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300 gols na carreira. 3º maior artilheiro da seleção aos 24 anos. Extremamente mimado. Imaturo. Afinal, é Neymito ou Neymídia?

Neymar Jr. é o centro das atenções do futebol Brasileiro desde que surgiu no time profissional do Santos. Muito já se esperava dele desde os 11 anos, quando fora tratado como uma pérola das categorias de base do alvinegro praiano. Era só uma questão de tempo pro menino de Mogi das Cruzes se tornar titular do time principal, ser o 10 da seleção e ser vendido pra um grande clube Europeu. O conto de fadas que estava no script foi concretizado sem nenhuma surpresa. Virou garoto propaganda disputado pelas maiores marcas do mundo. Namorou atriz da globo. Foi ser parceiro de ataque do maior jogador do planeta. Seria óbvio afirmar que se tornaria um tesouro nacional, um ídolo da nação. Só que ninguém contava com o advento dos haters, sigla designada à quem fica na internet de plantão criticando seu alvo. E na mesma proporção dos likes que recebe nas redes sociais, Neymar tem uma legião enorme dos que o odeiam.

Neymar não é nenhum santo. Em muitos casos, parece querer aumentar seu número de depreciadores. Suas atitudes ultrapassam limites de noção, como na volta olímpica da seleção Brasileira no Rio, após vencer o inédito ouro olímpico para o futebol Brasileiro. No meio da celebração, Neymar parou pra xingar um torcedor que pedia raça pra ele durante o jogo. Num estádio com mais de 60 mil pessoas, ele conseguiu marcar o rosto de uma pessoa – literalmente – no meio de uma multidão, que apenas clamava por raça. Poderia ter aproveitado o momento histórico pra curtir a conquista. Minutos antes, deu uma entrevista à Rede Globo, falando que todos teriam que “engolir” ele, numa citação ao então técnico da seleção, Zagallo. Desnecessário, inconsequente e imaturo.

Não é difícil entender as consequências dele: desde os 11 anos, é paparicado por todos ao seu redor, devido a uma qualidade técnica indiscutível e rara no futebol mundial. Já era visto como futuro craque, o que rendeu um bom contrato muito antes de se tornar um jogador profissional. Depois se tornou um jogador da nova era: o popstar. Daqueles que rendem contratos publicitários milionários em produtos que não tem nada a ver com o futebol. Namorou atrizes, posou com artistas do mundo todo em selfies carismáticas, desfilou sua coleção de Ferraris no instagram e – principalmente – começou a se esquecer do principal: sua profissão, de jogador de futebol. Não que ele tenha jogado mal, até longe disso. Continua jogando muito bem, mas cada vez menos é lembrado por seus gols. Em resumo, esquece (ou até mesmo não entende) que a discrição é importante em muitos momentos da vida de um jogador, até mesmo um popstar.

Nesses momentos, dá um prato cheio pros haters de plantão. Aqueles que parecem torcer pro sujeito se dar mal ou cometer qualquer deslize. Seja um gol perdido, uma expulsão, uma declaração desastrosa ou até mesmo uma falta de declaração. Neymar é vigiado 24 horas por dia. E isso não é novidade nenhuma. Por ser o melhor jogador do futebol Brasileiro da sua geração, os holofotes estão em cima dele. Outros jogadores já passaram por isso e sabem como é. A cobrança em cima dele é absurdamente gigante e em muitas vezes infundada. As pessoas esquecem que ele deve ser cobrado dentro de campo. Como ele mesmo disse na primeira entrevista coletiva da seleção nos jogos olímpicos, a vida pessoal dele não interessa a mais ninguém. Concordo, Neymar. Mas fica a pergunta: como cobrar isso dos outros, quando você resolve expor tanto suas festas, carros e amizades em redes sociais? Não dá pra ser tão contraditório assim. É hora de decidir o que quer ser: jogador ou popstar.

Acho que Neymar é muito mimado. Alienadíssimo como pessoa. E isso realmente não faz muita diferença pra mim. Cada um sabe o que faz e o que quer. Me espanta quanta gente julga Neymar justamente por isso. E aparecem comparações esdrúxulas pelas redes, como uma montagem feita com o líbero Serginho, do vôlei, e o ex jogador Sócrates.

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Como comparar Neymar, que tem 24 anos, paparicado desde os 11, com um alcance e uma cobrança muito maior que Serginho do vôlei, um cara de 40 anos, muito mais maduro e reservado? Pior ainda é querer comparar com Sócrates, que viveu outra era política no país, marcada pela ditadura. Não dá. As pessoas são únicas e ninguém é obrigado a esperar que todos pensem da mesma forma. Acabam fazendo comparações rasas e esdrúxulas. É preciso observar o quadro além do que se vê.

