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Cheirinho de hexa no ar?

tite

A seleção Brasileira acaba de vencer sem maiores problemas a fraquíssima seleção da Venezuela por 2×0, com gols de Gabriel Jesus e Willian. Com o resultado, a seleção assume a liderança das eliminatórias com 21 pontos, 5 à frente da 5ª colocada, a Argentina. São 4 vagas diretas pra Copa da Rússia e o 5º colocado disputa a repescagem. Nada mal pra quem vivia uma crise sem precedentes, após os vexames na última Copa do Mundo no Brasil e nas duas edições da Copa América. É impressionante o início de Tite à frente da seleção canarinho. Começa até a animar.

Desde a demissão de Dunga, seu antecessor, uma nuvem de pessimismo pairava sobre o futebol Brasileiro. A humilhação dos 7×1 parece ter deixado a direção da CBF como o boxeador que apanhou impiedosamente e tentava se manter em pé, cambaleando de um lado para o outro, sem saber o que fazer. Só isso explica a surreal volta de Dunga ao comando do time. Primeiro por que nunca foi técnico. Segundo por não ter tido uma passagem brilhante pela seleção. Não foi ruim, é verdade. Mas que se caracterizou por formar times burocráticos, vivendo de contra ataque e bola aérea. E que emocionalmente vivia no limite. Prova disso foi a eliminação da Copa de 2010 pra uma Holanda que não tinha nada de mais. Conseguiu dominar o jogo até tomar o primeiro gol. Depois disso, o time se desestruturou, Júlio César falhou, Felipe Melo perdeu a cabeça e o time não conseguiu reagir. Dunga foi embora sem qualquer perspectiva de voltar um dia. E voltou.

Sua segunda passagem pela seleção foi completamente desastrosa. Mostrando total despreparo tático, Dunga também voltou a apresentar seu destempero de sempre. Irritadiço, dono da verdade e incapaz de ouvir qualquer tipo de crítica. E se o comandante se comporta desse jeito, os comandados refletem suas ações. Neymar ganhou a faixa de capitão e mostrava sua ira em todos os jogos. Thiago Silva colocou a mão na bola dentro da área de forma patética. Marcelo aparecia com contusões na hora da convocação e logo depois estava jogando pelo Real Madrid. A seleção parecia um barco sem rumo, sem comando e sem qualquer perspectiva. Conseguiu a proeza de ser rejeitada por grande parte da população. Irritou até mesmo Galvão Bueno, o maior defensor da amarelinha.

Brazil coach Dunga speaks during a press conference after the training session at the Emirates Stadium, London.

Por incrível que pareça, a culpa não recaía somente em Dunga. A geração começou a ser questionada. Muitos falavam que era a pior da história do futebol Brasileiro. Só prestava Neymar e mais ninguém. Não tínhamos goleiros, a defesa era ruim, os meias não criavam e os atacantes não sabiam fazer gol. O Brasil vai ficar de fora da Copa pela primeira vez. Era o fim do futebol Brasileiro. Viramos a nova Hungria.

Claro que não era bem assim. O calor do momento impedia qualquer análise fria e calculista. E também a altíssima rejeição que o time de Dunga atingiu. Culpa de uma decisão que também fora tomada no calor da pior humilhação do futebol Brasileiro. Era hora de parar, refletir, planejar, consertar. Mas vamos combinar que não dá pra esperar isso da CBF, né?

Dunga caiu após a bizarra campanha na última Copa América, onde conseguiu ser eliminado na primeira fase por Peru e Equador. Dessa vez não havia muito tempo disponível para refletir e planejar, é verdade. A CBF precisava ser rápida. Perdeu 2 anos de preparo por conta de uma decisão desastrosa. O que fazer? Chamar o melhor técnico do Brasil. Coisa que não acontecia desde que Felipão foi chamado em 2001, às vésperas da copa.

