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A partir da copa de 2026, o mundial terá 48 times. Daqui a pouco, até o Íbis vai jogar o principal evento do futebol mundial…

Imagem: www.fifa.com

Imagem: www.fifa.com

O que surgia como boato, foi confirmado pela FIFA: o número de participantes na copa do mundo subirá de 32 para 48 a partir de 2026. Em decisão unânime, conforme o site da associação, o maior evento esportivo do planeta incha para atender aos pedidos das federações. Mas será que é só isso mesmo?

Em discurso, o presidente Gianni Infantino declarou que futebol não se restringe apenas à Europa e América do Sul. Fez a média com as federações que apoiaram sua candidatura e consequente eleição ao cargo máximo do futebol mundial. Não é segredo nenhum que a politicagem continua comandando as ações de qualquer federação esportiva. Mas além disso, a dona FIFA não vai ficar apenas na média com os amiguinhos. Será uma jogada extremamente lucrativa para quem já cansou de lucrar.

A copa no Brasil já apresentou recordes incríveis. Foram R$16 bilhões numa época em que o mundo registrou a pior crise financeira da história. Enquanto isso, o Maracanã apodrece e é alvo de saques no Rio de Janeiro. Está sem luz desde dezembro. A arena Corinthians foi reconhecida como um erro pelos diretores da Caixa Econômica Federal. Os estádios em Brasília, Natal, Manaus e Cuiabá são enormes elefantes brancos. O que deveria ser obrigação da federação, se tornou um enorme pesadelo para o estado Brasileiro. Enquanto isso, a FIFA ri.

Os mundiais anteriores não foram tão diferentes. Na África do Sul, o lucro foi de quase R$15 bilhões. Apenas na copa da Alemanha, a FIFA não lucrou tanto: “apenas” R$800 milhões. Dá para entender o porque das próximas escolhas das sedes, Rússia e Catar. países que terão que construir estádios do zero e que se sujeitam aos caprichos da entidade. Mais lucro vindo por aí.

E já que a ideia é faturar, que tal aumentar o bolo? Com 48 equipes, a previsão é que a FIFA lucre incríveis R$21 bilhões na copa de 2026.

O futebol pouco importa. Serão 16 grupos com 3 seleções em cada. Não haverá mais empates na primeira fase: jogos serão decididos nos pênaltis, com medo de armações (a FIFA acaba reconhecendo, mesmo sem admitir, que existe a manipulação de resultados). Serão 4 jogos por dia nos primeiros 15 dias da competição. Ao invés de grupos da morte, como tivemos na copa do Brasil com Itália, Inglaterra e Uruguai (além da Costa Rica, que acabou se classificando como zebra), é bem capaz de termos grupos com Brasil, Nova Zelândia e Irã, por exemplo. Itália, Bolívia e Egito. Alemanha, Panamá e Cazaquistão. Para quem não lembra, Salvador teve a chance de ver Espanha x Holanda e Alemanha x Portugal na primeira fase. As chances de bons jogos devem ser escassas. E a certeza de que teremos muitos “bábas” é cada vez mais forte.

Vai acabar também as emoções das eliminatórias. Na América do Sul, por exemplo, serão 6 vagas e o sétimo ainda disputa a repescagem. Desse jeito, nem se o Dunga voltar a gente fica de fora. E a Venezuela começa a sonhar com a possibilidade de uma inédita Copa do Mundo.

Vai ficar mais difícil também de ver grandes seleções de fora do mundial. Na última copa, não pudemos desfrutar dos gols de Ibrahimovic, já que a Suécia não garantiu vaga. Em 1994, Inglaterra e França não foram aos Estados Unidos. Dessa vez, não vai ter desculpa: tem que ser muito incompetente para não carimbar a vaga.

A banalização da copa é algo que deveria ser acompanhado de perto pelos clubes. Aqueles que pagam salários altíssimos para suas estrelas. Com a copa inchada, o tempo de repouso tende a diminuir, aumentando o risco de lesão dos principais atletas. Sem contar o risco grande de ter um Cristiano Ronaldo ou um Messi sendo caçado por zagueiros amadores de países em que o futebol passa longe do profissionalismo. É uma insanidade sem tamanho.

A Fifa deveria pensar em soluções para desenvolver o futebol em países emergentes. Investir um pouco dos seus bilhões para dar condições de aprimoramento aos pequenos. Do que adianta ter mais jogos se o nível deve cair drasticamente? Será que alguém mesmo espera que isso possa aumentar o nível do jogo?

Se é pra lucrar, que criasse uma nova competição, como a liga mundial no vôlei. Um evento anual, sem tanto peso como a Copa do mundo, que poderia ser usada até como ranking de classificação para a Copa, tirando as eliminatórias do calendário. Começando por região e depois unindo os melhores de cada continente. Seria muito mais interessante ver as datas FIFA ocupadas por grandes jogos que os amistosos caça-níqueis que a CBF arruma, por exemplo.

Ou aproveitar para melhorar o jogo em si. Passou da hora do futebol se atualizar com o que acontece no mundo. A quantidade de jogadores lesionados por temporada é assustador. Muitos jogos, pouco descanso. A matemática é bem simples: lesões e mais lesões, que acabam influenciando no espetáculo. Chegou a hora de se pensar em mais substituições no jogo. Do direito ao tempo técnico. Da profissionalização das arbitragens no mundo inteiro. E claro, da extinção de torneios ridículos como os estaduais no Brasil. Se a intenção é melhorar o esporte, deve-se buscar a qualidade. Não a quantidade.

Do jeito que as coisas estão, vários “Íbis” (o famoso pior time do mundo), já podem sonhar com a copa. E se você sempre sonhou em jogar uma copa do mundo, corra para conseguir sua naturalização em um desses países emergentes. Aquela história do sonho de marcar um gol numa copa do mundo está bem ali. Graças a Fifa.

twitter: @tedsimoes

3 thoughts on “A partir da copa de 2026, o mundial terá 48 times. Daqui a pouco, até o Íbis vai jogar o principal evento do futebol mundial…”
  1. Benjamin Brige 11 de janeiro de 2017 on 14:27 Responder

    Eu acho válido o aumento das seleções na Copa. A Copa tem um papel, como também as Olimpíadas, de união dos povos. O futebol é uma linguagem mundial de paz e já vimos isso em várias oportunidades como jogos entre Irã e Iraque.
    Tenho certeza de que será uma Copa marcada pela tolerância e convivência pacífica entre países que não se bicam.

  2. George Hasselmann 12 de janeiro de 2017 on 14:51 Responder

    Ibis não eh país. Precisa voltar a estudar geografia.

  3. fabiana 12 de janeiro de 2017 on 18:21 Responder

    Muito bom Seu Conteudo parabens

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