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De novo nos acréscimos, o Bahia consegue voltar pra série A. Mas está tudo certo pra 2017?

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Foto: http://www.esporteclubebahia.com.br

Nao tem jeito. O Bahia gostar de testar o coração do torcedor. Após três jogos conseguindo o resultado no final do jogo, o tricolor resolveu inovar: conseguiu o resultado apenas depois do jogo. O time que não consegue vencer fora de casa manteve a escrita e perdeu pro já campeão Atlético-GO, após sair na frente. Como o Vasco e o Náutico também perdiam, esteve numa situação confortável ao fim do primeiro tempo. 7 gols separavam o Bahia da primeira divisão: tinha que tomar dois do Atlético, o Vasco tinha que fazer outros dois e o Náutico precisava fazer três. Naquela altura, parecia impossível. Mas foi por pouco.

Ainda nos acréscimos do primeiro tempo, a zaga do Bahia deu uma daquelas bobeadas. Júnior Viçosa aproveitou pra empatar o confronto. Menos mal que Vasco e Náutico iam perdendo em casa. Na descida ao vestiário o autor do gol tricolor, Edgar Junio, disse que não queria saber os outros resultados, pois o time dependia apenas dele mesmo pra subir. Após ser informado, Edgar sorriu e foi pro vestiário feliz. Era óbvio que o time iria saber o que acontecia no Rio e em Recife.

Quem dera esse fosse o problema principal. Seria óbvio pra qualquer time do mundo uma relaxada, uma tirada de pé. Mas aconteceu aquilo que o torcedor tricolor se acostumou a ver desde que Guto Ferreira chegou ao Bahia. O time sai na frente e deixa de jogar bola. Recua demais, se mostra satisfeito com o resultado. Como diria Muricy Ramalho, a bola pune. E o Atlético-GO não foi campeão com antecedência à toa. Um time organizado, com bons talentos. E que busca sempre o resultado. Acabou marcando o segundo gol e deixando a torcida tricolor angustiada.

Vale lembrar que a folha salarial do campeão gira em torno de R$600 mil. Só os salários de Hernane e Cajá somados já é maior que a do time inteiro. Vale lembrar também que o treinador tricolor recebe mais de 1/3 desse valor. O investimento do Bahia foi altíssimo e por muito pouco o time não decepcionou sua torcida.

O Vasco virava o jogo no Rio logo no início do segundo tempo. Por sorte, o Náutico resolveu fazer uma nova edição da Batalha dos Aflitos, aquele lendário jogo em que o time Pernambucano perdeu de um Grêmio com 8 jogadores em seu antigo estádio, perdendo a vaga na primeira divisão no último jogo.

Não que o Bahia tenha subido pela incompetência dos outros. O time fez por merecer seu acesso. Em casa, foi letal: fez a melhor campanha da competição, vencendo 15 dos 19 confrontos. Mas fora de casa foi uma presa fácil. Venceu apenas 3 jogos e perdeu 9. Somou apenas 2 pontos de 12 nos 4 confrontos com os times rebaixados. Muito pouco pra tanto investimento.

Mas subiu. Isso é o que realmente importa. E agora? Qual a base que o Bahia criou pro retorno à série A?

Dentro de campo, foram poucos destaques. Juninho é sem dúvidas a peça mais importante do time. Sem ele, dificilmente o Bahia teria subido. Os gols de Hernane também foram importantes. Além de ser o artilheiro do time na competição, ele também liderou em assistências: foram 6 no total. Outros atletas também tiveram bons desempenhos. Edgar Júnio, Jackson e Luiz Antônio foram mais constantes, brilhando em determinados momentos. Moisés, Eduardo, Tiago, Cajá e Régis alternaram bons e maus momentos. Não dá pra disputar uma série A com tão pouco.

No banco de reservas reside a maior dúvida tricolor. Gordiola é um homem de promessa: prometeu o acesso e cumpriu. É um dos heróis. O Bahia pagou caro pra tirá-lo da Chapecoense pra tal missão. Mas hoje, não inspira confiança de boa parte da torcida.

Seria injusto mandar ele embora no momento? Afinal, ele pegou um time que não montou e conseguiu seu objetivo, que não era fácil. Ao final do primeiro turno, o Bahia tinha apenas 7% de chances de subir, segundo os matemáticos.

Mas o futebol apresentado pelo tricolor não empolgou sua torcida. Claro que muitos baterão na tecla de que o importante era o resultado. Alguns até me disseram que se era pra ver espetáculo, era melhor ir ao teatro. Sem dúvidas, seria uma atração mais interessante do que ver o time de Guto Ferreira jogar. Um time confuso, sem definição tática e que em muitas vezes precisou da ajuda de todos os santos pra conseguir vencer. E com uma mania irritante de fazer um gol e prontamente recuar pra segurar o resultado. Convidando o adversário ao seu campo como aqueles que me convidavam pra ir ver uma peça.

Foi o que aconteceu exatamente contra o CRB, quando o Bahia vencia por 2×0 e sofreu o empate no fim do jogo. Alguém consegue imaginar caso o Náutico tivesse vencido o Oeste nessa última rodada como esses dois pontinhos fariam uma falta imensa ao tricolor? O time terminaria em quinto, amargando mais um ano de série B e vendo seu maior rival fazendo chacotas.

Não dá pra prever o futuro, mas será que algum torcedor acredita que Guto Ferreira seja capaz de montar um time desde o início da temporada e fazer o Bahia forte na primeira divisão no ano que vem, depois de 6 meses de trabalho?

