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O Futebol nunca será apenas um jogo.

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Nessa madrugada trágica do futebol mundial, eu estava terminando de escrever o texto sobre o Vitória e sua permanência na série A. Larguei o celular de lado e estava concentrado no laptop. Assim que acabei, me preparei pra dormir. Eram umas 3h e eu já estava cansado. Resolvi abrir o Twitter pra ver as últimas notícias. Me deparo com a Chape no topo do TT’s, sendo o assunto mais comentado no mundo. Ainda pensei: “Olha a Chape, conquistando o mundo!”. Infelizmente, minha alegria a esse simpático clube virou tristeza. A ficha demorou para cair. Não conseguia (e nem queria) acreditar. A Chape passava por uma tragédia que naquele momento, não parecia tão grande.

Meu amigo e companheiro Ivan Dias Marques, jornalista do Correio da Bahia, era o único que estava online, assim como eu, em busca de notícias. Já passavam das 5h. As notícias de que Alan Ruschel e o goleiro Danilo tinham sido encontrados com vida nos animavam um pouco. É quase impossível imaginar sobreviventes em quedas de avião. Até então, falavam em pouso forçado, o que aliviava um pouco nossos corações. Os periódicos Colombianos falavam que não havia mortos, e que muitos estavam com vida. Respiramos um pouco mais aliviados.

Acompanhamos cada mensagem, cada retweet, cada chamada ao vivo na TV. Nossa torcida ia se juntando às pessoas que acordavam com essa péssima notícia. De repente, a corrente do bem ia crescendo. A #ForçaChape ia se multiplicando, não só no Brasil. Clubes de todo o mundo, jogadores, imprensa, pessoas comuns… todos se juntavam pra emanar as melhores energias positivas para a Chape, seus jogadores, comissão técnica e uma grande parte da imprensa que estava no vôo, além da tripulação.

A primeira péssima notícia chegou por volta das 5:30h. Eram confirmados 27 mortos na tragédia. A esperança tomava uma rasteira daquelas que é difícil levantar. Foi o primeiro nocaute do dia. Mas a gente tinha que levantar. Torcer para na pior das hipóteses, esse número não aumentar.

Infelizmente, não foi o que aconteceu. Algumas horas depois, veio a confirmação dos 71 mortos. Incluindo o goleiro Danilo, que tinha sido resgatado com vida e não resistiu aos ferimentos. O segundo nocaute foi muito pior. Acabou com as nossas esperanças por um milagre.

Ainda ontem escrevi sobre a Chape, no texto em que comentava a volta do Bahia à série A. Falava da interessante filosofia do clube, que foi treinado por Guto Ferreira, atual treinador do Bahia. Um projeto fantástico de futebol, que o levou da série D à final da Sulamericana em menos de 10 anos. Um time que chegou na série A e não ficou na gangorra, indo e voltando. Achou seu espaço na elite do futebol e ganhou a simpatia de todos os torcedores. A “Chapeterror” era o time mais simpático do futebol Brasileiro. O que torna essa tragédia ainda mais dolorosa.

Pra nós Baianos, a dor ainda nos atinge de outras formas. Ananias, cria do Fazendão, nos deixa com apenas 27 anos. Mais jovem ainda, uma das grandes promessas do Vitória nos últimos anos, Arthur Maia morre aos 24 anos. Cléber Santana, aos 36, Thiego aos 30, também jogaram na dupla BAVI. Sergio Manoel, o Baiano de Xique-Xique que nunca jogou por times Baianos, tinha 27. O treinador Caio Júnior, que treinou os dois maiores clubes do estado, tinha 51 anos. E Mário Sérgio, um dos maiores jogadores da história do futebol Brasileiro, ídolo do Vitória e com uma passagem pelo Bahia, morreu aos 66 anos. Ele era comentarista da Fox Sports, rede de TV que cobria a final da competição.

A dor toma conta do mundo inteiro. As homenagens não param de acontecer. O Liverpool entrou em campo hoje e respeitou um minuto de silêncio ensurdecedor à Chape. Das coisas mais tocantes que alguém pode ver.

Essa mesma dor vai demorar para passar, se é que algum dia ela vai passar. Nesse louco mundo que vivemos hoje, onde as pessoas perdem a noção de bom senso com facilidade, vale a pena refletir cada ato. Essa enorme onda de ódio que toma conta, principalmente nas redes sociais, precisam ser revistas. Com certa frequência recebo xingamentos por não concordarem com minhas opiniões expressas aqui no blog. Vejo isso acontecer com colegas de profissão e até entre pessoas comuns, que se manifestam sobre qualquer assunto. É hora do mundo tomar um remédio de paz, de respeito e de amor ao próximo. A Chape embarcou para realizar um sonho e teve seu objetivo dilacerado numa tragédia que chocou o mundo inteiro. Que fique a lição do amor e da simpatia que o clube, jogadores, comissão técnica e jornalistas deixaram para nós. A vida é realmente muito curta para perdermos tempo com bobagens.

Meus totais sentimentos à família Chape e à imprensa.

Twitter: @tedsimoes

 

One thought on “O Futebol nunca será apenas um jogo.”
  1. Glória 29 de novembro de 2016 on 20:59 Responder

    Uma tristeza grande!! É nessas horas que vemos como somos pequenos. Que Deus conforte todos!

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