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Já passou da hora do desafio eletrônico ser aprovado no futebol

39 minutos do segundo tempo. O Flamengo vai vencendo o Fluminense por 2×1, encostando no líder Palmeiras. O Fluminense perdendo a chance de voltar à 5ª posição, vai pro abafa. Bola na área e Henrique, completamente impedido, faz o gol. O bandeirinha Emerson Augusto de Carvalho levanta a bandeirinha anotando o impedimento. Já o árbitro Sandro Meira Ricci ignora à marcação e dá o gol. Ambos foram os representantes da arbitragem Brasileira na Copa do Mundo. Em pleno século XXI, no auge da era da informação, o banco do Flamengo é avisado que o gol foi ilegal. A partir daí cria-se uma confusão que durou 13 minutos e faz com que o árbitro Mineiro volte atrás e anule o gol. Qual teria sido o real motivo pra essa decisão?

Não é preciso ser nenhum Sherlock Holmes pra descobrir o motivo da reviravolta. Alguém avisou ao árbitro Mineiro da irregularidade do lance. O que espanta é que o bandeirinha já tinha visto e marcado corretamente o lance, que era até fácil. Uma tremenda polêmica que poderia ter sido evitada sem maiores alardes, caso Sandro Meira Ricci tivesse prestado atenção no seu auxiliar. Mas que poderia ter sido evitada de vez caso a FIFA resolvesse ceder ao óbvio: passou da hora da tecnologia ajudar os árbitros em lances mais polêmicos.

O lance que foi fácil dessa vez poderia ter sido por centímetros. Como acontece no Vôlei e no Tênis. Ao contrário da FIFA, as federações destes esportes cederam. Já possibilitam o recurso não só para os árbitros, como pra equipes e atletas. É o famoso “desafio eletrônico”. Cada equipe ou jogador tem uma quantidade estipulada por set. Caso utilize todos, os seguintes lances ficam à cargo da arbitragem. Bem simples e bastante eficaz.

A FIFA até que flerta com a tecnologia. Após um gol legal da Inglaterra não validado na Copa de 2010, ela criou o sistema “goal/no goal”, onde a bola ganhou um chip pra avisar quando ultrapassa a linha. O juíz é avisado imediatamente por um bipe. Um lance que ocorreu tantas vezes, inclusive em final de Copa do Mundo, não causa mais problemas à nenhum time. Se em 1966 era impossível ter esse recurso, hoje ele está em nossas mãos. Ou no nosso apito.

Mas quando o assunto é parar o jogo pra rever impedimentos, mão na bola, supostas faltas e pênaltis e outros lances duvidosos, a FIFA não cede. Alega que isso poderia acabar se tornando uma tática pra parar o jogo, que poderia tirar a graça do jogo. Mas qual a graça do jogo? Vencer de forma irregular?

Voltando ao jogo de ontem, uma das teses da FIFA cai por água abaixo: o jogo ficou paralisado por 13 minutos. Quase 1/3 do segundo tempo. Uma bagunça generalizada com jogadores reservas e comissão técnica dos dois times invadindo o campo para pressionar o árbitro a seu favor. Não, ninguém estava ali buscando justiça. Todos estavam querendo se beneficiar. O Flamengo em busca da anulação de um gol irregular e o Fluminense em busca da regra, que não permite interferência externa. Nenhum dos dois estava errado. Mas a raíz do problema pouco importava naquele momento.

Caso o desafio eletrônico estivesse em vigor, caberia ao Flamengo requisitar a revisão do lance. Vamos supor que a regra existisse e desse à cada clube duas revisões por tempo de jogo, teríamos três cenários:

No primeiro, o Flamengo não teria gastado anteriormente seus desafios. O árbitro iria checar o desafio com a presença dos capitães de cada time ou com a comissão técnica. O replay mostraria o lance em diversos lances e com a tecnologia das linhas, já utilizada pela TV. Isso não tomaria mais do que 3 minutos. O gol seria corretamente anulado. Justiça feita com o Flamengo.

No segundo, o Flamengo já teria utilizado seus desafios e não poderia requisitar o replay do lance. O árbitro daria o gol. Injustiça com o Flamengo que tomaria um gol irregular, mas justo com o Fluminense pelas regras do jogo. O contrário poderia acontecer da mesma forma.

No terceiro caso, talvez uma polêmica maior. O Flamengo já teria utilizado os dois desafios, mas como o lance foi duvidoso, o próprio árbitro solicitou o desafio. Sem imaginar que o árbitro teria o direito a quantos desafios quisesse ou um número pré-estipulado, ficaria a dúvida: e se na sequência um lance a favor do Fluminense fosse duvidoso e o time não tivesse mais desafios, porque o árbitro não o requisitou, como fizera antes com o adversário? De qualquer forma, o lance seria invalidado corretamente.

A arbitragem Brasileira é muito ruim. Essa discussão acontece mais aqui por um motivo óbvio: aqui se erra muito mais. A cada rodada do Campeonato Brasileiro acontecem erros absurdos pra todos os lados. O mesmo Flamengo beneficiado de hoje já sofreu com erros absurdos de arbitragem. E isso vale pro Fluminense, pro Palmeiras, pro Corinthians e por aí vai. O torcedor Baiano pode reclamar de que seus times são muito mais prejudicados que as equipes do sul, e com razão: Sandro Meira Ricci já cometeu erros absurdos contra Bahia e Vitória em sua carreira. O desafio eletrônico poderia diminuir um pouco esses erros, mas ainda não resolveria o péssimo nível da arbitragem que desfila pelos gramados nacionais.

Lá fora é difícil vermos tantas polêmicas na arbitragem. Os árbitros são bons, preparados e extremamente competentes na aplicação da regra. Lances como o gol de Lampard, que não foi visto pelo árbitro ou como o famoso gol em que Henry levou a bola com a mão são passíveis de erro. A tecnologia está aí pra ajudar a diminuir essa margem, que em algum momento ainda vai acontecer. Como ainda acontece no Tênis e no Vôlei.

Resta a FIFA, uma entidade completamente arcaica e corrupta, entender que é inadmissível continuar tratando as regras do futebol como intocáveis. O mundo mudou, o jogo mudou e temos na tecnologia uma aliada a nosso favor. Talvez a mesma tecnologia que nos ajuda a tornar o jogo mais justo seja a mesma que desmascarou a corrupção da entidade, afundada numa crise sem precedentes.  E que ajudou a derrubar os caciques que comandavam à entidade durante tanto tempo. E afinal, a quem realmente interessa a justiça num jogo de futebol?

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