar uma banda. Ou é uma banda de um homem só, se você preferir. Ao invés de baquetas ou guitarras, a raquete. E ao contrário da histeria coletiva da época dos Beatles, seus concertos são silenciosos. Apenas interrompidos por aplausos quando ele resolve mostrar seus hits. Ah, seus hits. Assim como as canções dos Beatles, enlouquecem qualquer um. Seu slice é tão bonito como Eleanor Rigby. Seu backhand é delicado e preciso como os solos de guitarra de George Harrison. Seu saque é tão poderoso quanto a voz de John Lennon. Seu forehand pode ser comparado com a facilidade com que Paul McCartney escrevia sobre seus amores. Seu saque-voleio é como o final de Hey Jude: por mais que você veja e ache batido, sempre vai cantar junto. E sua mentalidade vencedora é como a bateria do Ringo: a peça que faltava para transformar tudo isso junto em uma palavra: mágica.

Federer voltou às quadras no início do ano após seis meses parado, na pior lesão de sua carreira. Aos 35 anos, se encaminha para o adeus às quadras em muito breve. Recordista nos principais quesitos do esporte: maior vencedor de Grand-Slam (os torneios mais importantes do circuito), com 17 títulos em 27 finais e é o jogador com mais tempo como número 1 do ranking, com 302 semanas no topo. Além disso, venceu Wimbledon 7 vezes, tem mais de mil vitórias (apenas 3 jogadores atingiram tal feito), tem medalha de ouro nas olimpíadas, venceu a Copa Davis… Tudo que você conseguir imaginar.

Sua volta foi cercada de expectativas, como não poderia deixar de ser. Com o tempo parado, despencou no ranking. Hoje é o 17•, sua pior posição desde 2001, quando tinha apenas 20 anos e já era o número 13. E a posição “ruim” no ranking significa uma chave mais difícil. O sorteio não ajudou o Suíço. Pelo caminho, só pedreira: Tomas Berdych (número 10), Kei Nishikori (número 5) e Stan Wawrinka (número 4). A cereja no bolo ficou para a final, onde vai enfrentar o seu maior rival, o Espanhol Rafael Nadal. Aquele mesmo que desbancou o reinado de 4 anos de Federer no trono do ranking.

O jogo dessa quarta contra Wawrinka foi uma aula de tênis. Dono do melhor backhand do mundo, Stan vive a melhor fase de sua carreira. 4 anos mais jovem que Federer e livre de lesões, muitos achavam difícil que o mestre pudesse vencer o pupilo. Nos dois primeiros sets, Federer deu um show. Variou seu vasto repertório. Teve bola de direita, de esquerda, voleio, slice, paralela, cruzada, deixadinha… No escaldante verão Australiano, só faltou fazer chover. Wawrinka tentava de todos os jeitos e nada dava certo. Faltava apenas um Set para Federer vencer o jogo.

Nesse momento, Wawrinka pediu atendimento médico. Uma velha artimanha para esfriar o jogo e fazer com que o tenista respire fundo para achar alternativas. E funcionou. Federer esfriou, desconcentrou e Stan venceu os dois sets seguintes. Parecia o fim da campanha mágica de Federer.

Parecia. Mas quem com ferro fere, com ferro será ferido. Ao final do quarto Set, foi a vez de Federer solicitar atendimento médico. Jogada de gênio. Voltou revigorado e completamente concentrado para o Set final. E desfilou todos os seus hits, levando à loucura os sortudos que presenciaram mais um show do Suiço.

Só resta agora a final. Na entrevista após o jogo, pediu desculpas ao amigo Wawrinka pela artimanha que utilizou. E deixou claro que seria um sonho enfrentar Rafael Nadal novamente numa decisão. Se Federer pode ser comparado com os Beatles, Rafael Nadal seria o Rolling Stones na vida do Suiço. São grandes amigos, mas sempre rivalizaram no topo das paradas. Sempre se desafiaram e proporcionaram ao público o que tinham de melhor. Sem sombra de dúvidas, a grande rivalidade esportiva do século XXI, junto com Messi x Cristiano Ronaldo. A sonhada final é um presente merecido para os fãs do tênis. Imperdível.

Federer não cansa de surpreender o mundo esportivo. Dentro ou fora das quadras, você nunca sabe o que pode esperar desse gênio. E apesar de estar voltando como se fosse um menino, eu não duvidaria se após o título ele anunciasse sua aposentadoria, apesar de já ter confirmado a presença em torneios no próximo mês. Infelizmente, o fim de carreira já está aí, batendo na porta. Essa pode ser a última temporada da carreira de um homem que surpreendeu o planeta. Aproveitem cada momento, porque assim como em março de 1970 Paul McCartney acabou com o sonho dos Beatles e nunca mais vimos nada parecido, Roger Federer está perto de dizer adeus. E não tenham dúvidas: nunca mais veremos nada parecido.

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

>> <<