É cedo pra fazer qualquer prognóstico, mas Tite pode ter dado a mesma sorte que seu conterrâneo colega de profissão. Naquela época, Felipão também assumiu uma seleção desacreditada, que andava cambaleando nas eliminatórias. Também vinha de um fracasso na copa anterior, na derrota pra França na final. Os jogadores também passavam por questionamentos: Rivaldo era acusado de ser jogador de clube, sem vingar pela seleção. Roberto Carlos e Cafu fizeram um péssimo mundial. Ronaldinho Gaúcho ainda era uma jovem promessa, enquanto Ronaldo passava pelo longo período de recuperação da grave lesão, inclusive com dúvidas sobre se ainda teria condições de voltar à jogar profissionalmente. Os mesmos 5 citados foram a base do time campeão mundial no ano seguinte, mas não inspiravam nenhuma confiança naquele momento.

Tite pegou a seleção desacreditada e já conseguiu arrumar a casa nesses 4 primeiros jogos, algo que nem Galvão Bueno poderia esperar. A geração até então fraquíssima começa a se mostrar boa. Assim como Ronaldinho surgia, Gabriel Jesus desabrochou de forma inacreditável, marcando 4 gols em seus primeiros 4 jogos. Daniel Alves, mesmo longe do seu auge, está muito à frente dos seus concorrentes, como acontecia com Cafu. Marcelo é o lateral esquerdo titular do Real Madrid, assim como era Roberto Carlos. Neymar é o ponto fora da curva: um fenômeno na seleção assim como Ronaldo sempre foi. Faltaria apenas um paralelo com Rivaldo, tão fundamental na conquista de 2002. Muita coincidência?

Até indiretamente Tite vem tendo aquela “sorte de campeão”. A geração tão criticada no Brasil está com moral nos principais times do mundo. Casemiro chegou discreto ao Real Madrid e se tornou queridinho do técnico Zidane. Elevou bastante seu nível, tornando-se também indispensável à seleção Brasileira.

Douglas Costa estava perdido na Ucrânia quando Pep Guardiola o levou ao Bayern, na temporada passada. Com o melhor treinador do mundo, Douglas Costa virou titular do time alemão, desbancando ninguém menos que Robben. Soube aproveitar a oportunidade, aprendeu muito e deixou de ser um bom jogador pra se tornar um excelente jogador. Apesar de ainda não ter estreado com Tite por contusão, deve ser titular assim que se recuperar.

E Pep Guardiola pode ajudar ainda mais a seleção. O primeiro caso é do renascido Fernandinho, tão criticado no 7×1. Titular absoluto do Manchester City, novo time de Pep, Fernandinho vem recebendo elogios constantes do Catalão. Chegou a dizer que se tivesse 3 Fernandinhos no time, seria campeão todos os anos. Disse que o Brasileiro é tão bom que pode jogar em qualquer posição. A verdade é que Fernandinho até agora é um dos destaques da Premier League, fazendo um trabalho irretocável no clube de Manchester.

Gabriel Jesus é o próximo. Pep convenceu aos dirigentes do City a gastarem o que fosse necessário pra contratar o desconhecido garoto. Fez questão de ligar pessoalmente pra conversar e convencê-lo a escolher a chuvosa Manchester quando era disputado pelos maiores clubes do mundo. Gabriel não hesitou: sabe que o Catalão não é apenas marketing, como afirmou Vanderlei Luxemburgo. E se nos 4 primeiros jogos ele fez 4 gols, o que esperar dele quando estiver nas mãos de Pep Guardiola?

Outro Brasileiro que está brilhando na Europa é o meia atacante Phillipe Coutinho. Titular absoluto, camisa 10 e ídolo do Liverpool, comandado pelo excelente técnico Alemão Jurgen Klopp. Jogando em altíssimo nivel há 3 temporadas na liga mais difícil do mundo. Seu companheiro de clube  Roberto Firmino também deu um salto absurdo de qualidade com a chegada do Alemão. Assim como Willian, que desfruta do mesmo prestígio no Chelsea, onde é ídolo.

Na defesa, outra sorte do acaso ao professor Tite: O Paris Saint Germain se livrou de David Luiz depois de tantas trapalhadas e resolveu apostar de vez em Marquinhos. O jovem zagueiro mostrou nas Olimpíadas que é mais um jovem talento. Teve sua chance na principal e hoje parece ser titular absoluto, colocando seu colega de time Thiago Silva no banco.

