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O Palmeiras está a um ponto do título. Mas você queria ter Paulo Nobre como presidente do seu time?

Foto: http://www.palmeiras.com.br

A rodada desse fim de semana foi perfeita para o Palmeiras, que luta pelo título do campeonato Brasileiro. O time Paulista está a apenas um ponto de conquistar o maior título do futebol Brasileiro e ser o recordista no quesito, ultrapassando o Santos. Cada um tem oito conquistas, após a unificação dos títulos do campeonato Brasileiro e da Taça Brasil. Apesar disso, é um título que o Palmeirense não comemora há 22 anos.

Nas últimas conquistas, em 93 e 94, o time também vinha de um longo jejum de 19 anos. Pra piorar, eram 17 anos sem qualquer título. A seca acabou com o investimento milionário da Parmalat, que montou uma verdadeira seleção. Contratou Vanderlei Luxemburgo, o melhor técnico na época, além de pelo menos 6 jogadores de seleção Brasileira. Na verdade, apenas o lateral direito Cláudio não teve passagens pela seleção. Do goleiro ao ponta esquerda, era um time de craques.

Desde a saída da Parmalat, o Palmeiras não conseguiu mais ser protagonista na série A. Aliás, o time conseguiu ser rebaixado duas vezes para a segunda divisão. Não havia perspectiva de voltar a ser o antigo vencedor. Um clube que não revelava tantos jogadores e que na perspectiva do futebol Brasileiro não criava laços com os atletas. O Palmeirense vivia um drama ao ver seu maior rival, o Corinthians, ser campeão Brasileiro, da Libertadores e do Mundial num espaço tão curto.

Até que chegou o salvador. Paulo Nobre se candidatou à presidência do clube prometendo o que todos os outros já tinham prometido: um time forte pra ser campeão novamente. Só que dessa vez, ele prometia algo que os outros não puderam prometer. Dinheiro. Na verdade, muito dinheiro.

Paulo Nobre é de uma família bilionária. Palmeirense apaixonado, era corredor de Rally até o dia em que decidiu se candidatar a presidente. Percebendo o caos administrativo do Palmeiras, com dívidas até o pescoço, resolveu fazer empréstimos do próprio bolso ao clube. Até o momento, já foram mais de 100 milhões de reais emprestados. É quase a metade do que o clube arrecada por ano. O Palmeirense parece não se importar, pois está sedento por títulos, mas a pergunta que fica é: e depois?

A Parmalat não serviu de lição ao clube. Investindo apenas em jogadores e técnicos, a empresa Italiana não deixou nenhum legado financeiro ao clube. Era uma vitrine: comprava os melhores jogadores, botava em campo com a camisa de um time tradicional, vencia os títulos e revendia pra Europa com o lucro. O clube não ficava com nada, ou quase nada. No dia que a empresa se mandou, deixou uma torcida acostumada a vencer na mão. Na tentativa de manter o padrão, o Palmeiras se afundou em dívidas e o resultado está aí: dois rebaixamentos, dívidas e uma longa fila pelo título nacional.

Mas Nobre é um torcedor apaixonado, dizem os torcedores. Sim, ele é. Ao contrário da Parmalat, ele até modernizou o clube. Brigou com a empreiteira responsável por modernizar o estádio do time em busca de um acordo vantajoso pro Palmeiras. Cortou gastos com esportes amadores que geravam déficit nas contas. Investiu na base e criou um programa de sócios que gera uma boa renda aos cofres. Pra isso, afastou o torcedor mais pobre: os ingressos pra ver o time do coração ficaram bem salgados. É impossível ver um jogo do Palmeiras por menos de 100 reais. Nas últimas semanas, cogitou até em comprar o estádio.

Mais que isso, preocupa o fato de um clube tão popular como o Palmeiras ficar nas mãos de uma pessoa. Como ele consegue empréstimos com juros e condições muito melhores que o clube, acaba avalizando os repasses com frequência. Nobre já declarou que só irá resgatar o dinheiro quando o Palmeiras estiver em condições financeiras melhores. Mas e se um inimigo político vencer as eleições, será que ele não vai querer se “vingar”? Quem garante que isso não possa acontecer?

O Santos viveu essa situação com Marcelo Teixeira, presidente entre 2000 e 2009. Após sair do comando e ver seu inimigo político assumir, resolveu resgatar todo o dinheiro investido num clube que estava falido. Por muito pouco, o Santos não perdeu seu maior patrimônio. O estádio da Vila Belmiro quase foi colocado em leilão. Até hoje o clube passa por uma séria crise financeira, mesmo tendo vendido jogadores como Ganso e Neymar, que renderam muito dinheiro. Sem capacidade de investir em grandes nomes, o Santos segue apostando nos jovens da sensacional divisão de base e em atletas em fim de carreira, como Ricardo Oliveira. Briga pelo título com o Palmeiras muito mais pelo excelente trabalho de Dorival Júnior e a capacidade de produzir tantos bons jogadores.

Na Europa, esse fenômeno acontece com uma frequência maior. O Chelsea foi um dos pioneiros quando o bilionário Russo Roman Abramovich comprou o clube e o transformou num dos gigantes do continente. Depois dele, vários outros surgiram: o Manchester City, o Paris Saint-Germain e o Monaco, entre outros. A diferença é que lá não existe a possibilidade de troca de poder. O clube virou realmente propriedade dele. A paixão fica de lado nessas horas, em busca de um negócio que possa gerar mais dinheiro que o investido.

Por enquanto, o torcedor Palmeirense vibra. E com toda razão. Comemora um iminente título que não conquista há 22 anos, depois de ver seus rivais vencendo bem na sua frente. Mas é preciso pensar no futuro também. A lição recente da Parmalat no próprio Palmeiras, ou da Unimed no Fluminense, mostra que um clube Brasileiro não pode ficar refém de um mecenas. A conta acaba chegando um dia e as vezes ela é alta demais.

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