Os adversários serão muito diferentes. Na série B, o Bahia teve o segundo maior investimento, atrás apenas do Vasco. Ano que vem, o time terá um dos menores. Serão sete times na Libertadores (talvez oito, caso a Chapecoense vença a Sulamericana), o que significa mais dinheiro de TV e arrecadação. Dos que ficarão de fora da principal competição do continente estarão times como São Paulo, Cruzeiro e Fluminense. Essa lista ainda pode contar com Corinthians, Atlético-MG e Grêmio. Além do próprio Vasco. Todos esses recebem mais dinheiro pelos direitos de transmissão.

O Bahia precisa urgentemente definir seu planejamento pra 2017. Que o torcedor não se iluda achando que dá pra disputar de igual pra igual com esses times só pela camisa. Esse tempo acabou. O bom time do Vitória é a maior prova disso. Luta até o final do campeonato pra não ser rebaixado. Tem um dos melhores jogadores da competição, apesar da defesa ser o ponto fraco do time. O Bahia precisa de equilíbrio, acertar nas peças. A margem de erro na série A é muito pequena e qualquer deslize custa caro. O Bahia precisa de mais Juninhos e menos Cajás, pra ser bem direto. Não dá pra apostar tão alto em um jogador pelo seu passado.

Essa é a missão que Gordiola terá pro ano que vem, se ele continuar. Talvez ele possa se inspirar na Chapecoense, seu antigo clube. O clube Catarinense vai para sua quarta participação na série A com uma filosofia interessante. Com um teto salarial de R$90 mil e a folha de R$2 milhões, a Chape não sofreu grandes sustos nesses anos. Aposta em jogadores menos badalados, mas que rendem bastante. Esse ano disputa a final da Sulamericana e pode chegar à Libertadores do ano que vem. Um feito fantástico pra um time que sabe qual é o seu lugar.

É óbvio que o Bahia é muito maior que a Chapecoense. Mas vale a pena pegar um bom exemplo e tentar seguir seu caminho, mesmo que seja temporariamente. Um passo de cada vez. O Bahia não pode achar que vai ganhar o Brasileirão ou conseguir uma vaga na Libertadores em 2017. Primeiro, o Bahia precisa retomar a sua estigma de time de primeira divisão. Se estabilizar na série A e acabar com a gangorra de cai-não-cai. Depois, pode mirar vôos mais altos. Aquela palavrinha de sempre: planejamento à longo prazo.

Resta saber se Guto Ferreira é o homem certo pro trabalho. Em 6 meses no comando do tricolor não caiu nas graças da torcida, apesar de ter cumprido sua palavra conseguindo o maior objetivo da nação tricolor. Se fosse uma peça ou um filme, lembra muito as últimas produções de Super-Homem, que por sinal é o mascote tricolor. O ator Henry Cavill viveu nas telas o papel do personagem mais famoso dos quadrinhos sem tanto brilho. Ele e Gordiola conseguiram algo em comum: são os heróis que não empolgam ninguém.

Twitter: @tedsimoes

5 thoughts on “De novo nos acréscimos, o Bahia consegue voltar pra série A. Mas está tudo certo pra 2017?”
  1. Jorge de Azevedo 28 de novembro de 2016 on 12:02 Responder

    Imperdoável, numa matéria tão bem escrita a utilização do “pro” tirou toda classe da matéria… Imperdoável.

  2. Rui 28 de novembro de 2016 on 12:24 Responder

    Incrível como a imprensa tende a ser parcial! Não cabe a imprensa dizer que o salário de dois jogadores é maior que a folha do campeão… Vocês tem que ser imparcial, trazer o assunto para nós torcedores sem opinar e sem tumultuar o ambiente do clube! É notório que o Esquadrão precisa de muito para voltar a ser o campeão dos campeões, contudo a diretoria está no caminho certo! Pois a dinastia dos Guimarães foi totalmente prejudicial ao clube e juntos, CLUBE E TORCEDORES, nós vamos escrever uma nova história para o Esporte Clube Bahia.

  3. Jorge Silva 28 de novembro de 2016 on 13:59 Responder

    Guto merece ficar, fez 38 pontos no segundo turno. Subiu com um time que não tinha um atacante de beirada que prestasse, sendo que seus times sempre jogam com esses jogadores de lado de campo.
    Se o Bahia ficar nessa de mudar treinador a cada momento, nunca vai pra lugar nenhum, além de não haver muita coisa boa no fraco nível de treinadores brasileiros. Se tivesse que mudar, o único nome que me agrada é o de Cristovão Borges.

  4. José Augusto 28 de novembro de 2016 on 16:26 Responder

    Excelente análise. Disse tudo que eu queria dizer. Não me iludo com o acesso à série A. Quero um Bahia forte, lutando para ficar entre os 08 melhores do Brasil !!!!

  5. Aremildo de São Pedro 28 de novembro de 2016 on 19:18 Responder

    Este comentário é de uma felicidade incrível! 100% certo o autor. A direção do Bahia precisa pensar grande. Um time que não consegue vencer os rebaixados da Série B irá conseguir vencer na Série A? O mais humilhante é subir pra cair no ano seguinte como acontece normalmente com os times nordestinos.Fazer escada para os outros alcançarem a glória. O Bahia tem que disputar a Série A em busca de títulos que honrem a imensa e melhor torcida do Brasil e parar de lutar pra não cair. Acorda Direção tricolor. Abaixo o complexo de inferioridade. O Bahia é um Clube de tradição, é um Gigante que tem uma Torcida Gigante e não merece o sofrimento enfrentado nas últimas décadas!

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