Pode parecer pouco, mas ter tantos jogadores nas principais ligas da Europa, com os melhores treinadores e melhores jogadores, faz com que Tite tenha uma ótima geração à disposição. Ele terá quase dois anos pra montar seu time, colocar suas filosofias em jogo e buscar alternativas pra variadas ocasiões. Não há dúvidas de que ele tem muita capacidade pra isso. Ele só precisa olhar pra trás e não cometer o mesmo erro que seus antecessores, que por sinal, tem algo em comum: todos Gaúchos. Dunga, Mano Menezes e Felipão erraram em suas teimosias. Eram extremamente arrogantes na hora de ouvir críticas. Achavam que estavam fazendo o certo e não admitiam questionamentos. Tite me parece mais maleável, menos teimoso, mais humilde. Algo extremamente fundamental pra não perder o rumo como seus 3 conterrâneos fizeram.

Ao contrário de Felipão em 2001, Tite terá um ano a mais pra montar um time com excelentes peças disponíveis. Eventuais erros podem acontecer, como já aconteceu com a incrível convocação e titularidade de Paulinho. Na minha opinião, jogador que joga na China não pode vestir a camisa da seleção. Incluindo aí também o Renato Augusto, que até foi bem em alguns jogos. Mas não dá. Temos outras tantas opções do mesmo nível, e até melhores.

Como disse Galvão Bueno, jogador que é titular de Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique deve ser obrigatoriamente titular da seleção. São os 3 melhores times do mundo na atualidade. Quem joga nas principais ligas do mundo (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França) tem que estar no elenco. O fraco campeonato Brasileiro é segundo escalão, junto com Portugal e Turquia. Ucrânia, Rússia e até mesmo a Argentina tem ligas que entrariam no terceiro escalão. A China, assim como os Estados Unidos, é quarto escalão do futebol mundial. A disparidade é colossal. Não dá pra jogar na seleção, quanto mais ser titular. Tite precisa se conscientizar disso e não repetir aquela bobagem de “morrer abraçado com o grupo”, como fizeram Dunga e Felipão nas últimas Copas. Seleção é espaço pros melhores.

dez

É cedo pra afirmar qualquer coisa, pode ser apenas um início muito bom. Mas a verdade é que as coincidências com o que aconteceu antes de 2002 me fazem sentir o cheirinho do hexa no ar. Mesmo desacreditado, o Brasil ainda impõe respeito quando o assunto é copa do mundo. E sendo um torneio eliminatório, tudo pode acontecer. Em 2002, o Brasil deu uma sorte de campeão ao cair num grupo fácil. As favoritas Argentina e França caíram em grupos complicados e a França ainda sofreu com a contusão de Zidane na véspera da copa. O Brasil foi vencendo, ganhando confiança e vendo as favoritas ficarem pelo caminho. Na final, contou ainda com a falha do melhor jogador do torneio (o goleiro Alemão Oliver Kahn), que soltou uma bola fácil nos pés de Ronaldo. Em copas, nem sempre o melhor time vence. Tite tem a grande chance da vida dele e sabe que não é impossível sonhar.

2 thoughts on “Cheirinho de hexa no ar?”
  1. Marcus 13 de outubro de 2016 on 06:23 Responder

    Oi Ted(quase começo com um ‘hi Ted’ nos brasileiros gostamos de um anglissimo, ne!?). Gostei da sua cronica. Ainda nao sinto o cheiro de hexa, pois tem muito chao pela frente, mas gostei da sua analogia com o pre’ torneio de 2002.
    Apenas diria que o Brasil ainda impoe respeito quando o assunto e’ futebol, nao so’ copa do mundo – mesmo que os outros nacionais nao queiram pensar assim, pois achar que o Brasil ja’ era no futebol, e’ interessante para eles.
    Obrigado.

    • Ted Simões 14 de outubro de 2016 on 04:58 Responder

      Grande Marcus, seja bem vindo, ou, welcome!
      Também não sinto o cheirinho, mas é inevitável que ele já comece a rondar!
      Volte sempre!
      abraços!

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