Já outros procuram também grandes ídolos da seleção pra tentar desqualificar Neymar. Como memória de Brasileiro é bem curta, vale a pena lembrar que outros ídolos não são bem exemplos de comportamento perfeito. É só pegar três exemplos dos maiores ídolos das últimas conquistas do Brasil em copas, que por sinal são os únicos que mais fizeram gol pela seleção que o próprio Neymar.

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Vencedor em 2002, o atacante Ronaldo é um dos pioneiros da geração midiática. Com 17 anos era campeão do mundo, virou estrela de vários comerciais, namorou atrizes famosas, participou de novela da Globo e fez amizade com celebridades. Dentro de campo, era um fenômeno. Fora dele se envolvia em casos inacreditáveis: foi apontado como símbolo do fracasso da copa de 2006, chegando muito acima do peso e se esbaldando nas baladas até o dia amanhecer. Depois da copa, foi banido da seleção, voltando apenas para um jogo de despedida. Foi extremamente execrado quando deu a célebre declaração de que “Copa não se faz com hospitais”, quando o país protestava com os altos gastos públicos na construção dos estádios da copa no Brasil. Pra piorar a situação, se viu envolvido numa polêmica com travestis em um motel no Rio de Janeiro – história que até hoje não foi completamente esclarecida.

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Romário foi o craque que tirou o Brasil de uma fila de 24 anos sem o título mundial. É considerado por muitos como o maior centroavante da história do futebol. Conseguia ser polêmico dentro e fora de campo: agrediu Andrei, seu companheiro de Fluminense durante uma partida. Era tratado como rei por onde passava. Chegou a exigir que voltasse na janela do avião. Todas as suas vontades eram atendidas prontamente. Até mesmo no Barcelona, clube extremamente rígido com seus jogadores, Romário conseguia folgas no meio da temporada pra curtir seu amado carnaval no Rio de Janeiro. Fora de campo aprontou inúmeras vezes. A mais famosa delas foi quando abriu um bar no Rio de Janeiro e ilustrou as figuras de Zico e Zagallo no banheiro, segurando o papel higiênico, numa tentativa de se vingar após o corte da copa de 1998. Pra não falar das desavenças públicas com Edmundo, Zico, Pelé e tantos outros companheiros de profissão. Romário não era nada fácil.

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Nem o maior jogador da história sai ileso disso tudo. Se dentro do campo fez coisas que até Deus duvidava, ganhando as três primeiras copas com o Brasil, marcando mais de mil gols e conquistando todos os títulos com o Santos, fora de campo Pelé cometeu erros inadmissíveis. Foi aliado da ditadura militar que assombrou o país, enviando uma carta ao então Presidente Médici, falando da “imensa satisfação da honrosa missão de representar o ilustre governo”. Quando embarcou para o México em 1970, Pelé recebeu um passaporte diplomático com a distinção: “o titular viaja em missão oficial”. Mais grave que isso, só o famoso descaso com Sandra Arantes do Nascimento, filha que Pelé só reconheceu após longa batalha judicial. Sandra morreu em 2006, vítima de câncer, sem nunca ter conseguido qualquer aproximação com seu pai, o rei do futebol. Pelé sequer visitou a filha em seu leito de morte. Uma mancha que o acompanhará por toda a sua vida.

Não dá pra imaginar como seria a reação pública com Neymar caso ele cometesse estes mesmos erros. São pessoas diferentes e a boa vontade e simpatia das pessoas por um ou outro costumam ser decisivas no julgamento diário que as redes sociais se transformaram. Apesar de super craques, são pessoas que podem cometer erros. Todos erram e nem todos tiveram o mesmo berço que eu e você, que está lendo. Não podemos cobrar nossos valores como se fossemos donos da verdade ou aptos a julgar qualquer comportamento inadequado. Do mesmo jeito que não podemos achar que Neymar deva ser o novo Pelé, o novo Guga, o novo Sócrates ou o novo Martin Luther King.

Apesar dessa nova geração de jogadores mendigar por atenção, buscando milhões de likes em tempo recorde, cabe a você decidir onde vai julgá-lo: no campo ou no Instagram. Neymar, mais do que nunca, deveria entender isso também. Apesar de polêmicos, Pelé, Romário e Ronaldo tem algo que ele não tem (e que serve como um bom escudo pra tais deslizes): uma copa do mundo. Uma conquista como essa deixa qualquer hater em grande desvantagem. Ganhando ou perdendo, isso não muda o gênio que ele é dentro de campo, quando é o verdadeiro Neymito. Fora dele, precisa parar de achar que pode fazer o que quer. Incluindo aí sua mania de achar que nunca pode ser criticado por seus atos. Nesses momentos, o Neymídia é lamentável.

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