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O Pofexô e seu novo “pojeto”: A caduquização pública. O deprimente fim de carreira de Vanderlei Luxemburgo, um dos melhores técnicos do futebol Brasileiro.

 

Foto: Gilvan de Souza

Foto: Gilvan de Souza

Significado de Caducar

Tornar-se caduco, envelhecer.

[Brasil] Tornar-se mentalmente perturbado por efeito do envelhecimento.

O grande personagem da semana no futebol Brasileiro é um velho conhecido da torcida: Vanderlei Luxemburgo. Único treinador a vencer 5 vezes o campeonato Brasileiro. Dirigiu a seleção Brasileira e quase todos os “grandes” clubes do futebol nacional. Só não treinou o Vasco, São Paulo e Internacional. Dirigiu o poderoso Real Madrid, o maior clube do mundo. Montou times memoráveis. O Palmeiras de 96, o Corinthians de 98 e o Cruzeiro de 2003. Era sinônimo de sucesso, de excelente futebol, de visão, de genialidade. Esteve muito à frente de todos os treinadores Brasileiros em seu auge. Quem poderia parar Vanderlei Luxemburgo?

A pergunta que todos faziam parecia não ter respostas óbvias. Seu maior concorrente em sua geração, o Gaúcho Luis Felipe Scolari, apostava no pragmatismo. Se não era tão brilhante taticamente, compensava em altas doses de motivação, jogadas aéreas e força física. Seus times ficaram marcados pela garra. Era a família Scolari. Os jogadores “fechavam” com o treinador e se entregavam em campo. Com Luxa era diferente. O treinador prezava pela técnica. Conseguia tirar o melhor dos seus craques. Marcelinho Carioca, Djalminha, Alex e Rivaldo atingiram seu potencial máximo na mão do pofexô, como é conhecido no meio futebolístico.

Os embates dos dois nos anos 90 marcaram uma época do futebol Brasileiro. Era a nossa versão de Guardiola x Mourinho, muito antes dela existir. Com uma pequena diferença: se dentro de campo a dupla Luxa/Pep representava o futebol arte e Felipão/Mourinho representava o pragmatismo, fora de campo a ordem era invertida: Enquanto Felipão e Pep são adorados por seus jogadores, Luxemburgo e Mourinho são especialistas em confusões com jogadores e jornalistas. E claro, a relação dos dois sempre foi pra lá de conturbada.

A polêmica começou na segunda-feira. Convidado do programa Bem, amigos (do amigo pessoal Galvão Bueno), Luxemburgo deu um show. Bateu boca com todos os comentaristas da casa. Chegou a gritar com o narrador Cléber Machado. Falou pra Caio Ribeiro que ele não sabia do que estava falando, quando o comentarista lamentou sua má fase como treinador. Luxemburgo ia se irritando aos poucos, até que não aguentou: disparou a metralhadora giratória, pouco se importando com quem estivesse por perto. Primeiro, declarou que não obteve resultados no futebol porque fez “escolhas erradas”. De uma só vez, colocou a culpa em Santos, Palmeiras, Flamengo, Fluminense, Atlético-MG, Grêmio e Cruzeiro. Como se escolher um time desses fosse um grande erro de um treinador.

Depois explicou que não estava ultrapassado. Falou que tudo que existe no futebol atual foi iniciado por ele há 20 anos atrás. Que inclusive na parte de gestão esportiva, ele é vanguarda. Só faltou dizer que inventou a roda, o fogo e o Iphone.

Chegou a afirmar que os treinadores Argentinos não fazem esse sucesso “todo” que a imprensa diz existir. Citou “aquele exemplo do Tottenham”, querendo falar de Mauricio Pochettino. Foi lembrado também de Simeone, Sampaioli, Tata Martino e do fato de que das dez seleções nas eliminatórias Sul-Americanas, seis são treinadas por Argentinos. Preferiu mudar de assunto e contar uma história de quando substituiu Zidane e Ronaldo num jogo da Champions League. Constrangedor.

Mas a polêmica maior ainda estava por vir. Luxemburgo foi perguntado qual teria sido o motivo do seu último fracasso, a demissão na segunda divisão Chinesa. Sem qualquer constrangimento, ele afirmou que teria sido vítima de um boicote dos jogadores e de manipulação de resultados. Disse que tudo lá era armado. Galvão Bueno, muito esperto, sabia que iria repercutir. Continuou dando mais corda pra Luxemburgo se enforcar de vez. As declarações eram pesadas. E não demoraria muito pra chegar do outro lado do mundo.

Na manhã do dia seguinte, Felipão fez questão de ligar pra ESPN Brasil pra rebater as declarações desastrosas de Luxa. E não poupou críticas à seu desafeto. Percebendo a besteira que fez, Luxemburgo soltou uma nota oficial em seu facebook:

“Queria deixar bem claro que não quis generalizar quando falei do futebol na China. Fui muito bem tratado no Tianjin, pelo presidente e pela diretoria, que cumpriram com todos os compromissos acordados. O meu problema foi com uma pessoa específica, ligada ao clube, e dei nome. E citei um caso que presenciei com um jogador da minha equipe, num jogo da segunda divisão. Havia um boicote, realmente. Falei também sobre casos que ocorreram por lá, que o governo já vem se esforçando para dar fim, o que é público. Basta procurar na internet. Respeito as declarações do Felipão, mas não foi a minha intenção prejudicar os profissionais brasileiros que lá trabalham e, muito menos, fechar as portas de lá para eles. Quanto ao país, eu mesmo disse que voltaria a trabalhar na China, que é um lugar maravilhoso. Assim que fui desligado, ainda fiquei mais 15 dias viajando por lá com a minha esposa.”

Depois da nota publicada, esperava-se que Luxa sumisse um pouco dos noticiários. Mas aquela pergunta no início do texto, sobre quem poderia parar Luxemburgo, estava pra ser respondida. Seu ego, que destruiu uma das mais brilhantes carreiras de treinador da história do futebol Brasileiro, voltava a atacar.

Luxa aproveitou seus 15 minutos de fama pra dar mais uma declaração desastrosa. No programa Aqui com Benja, na Fox Sports, declarou que Pep Guardiola, o melhor treinador do mundo, é muito mais marketing do que técnico. Disse que ele só ganhou com o Barcelona. Não sei em que mundo Luxemburgo estava quando perdeu o tri-campeonato do Bayern de Guardiola, fato inédito no futebol Alemão. Quando perguntado sobre quem era o melhor treinador do mundo, Luxa não titubeou: “aquele do Bayern… (uma pausa constrangedora de 5 segundos) Ancelloti”.

Luxemburgo começa a dar sinais de estar caducando. Dá até pra entender quando você precisa buscar na memória um nome obscuro de algo que você não domine ou que tenha acontecido há muito tempo. Mas um treinador de futebol que não consegue lembrar o nome de um colega de profissão com tanto destaque, que dirige um dos três maiores clubes do mundo e que ele afirma ser o melhor da atualidade é no mínimo estranho.

Seus resultados como treinador, acusações rasas sobre seus fracassos e total desconhecimento do que acontece no futebol mundial mostram que Vanderlei Luxemburgo não está apenas perdido. Está começando a se tornar um caso de dar pena. Como definiu bem o dicionário: Luxemburgo está se tornando mentalmente perturbado por efeito do envelhecimento. Caducando, em jargão popular. Triste.

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